quarta-feira, 31 de março de 2010

Jamais sairemos da luta!


por Isaura Isabel Conte

Sei, sou mulher da roça
Nem por isso sou escrava,
Busquei pelo meu valor
Enquanto alguém contestava

Depois desta descoberta
Tudo pareceu mudar
Não implorava mais tanto
Comecei me libertar

Hoje sinto até orgulho
Do que fui capaz de fazer
Mesmo sendo criticada
Ajudei outras a viver

O desafio ainda é grande
Gritamos que alguém escuta
Não vamos retroceder
Jamais sairemos da luta!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Porque o crime é da mulher que abortou?

CADÊ O HOMEM QUE ENGRAVIDOU??????

Ofensiva contra o machismo!



vamos fazer parte desta ofensiva?

http://contramachismo.wordpress.com/

quinta-feira, 25 de março de 2010

Anticapitalismo e justiça climática


Por Esther Vivas

A mudança climática é, hoje em dia, uma realidade inegável. O eco político, social e midiático da Conferência de Compenhague, em dezembro de 2009, foi uma boa prova disso. Uma conferência que mostrou a incapacidade do próprio sistema capitalista de dar uma resposta crível a uma crise que ele mesmo criou. O capitalismo verde se coloca na questão da mudança climática, aportando uma série de soluções tecnológicas (energia nuclear, captação do carbono da atmosfera para seu armazenamento, agrocombustíveis, etc…) que gerariam maiores impactos sociais e meio-ambientais. Se trata de soluções falsas à mudança climática que tentam esconder as causas estruturais que nos conduzem a situação atual de crise e que buscam fazer negócio com a mesma, uma vez que propõe a contradição entre cálculo de curto prazo do capital e os ritmos longos do equilíbrio ecológico.
Por Esther Vivas

Neste contexto, é urgente um movimento capaz de desafiar o discurso dominante do capitalismo verde, assinalar o impacto e a responsabilidade do atual modelo de produção, distribuição e consumo capitalista e vincular a ameaça climática global com os problemas sociais cotidianos. Copenhague têm sido até agora a maior expressão do movimento pela justiça climática, coincidindo justamente com o décimo aniversário das mobilizações contra a OMC em Seattle. Um protesto que, sob o lema” Mudamos o sistema, não o clima”, expressa esta relação difusa entre justiça social e climática, entre crise social e crise ecológica. Mas o êxito dos protestos em Copenhague contrasta com a debilidade das manifestações a nível mundial, com algumas exceções como Londres.

A crise atual apresenta a necessidade urgente de mudar o mundo de base e fazê-lo desde uma perspectiva anticapitalista e eco-socialista radical. Anticapitalismo e justiça climática são dois combates que tem que estar estritamente unidos. Qualquer perspectiva de ruptura com o atual modelo econômico que não leve em conta a centralidade da crise ecológica está fadada ao fracasso e qualquer perspectiva ecologista sem uma orientação anticapitalista, de ruptura com o sistema atual, ficará na superfície do problema e ao final pode acabar sendo um instrumento à serviço das políticas de marketing verde. Prossegue>

Frear a mudança climática implica modificar o atual modelo de produção, distribuição e consumo. Os retoques superficiais e cosméticos não valem. As soluções a crise ecológica passam por tocar os cimentos do atual sistema capitalista. Se queremos que o clima mude, é necessário mudar o sistema. Daí a necessidade de ter uma verdadeira perspectiva eco-socialista, ou eco-comunista como assinalava Daniel Bensaid em um de seus últimos artigos.

Assim mesmo, se deve combater as teses do neo-malthusianismo verde que culpabilizam os países do sul por suas altas taxas de população e que buscam controlar o corpo das mulheres, impedindo o direito a decidir sobre nosso corpo. Lutar contra a mudança climática implica enfrentar a pobreza: a maior desigualdade social, mais vulnerabilidade climática. É necessário reconverter setores produtivos com graves impactos sociais e ambientais ( indústria militar, automobilística, extrativistas, etc…), criando emprego em setores sociais e ecologicamente justos como a agricultura ecológica, serviços públicos( sanitários, educativos, transporte), entre outros.

Acabar com a mudança climática implica apostar pelo direito dos povos a soberania alimentar. O modelo agroindustrial atual(deslocalizado, intensivo, quilométrico. Petro-dependente) é um dos máximos geradores de gases de efeito estufa. Apostar por uma agricultura ecológica, local e camponesa e por circuitos curtos de comercialização permitem, como diz a Via Campesina, esfriar o planeta. Assim mesmo, há que integrar as demandas dos povos originários, o controle de suas terras e bens naturais, e sua cosmovisão e respeito a “Pachamama”, a “mãe terra”, e a defesa do “bem viver”. Valorizar estas contribuições que propõe um novo tipo de relação entre humanidade e natureza é chave para enfrentar a mudança climática e a mercantilização da vida e do planeta.

Desde uma perspectiva Norte-Sul, justiça climática implica a anulação incondicional da dívida externa dos países do Sul, uma dívida ilegal e ilegítima, y reivindicar o reconhecimento de uma dívida social, histórica e ecológica do Norte em relação ao sul resultado de séculos de espólio e exploração. Em casos de catástrofe, é necessário promover mecanismos de “ auxílio popular”. Temos visto como a mudança climática aumenta a vulnerabilidade dos setores populares especialmente nos países do Sul. Os terremotos no Haiti e Chile são dois dos casos mais recentes. Frente a estas ameaças são necessárias redes de solidariedade internacional de movimentos sociais de base que permitam uma canalização da ajuda imediata e efetiva das populações locais. A iniciativa não pode ficar nas mãos de um “ humanitarismo” internacional vazio de conteúdo político.

A luta contra a mudança climática passa por combater o atual modelo de produção industrial, deslocalizado, “just on time”, massivo, dependente de recursos fósseis, etc… As burocracias sindicais seguem e legitimam as políticas do “capitalismo verde” com a farsa de que as “tecnologias verdes” criam emprego e geram maior prosperidade. É necessário desmontar este mito. A esquerda sindical deve colocar em xeque o atual modelo de crescimento sem limites, apostando em outro modelo de “desenvolvimento” que esteja em consonância com os recursos finitos do planeta. As reivindicações ecologistas e contra as mudanças climáticas tem que ser um eixo central do sindicalismo combativo. Os sindicalistas não podem ver os ecologistas como seus inimigos e vice-versa. Todas e todos sofremos as consequências das mudanças climáticas e é necessário que atuamos coletivamente.

É falso pensar que podemos combater as mudanças climáticas só a partir da mudança de atitudes individuais, e ainda mais quando a metade da população mundial vive no “subconsumo crônico”, e também é falso pensar que podemos lutar contra a mudança climática somente com respostas tecnológicas e científicas. São necessárias mudanças estruturais nos modelos de produção de bens, de energia, etc… Nesta direção, as iniciativas que desde o local propõe alternativas práticas ao modelo dominante de consumo, produção, energético… têm um efeito demonstração e de conscientização que é fundamental apoiar.

Por sua natureza, falar de como enfrentar a mudança climática implica discutir estratégia, auto-organização, planificação e as tarefas que, aqueles e aquelas que como nós se consideram anticapitalistas, temos pela frente.

Síntese da intervenção de Esther Vivas no 16º Congresso Mundial da 4ª Internacional em Newport, Bélgica, março 2010. Tradução de Paulo Marques para www.brasilautogestionario.org

quarta-feira, 24 de março de 2010

Entrevista de Tica Moreno para Viomundo

Por Conceição Oliveira


A violência contra as mulheres deve ser entendida como uma questão política, social e cultural. Feminicídio, o extremo desta violência, é um termo político utilizado para designar o crime cometido por um homem contra uma mulher a quem considera de sua propriedade e na maioria dos casos ele é praticado por homens que têm vínculo familiar ou afetivo com a vítima.

Feminicídio é um grave problema na América Latina. De acordo com dados do Observatório Cidadão do Feminicídio mexicano, só em 2009, no México, ocorreram 529 assassinatos de mulheres em oito estados daquele país, enquanto dados registrados pela Procuradoria de Direitos Humanos da Guatemala informa que 720 mulheres foram assassinadas e para o mesmo ano em El Salvador 579 mulheres, de acordo com o Instituto de Medicina Legal que registra ainda para os meses de janeiro e fevereiro de 2010, 40 mulheres assassinadas.

As líderes hondurenhas denunciam que após o golpe em Honduras a violência contra a mulher aumentou, e o estupro empreendido por militares virou arma contra a resistência. Lá, de acordo com o Centro de Estatística da Suprema Corte de Justiça, 405 mulheres foram assassinadas em 2009.

Na Nicarágua feministas da rede Mulheres Contra a Violência denunciam o mesmo grau de violência. Na Argentina 231 mulheres e meninas foram mortas de acordo com Relatório de Investigação sobre Femicídios na Argentina para o ano de 2009 (Dados: Adital/ Feminicídio)

E no Brasil? Qual é a nossa realidade? Existem estatísticas de feminicídio? A Lei 11340/2006 aprovada em 2006, mais conhecida Lei Maria da Penha, representou diminuição nas estatísticas do assassinato de mulheres pelos seus companheiros?

Entre 8 e 18 de março ocorreu, também no Brasil, a Marcha Mundial das Mulheres, um movimento internacional que tem como uma de suas principais pautas o combate à violência contra a mulher.

Para falar sobre esse movimento e suas causas o Blog da mulher/ Viomundo convidou a socióloga Tica Moreno, integrante da equipe técnica da SOF – Sempreviva Organização Feminista. A SOF é uma ONG que faz parte da coordenação executiva da MMM – Marcha Mundial das Mulheres – e atua com formação feminista e fortalecimento da auto-organização das mulheres e do feminismo nos movimentos sociais. Tica Moreno foi uma das organizadoras da MMM que acaba de ser realizada no Brasil.

Segundo Tica Moreno, no Brasil os dados mais precisos que existem são sobre a violência sexista em geral e violência doméstica, não há dados sistemáticos sobre feminicídio como existem na América Central e outros países da América Latina.

Em relação à Lei Maria da Penha ela avalia:

“Infelizmente ainda não podemos afirmar que no Brasil os números de violência sexista em geral e de assassinatos de mulheres, especificamente, diminuíram. A existência de uma legislação específica – a Lei Maria da Penha – fez com que maior número de mulheres denunciassem os casos de violência. Isso não significa necessariamente um aumento da ocorrência da violência, mas maior procura pelo atendimento. A nossa avaliação é que a Lei é um instrumento importante no combate à violência contra as mulheres, mas que é necessária uma transformação profunda nas relações entre homens e mulheres para que possamos erradicar esta violência. Por isso temos denunciado a violência sexista como um pilar da sociedade patriarcal, que tem raiz no machismo e na misoginia, e buscamos apontar todas as suas expressões, seja a violência física e sexual, o assédio ou a exploração na indústria da prostituição e do tráfico de mulheres.

Para acabar com a violência contra as mulheres é preciso por um lado, uma atuação concreta dos governos e do Judiciário na prevenção da violência e punição aos agressores e, por outro, alterações concretas na vida das mulheres, com a garantia de autonomia. Nada justifica a violência sexista e, enquanto uma mulher for vítima de violência, estaremos em marcha.”


Viomundo: O que é a Marcha das Mulheres, há quanto tempo ela existe?

Tica Moreno: A Marcha Mundial das Mulheres (MMM) é um movimento feminista internacional, que teve início em 2000, em uma campanha que reuniu mais de 5 mil grupos de mulheres de 159 países e territórios em uma ação comum contra a pobreza e a violência sexista. Esta ação teve como característica trazer o feminismo popular e militante de volta às ruas, o que impulsionou as mulheres a dar continuidade a Marcha não como uma campanha, mas como um movimento permanente.

Viomundo: Faça um balanço do movimento MMM durante a sua primeira década de existência.

Tica Moreno: Nesses 10 anos, muita coisa aconteceu. A MMM se consolidou como um movimento, com coordenações nacionais organizadas e articulação de lutas em nível local, nacional e internacional. No Brasil, por exemplo, a cada ano temos mais estados envolvidos na construção cotidiana da Marcha, e nesta ação de 8 a 18 de março tivemos a presença de mulheres de todos os estados.

A proposta de realizar uma verdadeira marcha surgiu em nível internacional, inspirada na Marcha Pão e Rosas*, realizada em 1995 pelas mulheres do Quebec (que depois, em 2000, foram as impulsionadoras da MMM). Esta foi uma proposta de formato para a nossa 3a ação internacional (realizamos uma a cada 5 anos), e dividimos esta ação em 2 períodos, de 8 a 18 de março, e de 7 a 17 de outubro (por questões climáticas inclusive, em vários países esse primeiro período é marcado por muita neve e fica impossível marchar). Este ano a ação foi realizada em pelo menos 51 países, em formato de marchas simultâneas, manifestações em diversas cidades, algumas foram passando em cidades de trem, como no Paquistão.

Viomundo: E como a Marcha Mundial das Mulheres é realizada aqui no Brasil, como é possível organizar a participação de milhares de mulheres durante tantos dias em marcha?

Tica Moreno: Nós aqui no Brasil logo nos animamos a construir esta marcha de 10 dias (na verdade 10 noites e 11 dias) e começamos a nos organizar ano passado. Toda a Marcha foi construída por mulheres organizadas em equipes: infra-estrutura, distribuição de água, saúde, comunicação, formação e cultura, cozinha, segurança. A marcha saiu de Campinas e chegou em São Paulo, passando por Valinhos, Vinhedo, Louveira, Jundiaí, Várzea Paulista, Cajamar, Jordanésia, Perus e Osasco. A equipe de cozinha ficou em Cajamar, e preparavam todos os dias a comida, que viajava em caminhões para o almoço e jantar.

Viomundo: Quem participa da marcha, que grupos de mulheres, entidades?

Tica Moreno: Participaram da marcha mulheres jovens, indígenas, negras, rurais, urbanas, lésbicas, sindicalistas unidas com o mesmo objetivo de mudar o mundo para mudar a vida das mulheres em um só movimento. Com relação às entidades, participaram da organização as mulheres da CUT e da Contag, que são parte da coordenação nacional da MMM no Brasil, e mulheres de movimentos parceiros, como o MST, a UNE e o MMC.

Viomundo: Quais são as principais lutas das mulheres brasileiras representadas na MMM?

Tica Moreno: Nossa plataforma foi construída a partir dos campos de ação da marcha internacional (violência contra as mulheres; paz e desmilitarização; bens comuns e serviços públicos; trabalho e autonomia econômica), que aqui no Brasil se traduziram em questões que dialogam com a realidade das mulheres brasileiras, como a necessidade de garantir creches publicas, a descriminalização do aborto, a reivindicação de que o judiciário tenha outra postura frente à violência contra as mulheres, o combate à mercantilização de nossos corpos seja na publicidade ou no tráfico de mulheres e prostituição. (a plataforma tá no site www.sof.org.br/acao2010).

Viomundo: Tica, você que participou ativamente da Marcha, além do preparo físico extremamente necessário, quais foram as suas impressões?

Tica Moreno: Os 10 dias foram difíceis, mas demonstraram a força das mulheres organizadas.
Todas as mulheres tiveram que vencer o desafio de caminhar entre 8 e 14 quilômetros por dia, participar da formação feminista, contribuir com a organização do alojamento, a limpeza da cozinha, além de ter sido um momento de intenso intercambio de experiências de vida, luta e sonhos entre as mulheres de todo o Brasil.
A recepção das mulheres nas cidades foi muito positiva, muitas mulheres aplaudiam, cantavam as músicas juntas, liam atentamente nosso jornal. Nosso objetivo é que em cada uma dessa cidade a MMM continue a ser organizada com estas mulheres. Claro que vez ou outra um ou outro motorista de carro chique na estrada, ou na rua mesmo, dizia que tínhamos que ir trabalhar, mas todas as mulheres respondiam com nossas palavras de ordem (tipo: “João, João, cozinha o seu feijão”).

Enfim, afirmamos nestes dias o nosso lema internacional, de que “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, e demonstramos na prática que o feminismo ainda é necessário e que estamos construindo a cada dia um feminismo popular, de todas as mulheres para conquistar liberdade, igualdade e autonomia.

Viomundo: Este ano teremos ao menos duas mulheres disputando as eleições presidenciais. Sabemos que o movimento feminista não é essencialista, mas o que tem de positivo nesta disputa, o que se cobrará destas candidatas?

Tica Moreno: A gente sempre afirma que a participação das mulheres na política é fundamental para efetivar políticas que alterem a vida das mulheres, mas que é preciso que estas mulheres na política estejam comprometidas com esta pauta feminista. E que as políticas para as mulheres não são isoladas, mas parte de um projeto global. Por isso, não votamos em qualquer mulher só por ser mulher, votamos em um projeto político que tenha como orientação o combate a todas as formas de desigualdade e a construção de uma sociedade mais justa.

Nota do Viomundo: Marcha Pão e Rosas*: Em 1995, 850 mulheres caminharam cerca de 200 quilômetros de Quebec a Montreal lutando contra a pobreza e o sexismo e foram recebidas por mais de 15 mil pessoas em frente à Assembléia Nacional.

domingo, 21 de março de 2010

Mulheres brasileiras encerram a Marcha em alto astral


Mulheres brasileiras encerram Marcha em alto astral!

sábado 20 de março de 2010

Muitos duvidaram que a MMM, no Brasil, conseguiria concluir sua parte na Ação Internacional 2010! Por isso, a vitória foi comemorada com abraços, sorrisos, lágrimas e cantos de luta, no ato de encerramento em 18 de março. Não adiantou a tentativa de frustar a festa, encomendada pela burguesia do Pacaembú, elas prometem continuar marchando!

Terezinha Vicente Ferreira

10 anos de Marcha Mundial das Mulheres (MMM) marcados com uma caminhada que ultrapassou os 100km! 100 anos do 8 de março, “comemorados de forma digna e realmente de luta!” festejou Nalu Faria, da Coordenação, no ato político de encerramento da Ação Internacional 2010 da MMM, no final da tarde desta quinta-feira, 18 de março. “Assim como as companheiras russas deram início à revolução de 1917, queremos caminhar para um processo revolucionário em nosso país!”

“No batuque do tambor (tum tum tum) a revolta social (tum tum tum) nós somos as mulheres (tum tum tum) da Marcha Mundial!”

Batucavam os tambores da Fuzarca Feminista, acompanhados pelo grande coro feminino, das mais de 2 mil mulheres que chegaram à Praça Charles Miller, no Pacaembú, depois de 10 dias caminhando, convivendo, aprendendo, numa experiência única e inesquecível, conforme diversos depoimentos. Lá estavam para nos receber, representações de outros movimentos que não puderam estar na Marcha, trabalhadoras que não puderam acompanhar suas companheiras na contundente atividade. A recepçao emocionante e emocionada, se deu também na estação Barra Funda, da CPTM, por onde desembarcou o formigueiro de mulheres aqui em São Paulo - no único trecho em que não caminhou a pé, vindas da estação Osasco, última cidade por onde passou a Marcha.

“Contra a pobreza e a opressão (tum tum tum) do capitalismo patriarcal (tum tum tum) nós vamos provocar uma revolução mundial!”

Fortes críticas ao modelo de exploração capitalista, sustentado pela opressão, racismo, machismo, lesbofobia, apareceram nas falas de todas aquelas mulheres, externadas por Nalu no encerramento. “Já faz mais de 30 anos que o movimento de mulheres sai às ruas para denunciar a violência contra as mulheres e a impunidade continua! O judiciário continua defendendo apenas seus interesses e os da elite. Não suportamos mais a hipocrisia em relação ao aborto!”

“Se o papa fosse mulher O aborto seria legal! Seria legal e seguro, Seria legal e seguro!”

Bernardete Monteiro, coordenadora da MMM em MG, havia lembrado da dificuldade de muitas mulheres em lutar “até que todas sejamos livres”, eixo central desta ação. A maioria teve que pactuar na familia e no trabalho para se libertar por alguns dias do seu cotidiano e viver essa rica experiência. Olga, da Bahia, falou pelas mulheres indígenas; Kika Bessen, de SP, pelo movimento de mulheres negras, dedicando sua fala às que partiram recentemente. “A luta das mulheres negras seguira junto com a MMM, pois nossos direitos não estão garantidos nem aqui, nem em boa parte do mundo”.

“A violência contra a mulher, não é o mundo que a gente quer”.

“Não sabendo que era impossível, elas foram e fizeram!”, festejou Cinthia Abreu (LBL-SP), falando sobre as reivindicações antigas das lésbicas, e sobre a diversidade presente na marcha. Mulheres guerreiras, libertárias, foram saudadas também por Etelvina Magioli, representando o MST e a Via Campesina, que lembrou a importância da segurança alimentar e a luta contra a criminalização dos movimentos sociais. Falaram ainda no encerramento outras lideranças feministas, como Fabíola, da UNE, Rosane Silva (CUT) e Carmem Foro, da Contag.

Liminar para estragar a festa

Claro que a MMM provocou a ira da burguesia de São Paulo, incluindo muitas famílias paulistas com belas casas em Valinhos e Vinhedo, por onde iniciamos a Marcha. Por todo o trajeto, recebemos saudações e aplausos; entretanto, a comissão de segurança teve muito trabalho com os carros que tentavam furar o formigueiro de mulheres, e com os xingamentos de muitos homens. Mas nada comparável ao trecho que marchamos na Av. Pacaembú, onde a violência se mostrou bem maior. Ao contrário das demais cidades, aqui não tivemos o auxílio da CET, apenas dos soldados da PM.

“Pisa ligeiro, pisa ligeiro, Quem não pode com as mulheres não atiça o formigueiro!”

Ao chegarmos, soubemos que a Associação Viva Pacaembú entrara com pedido na justiça, tentando impedir o ato de encerramento. A associação tem uma liminar da Justiça, desde 2005, que proíbe a realização de espetáculos e shows no estádio. Embora não se tratasse de show algum, da previsão de término ser para as 21h, os ricos moradores daquela região não queriam ouvir os discursos das feministas.

Além dos seus porta-vozes, os barões da mídia comercial, que tentaram ignorar a importante ação das mulheres, a Associação conseguiu impedir a apresentação das três cantoras que encerrariam a comemoração. Ellen Oléria, veio da Bahia para se apresentar em Várzea Paulista - onde fez tremendo sucesso - e todas queríamos ouví-la novamente. Assim como ela, Miriam Maria (SP) e Cátia de França (PB), estas mais conhecidas, são cantoras e feministas militantes, não vendidas aos esquemas comerciais. Mais um desrespeito.

“A nossa luta é todo dia Somos mulheres e não mercadoria. A nossa luta é por respeito Mulher não é só bunda e peito”

Em solidariedade às mulheres do Haiti, as marchantes recolheram contribuição de todas. Foi lembrado ainda, por Nalu Faria, que a Ação 2010 continua em mais de 50 países do mundo, encerrando-se apenas em 17 de outubro, na República Democrática do Congo, na África. “Ao longo destes 10 anos”, disse ela, “temos exercitado este movimento, que existe em todos os continentes. Nossa solidariedade é com as mulheres do mundo inteiro. Enquanto houver uma única mulher oprimida seguiremos marchando!”

Alguns números da Marcha

50 mil copos de água 200 mil litros de água 5 toneladas de legumes 6 toneladas de carne 60 mulheres trabalhando no apoio 100 mulheres na cozinha 200 mulheres trabalhando na limpeza, por revezamento 46 mil quilos de bagagem transportada

Fonte:Ciranda Internacional de Informação Independente

sábado, 20 de março de 2010

É femicídio




Ofensiva contra o machismo!

http://contramachismo.wordpress.com/

Mulher da roça


por Isaura Conte

Por anos, sei fui sombra
Ou do pai, ou do marido
Nem profissão eu tinha
Nem nome reconhecido

As lidas da roça e da casa
Labutas do dia-a-dia
Cuidar dos filhos e idosos
Pra tudo isso eu servia

Me ensinaram a ser boazinha,
Jamais contestar, desobedecer
Chorar a sós pelos cantos
Sem dizer que eu estava a sofrer

Tinha que ser servil,
Mesmo sendo mal tratada
Agradar aos pais e sogros
Fingindo que era amada

Movimento feminista gaúcho fortalecido com a atividade em SP



Somos mulheres libertárias,feministas revolucionárias!

Com estas palavras de ordem cerca de 500 mulheres aguardavam as mais de 3000 mil marchantes que chegavam para o grande ato público de encerramento da primeira etapa da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres na última quinta-feira, 18, na praça Charles Miller, diante do estádio Pacaembu.
Com o tema “Seguiremos em marcha até que sejamos todas livres”, a mobilização construída por diversas entidades celebrou os dez anos da MMM e debateu os eixos que compõem a ação: autonomia econômica das mulheres, o acesso a bens comuns e serviços públicos, a paz e a desmilitarização e o fim da violência contra as mulheres.
Um sentimento de uma missão dura, difícil, mas vencedora - cumprida! As gaúchas estiveram presentes desde o início da atividade com representantes no dia-a-dia da caminhada assim como na bacana tarefa de cozinhar diariamente para mais de duas mil mulheres. E era a delegação dos pampas que levava a faixa de abertura da MMM estampando orgulho por esta luta mundial.
As gurias contam que foi maravilhoso ver, sentir e uma certeza: o movimento feminista não será o mesmo depois desta ação. E para as gaúchas uma promessa: o Rio Grande do Sul também não será o mesmo.

Luciana Borba
Assessoria de Imprensa MMM/RS

http://picasaweb.google.com/cintia.barenho/MulheresEmMovimentoMudamOMundo?authkey=Gv1sRgCOib4Omnkp6vxgE&feat=email#slideshow/5451130766555748946

Marcha Mundial das Mulheres presentes no Forum Social das Missões


Delegações do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai estão mobilizadas para o Encontro da Marcha Mundial de Mulheres, que acontece no Fórum Social Missões, no dia 20 de março, no campus da URI, em Santo Ângelo. Para a terceira edição do evento, o movimento está organizando uma programação especial com conferências e debates, sob o ponto de vista de gênero, além de apresentações culturais. A pré programação, foi fechada em 25 de fevereiro, com lideranças de mulheres das Regiões Fronteira Noroeste e Missõs, é a seguinte: Pela manhã, a MMM integra-se às atividades do Fórum. Às 13h, as mulheres reúnem-se no gramado do campus da URI para coser a tradicional colcha de retalhos, que é símbolo da Marcha Mundial. Às 13h30 as presidentas da CUT Missões, profª. Giselda Diesel; dos Sindicatos dos Comerciários de Ijuí, Rosane Simon e do CPERS, prof. Rejane de Oliveira; além das representantes da Fetag, Elisete Hintz; e do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Isaura Isabel Conte. Claudia Prates, representando a coordenação estadual da MMM RS também está presente. Dando seguimento à programação, as painelistas na conferência apresentarão o tema central da MMM nesta edição do Fórum missioneiro: "O poder das mulheres: Marchando pela soberania”. Às 15h, é a vez do grupo teatral A Turma do Dionísio tomar a frente. Para contribuir com os debates das temáticas da Marcha, o grupo apresenta a peça “Andarilhos”, que trata de liberdade, igualdade e amor. O espetáculo de atores e bonecos é uma comédia para adultos sobre as diferenças culturais entre uma mulher, um soldado e um índio que se encontram na Marcha da Coluna Prestes. Entre a conferência e o espetáculo, deverão ocorrer ainda apresentações de músicos e declamação de poesias com artistas locais. O encerramento oficial do Encontro acontece às 17h.

Local: URI Santo Ângelo - PRÉDIO 13
8h – Atividade Cultural, abertura do ENCONTRO DA MARCHA MUNDIAL DE MULHERES e CONFERÊNCIA VI

Ato público encerra 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil


O fim da caminhada de Campinas a São Paulo representa o fortalecimento da luta feminista e contribui para a integração dos movimentos sociais no país, tendo a solidariedade mundial como um dos valores.

Após onze dias de caminhada desde Campinas, de onde saíram no dia 8 de março, as duas mil militantes da Marcha Mundial das Mulheres chegam nesta quinta-feira (dia 18) a São Paulo, destino final da 3ª Ação Internacional do movimento. Ao todo, três mil mulheres dos 27 estados brasileiros participaram da chamada Ação 2010, que tem quatro eixos de luta: autonomia econômica das mulheres, paz e desmilitarização, pelo fim da violência sexista e pela defesa dos bens comuns e serviços públicos.

As militantes andaram, no total, 116 quilômetros, incluindo as entradas nas cidades de Valinhos, Vinhedo, Louveira, Jundiaí, Várzea Paulista, Cajamar e Osasco, além dos distritos de Jordanésia e Perus. Elas caminhavam pela manhã e, à tarde, realizavam atividades de formação. A de ontem, em Osasco, foi um debate sobre a integração dos povos e o papel do Estado.

“Lutamos pelo aumento do salário mínimo, pela construção de creches públicas de qualidade, pela legalização do aborto. São demandas que se chocam com os valores da sociedade patriarcal, racista e capitalista na qual vivemos. Por isso nossa batalha é árdua, é transformadora, já que o neoliberalismo na década de 1990 conquistou corações e mentes”, analisou Vera Soares, militante da Marcha e do campo da economia solidária.

A luta contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e contra a Organização Mundial do Comércio (OMC) uniu diversos movimentos sociais na resistência ao neoliberalismo. “As mulheres souberam aproveitar bem esse momento para se fortalecerem. A partir daí, ganhou visibilidade o projeto de integração dos povos latino-americanos”, relatou Nalu Farias, da coordenação da Marcha e da Sempreviva Organização Feminista (SOF). Ela lembrou também que na América Latina nasceram conceitos que atualmente reanimam a luta socialista mundial, como soberania alimentar (gestado pelo movimento camponês) e bem viver (fruto dos movimentos sociais da Bolívia e do Equador). “Tivemos a eleição de presidentes de esquerda em vários países da América Latina. Foi um sinal de que as pessoas queriam dar um basta ao neoliberalismo. Representou um avanço, mas também um desafio: obrigou-nos a criar espaços de diálogo com os governos”, avaliou Nalu.

O risco da cooptação dos movimentos sociais e do aparelhamento do Estado foi lembrado respectivamente por Ângela Silva, do movimento de moradia de São José dos Campos (SP), e por Terezinha Vicente Ferreira, da Articulação Mulher e Mídia, ambas militantes da Marcha. “Um exemplo de solidariedade regional foi o Brasil não ter reconhecido o governo golpista de Honduras. Mas eu me pergunto, caso o golpe tivesse sido aqui, se teríamos persistido na resistência a ele, como fez o povo de Honduras. Receio que não, porque a esquerda do Brasil está esfacelada e bastante desacreditada”, lamentou Ângela. “O Estado, tal qual o conhecemos, historicamente foi construído pela imposição. E a disputa para ocupar seus espaços e cargos tem dividido os movimentos sociais brasileiros”, argumentou Terezinha.

Tatiana Berringer, da Assembléia Popular, destacou a importância de fazer frente a este esfacelamento da esquerda e acumular poder popular, a fim de transformar a sociedade. “Acredito que a Marcha Mundial das Mulheres seja um exemplo deste acúmulo”, comemorou a militante. Elaine, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra na Bahia (MST-BA), concordou com a avaliação: “Nós do MST sabemos bem, na pele, como dói dificuldade de integração com a sociedade. A Marcha Mundial das Mulheres cumpre um pouco esse papel de integração dos movimentos”.

Seguiremos em marcha

O lema da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres é “Seguiremos em marcha, até que todas sejamos livres”. Por isso, nem no Brasil, nem nos outros 51 países que realizaram atividades no primeiro período de lutas (de 8 a 18 de março), esta quinta-feira significa um ponto final. No ato público em São Paulo, marcado para às 16h na Praça Charles Miller (ao lado do estádio do Pacaembu), estarão presentes, por exemplo, as bonecas Caminhantes, construídas pelas militantes que participam da Ação 2010. Elas representarão o país no segundo período de lutas, de 7 a 17 de outubro, na República Democrática do Congo.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Encerramento da 3a Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres será nesta quinta, dia 18


A primeira etapa da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres está chegando ao fim. A mulherada encerra a caminhada de Campinas a São Paulo na tarde desta quinta-feira, 18, depois de dez dias de marcha e muitas oficinas de formação.

A atividade foi marcada por diversos momentos de emoção das militantes, como a calorosa recepção feita pelas 70 mulheres que trabalharam na cozinha em Cajamar. O relato de quem estave lá é que o momento emocionou à todas, já que a caminhada diária só foi possível graças aos alimentos produzidos pela companheiras.

As gaúchas da Marcha Mundial das Mulheres relatam que todas as atividades são muito produtivas, já que a troca de experiências fortalece a militância e a luta, que deve ser permanente, mas que em 2010 prevê uma extensa agenda.

Por onde passam as marchantes contam que são muito bem recebidas e, a cada dia, mais e mais paulistas se somam ao percurso. Somente hoje mais de 50 gaúchas se somaram a atividade, que culminará com um ato no final da tarde de quinta-feira, 18, em São Paulo, no estádio Pacaembu.

No retorno das companheiras ao sul faremos um bate-papo mais detalhado para contar os bastidores da Ação, além de uma avaliação dos dez dias de atividades.

Luciana Borba
Assessora de Imprensa
93515123

Marcha Mundial das Mulheres completa dez dias na estrada



As duas mil militantes chegaram a Osasco, onde debaterão a integração dos povos e o papel do Estado na transformação da vida das mulheres (e, em última instância, do mundo).
Esta quarta-feira (dia 17) é o décimo dia da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil, véspera da chegada a São Paulo e do encerramento com ato público na Praça Charles Miller. Hoje, chegaram a Osasco as duas mil militantes que no dia 8 de março iniciaram em Campinas a grande caminhada de luta e formação. Elas saíram às 6h da manhã do Centro Santa Fé, em Perus, no quilômetro 26 da rodovia Anhanguera, e durante quase cinco horas marcharam 14 quilômetros.Nos dez dias de caminhada, as militantes já percorreram um total de 108 quilômetros. Desta vez, quem puxou a Marcha foi a delegação de Minas Gerais, que inovou na mística de mobilização. Funcionando como comissão de frente, o grupo de teatro mineiro Obscenas fez uma performance em memória das mulheres brasileiras violentadas e assassinadas. À medida que a Marcha vai se aproximando da capital paulista, centro do capitalismo brasileiro, cresce a interação crítica com seu entorno. De Perus a Osasco, as duas mil militantes, vindas de todos os estados brasileiros, passaram na frente do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e do Centro de Distribuição do Grupo Pão de Açúcar. No primeiro, entoaram palavras e cantos de protesto contra a mercantilização do corpo das mulheres e a criminalização dos movimentos sociais, promovida pela mídia comercial brasileira. No segundo, as vaias contra o empresário Antônio Ermírio de Moraes (dono do Grupo Pão de Açúcar) tiveram como pano de fundo a luta por soberania alimentar e pelo fortalecimento da agricultura camponesa e familiar.Nesta tarde, no Sindicato dos Metalúrgicos, local do alojamento em Osasco, a Marcha fará um debate aberto sobre “integração dos povos como alternativa e o papel do Estado”. Em pauta, uma avaliação dos avanços, limites e desafios para as políticas públicas no Brasil e em nível regional. Amanhã, às 13h, as caminhantes partem com destino ao estádio do Pacaembu, em São Paulo, na frente do qual acontecerá um grande ato público de encerramento desta Ação 2010.Paz e desmilitarizaçãoAinda no Centro Santa Fé, ontem à tarde, a Marcha Mundial das Mulheres debateu paz e desmilitarização. A presença da médica cubana Aleida Guevara, filha do revolucionário cubano Che Guevara, emocionou as militantes, algumas das quais incorporaram o papel de verdadeiras tietes. “É bom estar aqui e conhecer pessoas bem preparadas para a luta, que buscam soluções para os seus problemas”, declarou a militante cubana, agradecendo a acolhida calorosa.A maioria dos intelectuais cubanos é composta por mulheres. Elas representam, por exemplo, 63,8% dos médicos gerais e 65% dos graduados em nível superior. Em Cuba, o aborto é legalizado e a licença maternidade dura 12 meses, podendo ser dividida entre a mãe e o pai. “Eu nasci em um país socialista, onde a mulher é tratada com respeito e igualdade de direitos”, comemorou Aleida. “Não podemos dar receitas, nem dizer o que vocês precisam fazer. Mas podemos mostrar nossa realidade e dizer que, se um país pequeno e pobre como o nosso conseguiu, o Brasil também consegue”, incentivou a cubana. Um dos itens da plataforma de reivindicações da Marcha Mundial das Mulheres é a retirada das missões militares da Organização das Nações Unidas (ONU) do Haiti e da República Democrática do Congo. “A presença militar da ONU deve ser emergencial e rápida. No Congo, as tropas já estão há dez anos, provocando inflação com os salários em dólares dos soldados. O caminho para a paz passa necessariamente pela autodeterminação das mulheres e pela soberania dos povos”, defendeu Miriam Nobre, coordenadora internacional da Marcha.

Conheça o trajeto Exibir mapa ampliado

Galeria de Fotos

terça-feira, 16 de março de 2010

Maternidade deve ser opção, não destino imposto


O debate sobre a legalização e descriminalização do aborto agitou as duas mil militantes da Marcha Mundial das Mulheres. Nesta terça-feira, elas receberão em Perus a médica cubana Aleida Guevara.


A legalização e descriminalização do aborto foram as bandeiras de luta da Marcha Mundial das Mulheres destacadas nesta segunda-feira (15). Em Jordanésia, distrito de Cajamar, as duas mil militantes que estão caminhando de Campinas a São Paulo debateram das 18h às 21h o tema “Maternidade como opção, não como destino”.A atividade de formação começou com uma dinâmica apelidada de cochicho. Em grupos, as mulheres conversaram durante 20 minutos a partir de três perguntas provocadoras: Como elas vivem a maternidade (e/ou a possibilidade de engravidar)? Como encaram o aborto? Como têm acesso a métodos de prevenção da gravidez? A seguir, as primeiras dez inscritas sintetizaram para a plenária a discussão do grupo no qual estavam. Os primeiros relatos foram bem duros. “Aborto é crime. Sou totalmente contra”, sentenciou a militante Luciene, de Monte Alegre (MG). Diva, de Teresina (PI) mostrou-se um pouco mais flexível: “Sou a favor nos casos previstos em lei: quando a mulher foi estuprada ou corre risco de vida”. “Cadê o homem que engravidou? Por que o crime é da mulher que abortou?”, cantaram várias militantes presentes no debate, a este momento bastante acalorado. “A gente sabe que tem muita gente que se diz contra já abortou, mas não admite. Tem clínica clandestina de primeiro mundo na Raposo Tavares [rodovia paulista], atrás de uma borracharia, custa R$ 6 mil reais para interromper a gravidez”, declarou Vanda, militante da Marcha em São Paulo. “Quem tem dinheiro, faz aborto com segurança. Quem não tem, corre risco de vida”, concordou a amazonense Maiara. “A Marcha Mundial das Mulheres é provocativa, nos faz discutir um tema tabu na sociedade, indo além da posição do favorável ou contrária. O aborto é uma questão de saúde pública”, opinou a militante Izalene, que já foi prefeita de Campinas (SP). “Diante de uma gravidez, para qualquer opção (aborto ou maternidade), deve haver políticas públicas que garantam os direitos das mulheres a uma vida digna”, ponderou a mineira Ana Paula. Após as dez falas iniciais da plenária, houve uma rápida exposição de três palestrantes: Tatau Godinho, da diretoria da SempreViva Organização Feminista (SOF), Ana Carolina Pieretti, médica ginecologista e militante da Consulta Popular, e Fabíola Paulino, diretora de mulheres da União Nacional dos Estudantes. Tatau abriu essas falas mais gerais esclarecendo que a Marcha Mundial das Mulheres não propõe que o aborto seja um método anticoncepcional. Ela também desmistificou a idéia de que são as mulheres jovens, desinformadas e irresponsáveis que praticam aborto. “Como o aborto é criminalizado, há poucos dados sobre sua prática. Mas até onde a gente saiba, a maioria das mulheres que abortam são casadas e já têm filhos”, contou a diretora da SOF.“Ter filho é a única decisão da nossa vida da qual a gente não pode voltar atrás. Então a maternidade é algo sério, que não pode ser tratado de forma automática”, alertou Tatau. “Quando dizemos que consideramos o aborto um crime, precisamos parar e refletir o que isso significa. Queremos que as mulheres que abortaram sejam julgadas, condenadas e presas? E por que só elas e não os homens que as engravidaram?”, provocou a militante da SOF.A médica ginecologista Ana Carolina trabalha em um posto do Programa de Saúde da Família (PSF) na comunidade de Pium, no interior do Rio Grande do Norte. “O posto onde atuo cobre uma área de 2 mil moradores, mas eu só recebo uma pílula do dia seguinte por mês. Também não tenho injeções de hormônio nem pílulas anticoncepcionais suficientes para todas as interessadas que me procuram. E lá muitas mulheres só conseguem que o homem use preservativo, no máximo, em relações extraconjugais”, revelou Carol, como é conhecida. Descriminalizar o aborto e oferecer métodos seguros de se interromper a gravidez na rede pública de saúde evitaria a morte de milhares de brasileiras, todos os anos. De acordo com Carol, entre 1986 e 1991, quando o remédio Citotec (para úlcera) foi vendido livremente nas farmácias do Brasil, suas vendas triplicaram e o número de mulheres que adoeceram e decorreram em função do aborto caiu. Quando a venda do Citotec foi proibida, em função de seu uso como abortivo, as mortes resultantes do aborto aumentaram em cerca de 50%. Carol também explicitou o preconceito de gênero presente nesta discussão: “Os homens jovens vivenciam 2,5 vezes mais a experiência do aborto, em média, em suas vidas, do que as mulheres. Mas a indústria farmacêutica, para eles, faz o Viagra. E para as mulheres, anticoncepcional”. A fala de Fabíola, da UNE, foi na mesma direção: “Falar de maternidade é falar de sexualidade. A mulher jovem tem direito de viver livremente sua sexualidade, sem repressão”.
Maternidade deve ser opção, não destino imposto
Hoje (dia 16), a Marcha Mundial das Mulheres chegou ao Km 26 da rodovia Anhanguera, no Centro Santa Fé, em Perus, onde à tarde haverá um debate sobre paz e desmilitarização. A atividade contará com a presença ilustre da médica cubana Aleida Guevara, filha do revolucionário Che Guevara. A caminhada de Jordanésia a Perus durou pouco mais de quatro horas, das 6h10 às 10h25. Este foi o tempo no qual as duas mil militantes percorreram os 14,6 quilômetros que separam o Boiódromo, o alojamento anterior, do Centro Santa Fé, local do próximo pernoite. Quem puxou a Marcha nesta terça-feira foram as delegações da Paraíba, Goiás e Mato Grosso do Sul. Amanhã, as caminhantes andarão mais 13 quilômetros até Osasco, última parada antes do destino final, em São Paulo.


Assista o video, onde as militantes da MMM cantam uma musica que fizeram sobre o tema: http://www.youtube.com/watch?v=_LV0qyvy9aY

segunda-feira, 15 de março de 2010

Marcha Mundial das Mulheres completa uma semana na estrada

Caminhada de Campinas a São Paulo completa uma semana. As duas mil militantes debatem nesta tarde a legalização do aborto.

Já faz exatamente uma semana desde que as duas mil militantes da Marcha Mundial das Mulheres saíram de Campinas, no dia 8 de março, rumo a São Paulo, onde chegarão no próximo dia 18. Nesta segunda-feira (dia 15), elas saíram da Cooperinca, no Km 46,5 da rodovia Anhanguera, duas horas mais tarde do que de costume, às 8h. Ainda assim, conseguiram chegar ao Boiódromo de Jordanésia, distrito de Cajamar, às 10h, percorrendo pouco mais de 8 quilômetros. O atraso aconteceu por causa da chuva: depois de sete dias de caminhada sob um sol inclemente, as militantes enfim estrearam as capas de chuva distribuídas no primeiro dia de Marcha.

Pode chover, pode molhar!

A nossa Marcha não vai parar!

Quem puxou a Marcha hoje foi a delegação do Pará. Na chegada ao Boiódromo, o show ficou por conta da delegação do estado vizinho, Maranhão, que apresentou danças de ritmo afro. De início, as mulheres do movimento negro, algumas delas quilombolas, dançaram quadrilha. Em seguida, tambor de criola, dança oficialmente reconhecida como patrimônio histórico imaterial. Logo depois, veio a pajelança, marcada pelo batuque de terreiro e, por fim, o bumba-meu-boi. “Nós fazemos questão de mostrar nossa cultura às mulheres daqui, que vêm de todos os estados do Brasil, porque no Maranhão ela não está sendo valorizada”, contou a militante maranhense Maria Tereza Bittencourt.

Nesta tarde, das 16h às 19h, haverá um debate sobre maternidade como opção e não como destino, no Boiódromo, onde as caminhantes acamparão. No acampamento anterior, na Cooperinca, onde trabalha a comissão de cozinha, a artista Biba Rigo concluirá a oficina de confecção de vestidos para as Caminhantes, iniciada na tarde anterior. As Caminhantes são duas bonecas de Olinda que em outubro acompanharão a delegação brasileira que irá a Kivu do Sul, na República Democrática do Congo, participar do encerramento da 3ª. Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres.

Amanhã, as militantes seguem cedo para Perus. Têm pela frente 15 quilômetros de trajeto . O esforço será recompensado por um debate sobre paz e desmilitarização, com a presença da médica cubana Aleida Guvera, filha do revolucionário Che Guevara.

Fonte: www.sof.org.br/acao2010


domingo, 14 de março de 2010

A cozinha é o coração, sem a comida não tem revolução!

















Caminhantes da Marcha Mundial das Mulheres encontram-se com as militantes da comissão de a cozinha


Neste fim-de-semana, atividades de formação cultural marcam a agenda da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil.

Neste domingo (dia 14), no sétimo dia da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, as duas mil caminhantes que saíram de Campinas na segunda-feira (8 de março) enfim se encontraram com as 75 militantes que trabalham fixas na Comissão de Cozinha, preparando suas refeições. Foi um reencontro animado, na Cooperinca, em Cajamar, no Km 46,5 da rodovia Anhanguera, após andarem cerca de 10 quilômetros desde Várzea Paulista.

A tarde e a noite anteriores, em Várzea Paulista, já tinham sido marcadas pelo clima de festa, com lançamento de livro e show da cantora Leci Brandão. A publicação As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres, de autoria da historiadora espanhola Ana Isabel Álvarez González, recupera o sentido político do 8 de março, principal data da agenda feminista. Em 2010, quando o Dia Internacional de Luta das Mulheres está completando 100 anos e o mercado tenta transformá-lo em mais uma ocasião para vender produtos, o ato público reforçou as raízes socialistas desta data de lutas.

É comum a crença de que a origem do 8 de março está ligada a um incêndio de uma fábrica têxtil nos Estados Unidos, no qual muitas operárias morreram queimadas. Esta tragédia infelizmente aconteceu de fato, mas o Dia Internacional de Luta das Mulheres surgiu antes dela. Ele nasceu em 1910, na Segunda Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada na Dinamarca. O direito ao voto era, então, a principal reivindicação das mulheres em grande parte do mundo. As militantes socialistas nos Estados Unidos, por exemplo, já haviam organizado um dia de mobilização pelo voto em anos anteriores. Foi essa data que serviu de inspiração para que as mulheres reunidas na Europa aprovassem a proposta de um dia de luta unificado internacionalmente.

Entre 1911 e 1920, as comemorações do Dia Internacional de Luta das Mulheres ocorreram em dias diferentes a cada ano, variando também em cada país. Foram as manifestações das mulheres na Rússia, no dia 8 de março de 1917 (dia 23 de fevereiro, segundo o antigo calendário russo) que motivaram a adoção da data para comemoração unificada, alguns anos depois. Pouca gente sabe, mas a greve das operárias russas e seus protestos contra a falta de alimentos foram fundamentais para dar início à Revolução Socialista de 1917, da qual surgiu a já extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Cultura como ação política

Nesta tarde de domingo, as militantes da Marcha Mundial das Mulheres debaterão a luta contra a violência sexista, com painéis temáticos sobre: a violência doméstica e sexual e as políticas de erradicação dela; o tráfico de mulheres e a migração; e os processos de luta dos movimentos sociais contra a violência sexista. A programação inclui ainda oficina de Wen-do, as práticas feministas de autodefesa e uma oficina para a confecção de vestidos, com a artista Biba Rigo, autora do desenho presente nas camisas, cartazes e adesivos da 3ª Ação Internacional no Brasil.

Quem pensou que a oficina é para costurar vestidos comuns, enganou-se. Orientadas por Biba, as militantes confeccionarão roupas gigantes, que serão usados por duas grandes bonecas apelidadas carinhosamente de Caminhantes. São como bonecas de Olinda, que em outubro seguirão para Kivu do Sul, no Congo, para representar o Brasil no encerramento da 3ª Ação Internacional, em um encontro de feministas do mundo inteiro.

As atividades de formação culturais do domingo não param por aí. À noite, além da exibição de fotos e vídeos da primeira semana da caminhada entre Campinas e São Paulo, haverá apresentação da Kiwi Companhia de Teatro. O grupo mostrará trechos do processo de pesquisa da peça Carne, que trata da opressão capitalista e patriarcal. Amanhã, as militantes seguem cedo para Jordanésia.

Fonte: www.sof.org.br/acao2010

Veja as fotos em: http://picasaweb.google.com/MarchaMundialdasMulheresRS/8DeMarco2010#5447842777513164642

Siga-nos: http://twitter.com/MMMRS

Veja o video:

http://www.youtube.com/watch?v=pankU18rNZ0

sexta-feira, 12 de março de 2010

A marcha e o pampa gaúcho...



A mulherada gaúcha anda pensando que está no RS. Os relatos vindos diretamente das estradas paulistas contam que as paisagens são muito parecidas com o nosso pampa. Desde o dia 9 de março mais de duas mil militantes da MMM marcham mais de dez quilômetros por dia.

Mulheres de todos os cantos do Brasil participam da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, que acontece também em países de todos os continentes.

O mais bacana é ver as nossas gaúchas, algumas que inclusive militam há pouco tempo na MMM, participarem de uma atividade tão rica e cheia de experiências. Além da caminhada pela manhã, à tarde sempre ocorrem oficinas de formação com todas as delegações.

O tema da Ação: “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, continua mesmo com previsão de chuva para este fim-de-semana. Mas isso, certamente não vai atrapalhar em nada, pois as gurias ganharam um kit chuva. A nossa delegação conta, ainda, com outros acessórios: bandana e chapéu de palha. Equipe prevenida!

As atividades continuam e estaremos aqui alimentando vocês com as informações da marcha.

Luciana Borba
Assessoria de Imprensa da MMM-RS

quinta-feira, 11 de março de 2010

Mulheres do campo e da cidade em marcha


11 de março de 2010

Entre os dias 8 e 18 de março, a Marcha Mundial das Mulheres organiza sua 3ª Ação Internacional no Brasil. Neste período, 3 mil mulheres de todas as regiões do país farão uma caminhada entre dez cidades, de Campinas a São Paulo, para dar visibilidade à luta das mulheres brasileiras e reivindicar mudanças em suas vidas.


A Ação começou no Dia Internacional das Mulheres (8/3), em um grande ato público no Largo do Rosário, no centro de Campinas, e termina em São Paulo, no dia 18, em um ato na Praça Charles Miller.


O lema das mobilizações é “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, e suas reivindicações se baseiam em quatro campos de ação: autonomia econômica das mulheres; bens comuns e serviços públicos; paz e desmilitarização; e violência contra as mulheres.


Cerca de 250 mulheres da Via Campesina participam da atividade.


Assista ao vídeo, que também pode ser visto em http://blip.tv/file/3332315.

Fonte: Movimento das Trabalhadoras Sem Terra
http://www.mst.org.br/node/9306


Jornal da Ação 2010 - 2ª edição



Está no ar o segundo Jornal da Ação 2010 - Nele encontramos o sentido político do nosso movimento e faz um chamamento para que todas as mulheres se junte a esta Ação. Veja o jornal AQUI


Quer saber mais notícias? entre no http://74.207.232.136/mmm2010/noticias/RSS


Seguiremos em Marcha até que Todas sejamos

Veja video: http://sustentabilidadesemapi.blogspot.com/2010/03/dia-internacional-da-mulher-em-busca-da.html

Sarau Erótico Mulher é nesta sexta, dia 12

JOÃO, JOSÉ, ZECA E RAIMUNDO QUE SE CUIDEM!


Marcha Mundial das Mulheres debate trabalho doméstico e de cuidados

“João, João, cozinha o seu feijão. José, José, cozinha se quiser. Zeca, Zeca, lava sua cueca. Raimundo, Raimundo, limpa esse chão imundo”. Essas palavras de ordem ecoaram nesta quarta-feira (dia 10) entre as duas mil militantes da Marcha Mundial das Mulheres que estão fazendo uma caminhada de luta e formação de Campinas a São Paulo. Hoje, elas andaram 14 quilômetros de Valinhos a Vinhedo, sob o sol forte da manhã.

Os gritos de luta chamando João, José, Zeca e Raimundo tratam de forma bem-humorada de um tema discutido pela Marcha Mundial das Mulheres na tarde anterior, no primeiro dia de atividades de formação da 3ª Ação Internacional no Brasil, ainda em Valinhos. As caminhantes se dividiram em quatro rodas de conversa para debater o trabalho doméstico e de cuidados, a partir de quatro questões-guia: como você vê o trabalho doméstico e de cuidados? Como essa realidade de apresenta na casa de cada uma? Mudou algo nesta rotina depois que você começou a participar do movimento feminista? Como imagina que encontrará sua casa quando você retornar após o dia 18?

Sônia, pescadora na Bahia, contou que na beira do rio São Francisco a mulher trabalha muito mais que o homem. “Enquanto ela limpa o peixe, prepara comida, cuida de menino, o marido está na rede dormindo”, afirmou a militante. Para ela, o machismo parece vir de nascença: Sônia ajudou a criar nove irmãos e nenhum deles tinha qualquer participação nos trabalhos domésticos. “Tive sete filhos, mas nunca deixei de fazer nada por causa deles nem do marido, porque eu ganhava meu próprio dinheiro.Quando eu me preparava para sair e meu marido reclamava que estava com dor de cabeça, eu dizia logo para ele tomar um comprimido e pronto. Que mais eu posso fazer? Não sou médica!”, gracejou a pescadora.

Neusa, do Rio Grande do Sul, lembrou que as pessoas tendem a naturalizar a responsabilidade das mulheres pelo trabalho doméstico e pelos cuidados com os familiares, sem perceber que essa obrigação é socialmente imposta. Fabiana, do Rio Grande do Norte, concordou e acrescentou que também, de forma quase inconsciente, muitas mulheres reproduzem a divisão sexual do trabalho na criação dos filhos. A mineira Sueli deu um depoimento que reforçou a triste ironia de a opressão sexista estar arraigada nas próprias oprimidas: ela contou que durante a faculdade, mesmo quando já morava só, tinha dificuldade de passear nos fim-de-semana, porque desde pequena aprendeu que sábado era dia de faxina.

“Além da divisão igualitária do trabalho doméstico entre homens e mulheres, nossa luta é também para que haja mais serviços públicos, como creches gratuitas de qualidade. Assim homens e mulheres poderão trabalhar e estudar”, defendeu Iolanda, militante de São Paulo. Ela afirmou ainda que “não existe libertação individual, toda libertação é coletiva”.
As discussões nos grupos sobre trabalho doméstico e de cuidados, de fato, mostraram que a autonomia das mulheres se fortalece quando o processo de sua conquista é coletivo. Genoveva, militante da Marcha no Rio Grande do Norte, por exemplo, enfrentou opressão do marido logo que eles se casaram. “Ele, que se virava só, deixou de fazer qualquer atividade na casa. Mas eu fui trabalhar fora, entrei para o movimento de mulheres e, aos poucos, a postura dele está mudando. Hoje cedo ele já me telefonou para perguntar como está a Marcha, para demonstrar solidariedade” , alegrou-se a militante.

Marcha na estrada
Nesta segunda manhã de caminhadas, foram as baianas quem puxaram a abertura da Marcha pela rodovia Anhanguera, entre Valinhos e Vinhedo. Com batuques, declamação de poesia e muita música, a delegação da Bahia não se deixou vencer pelo cansaço de enfrentar 14 quilômetros a pé, debaixo de um sol escaldante.

As duas mil mulheres que já estão em Marcha novamente acordaram cedo, às 4h. Tão cedo que alguns vizinhos do Parque da Uva, em Valinhos, incomodaram- se com o barulho do carro de som. Adriana e Leilane, do Rio Grande do Norte, responsáveis pela Rádio da Marcha, foram gentilmente avisadas pela Guarda Municipal de que precisariam interromper a programação até às 6h, quando termina o chamado horário de silêncio. Mas neste horário, conforme o planejado, a Marcha já estava novamente na rua.

Marcha já estava novamente na rua.
Outras mil militantes, até o dia 18, também participarão da caminhada entre Campinas e São Paulo. Nesta tarde, haverá dez painéis temáticos: sobre economia solidária e feminista; saúde da mulher e práticas populares de cuidado; sexualidade, autonomia e liberdade; educação não sexista e não racista; mulheres negras e a luta anti-racista; mulheres indígenas; a mídia contra-hegemô nica e a luta feminista; a mercantilizaçã o do corpo e da vida das mulheres; prostituição; mulheres, arte e cultura. Amanhã, a Marcha irá para Louveira, onde à tarde as militantes debaterão o trabalho das mulheres e autonomia econômica, com a presença da socióloga Helena Hirata.

Mobilização em cinco continentes
Mais de 50 países já confirmaram atos durante o primeiro período de lutas da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres
Não é apenas no Brasil que as militantes feministas realizarão atividades de luta e formação entre os dias 8 e 18 de março. Pelo menos outros 51 países já confirmaram marchas, atos públicos e manifestações diversas neste primeiro período da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres. Entre eles, há representantes dos cinco continentes: das Américas (como Argentina, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, Estados Unidos, Guatemala, Haiti, Honduras, Martinica, México e Peru), da África (como Argélia, Burkina Fasso, Camarões, Quênia, Mali, Marrocos, Moçambique, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, África do Sul e Sudão), da Ásia (como Bangladesh, Coréia do Sul, Filipinas, Ìndia, Japão, Nepal, Paquistão e Sri Lanka), da Oceania (como Nova Caledônia) e da Europa (como Albânia, Bélgica, Espanha, França, Grécia, Itália, Inglaterra, Portugal, Suíça e Turquia).

Na Guatemala, as ações já começaram (em 3 de março) e irão até 21 de março. O calendário de lutas visa recuperar o território das mulheres guatemaltecas, seu corpo e sua terra. Na Inglaterra, a mobilização também se iniciará mais cedo: no dia 6 de março haverá um ato público em Londres com o lema “Vamos por um ponto final na violação das mulheres e na violação da terra”.

Na Bolívia, no Dia Internacional de Luta das Mulheres, 25 organizações ocuparão praças e mercados de Oruro, paralisando a cidade durante 30 minutos. Nas Filipinas, também no 8 de março, haverá manifestações simultâneas contra o militarismo, o sexismo, a Organização Mundial do Comércio e o presidente Arroyo, em 12 pontos estratégicos do arquipélago. No Peru, atividades simultâneas acontecerão no lago Titicaca, Lima, Arequipa, Cusco, Chiclayo, Junín, La Oroya, Cajamarca e Trujillo. No Equador, as militantes da Marcha Mundial das Mulheres lançarão a campanha “Mulheres pelo bem viver”. Já no Haiti, um ato público organizado pela coordenação de grupos de mulheres (CONAP) homenageia as militantes mortas no terremoto, em especial Magalie Marcelin, Myriam Merlet e Anne Marie Coriolan.

Na Índia, o principal dia de luta será o 9 de março, com ato público em defesa dos direitos das trabalhadoras domésticas. No país, elas normalmente trabalham de 14 a 16 horas por dia, são mal remuneradas e estão expostas ao assédio sexual e a outras formas de abuso. A Marcha Mundial de Mulheres está fazendo uma campanha de assinaturas que serão entregues à presidente Pratibha Patil, demandando uma lei nacional de proteção aos direitos das trabalhadoras domésticas.

Na Grécia, o foco dos atos será a crise financeira que assola o país, fruto da má gestão do governo anterior. As funcionárias públicas e aposentadas protestam contra propostas do atual governo de cortar gastos públicos. De 19 a 21 de março, caravanas partirão de quatro cidades gregas (Tessalônica, Serres, Atenas e Patras) em direção à Tirana, na Albânia, onde a Marcha Mundial as Mulheres promoverá uma reunião de organizações feministas na sub-região dos Bálcãs, com a presença de representantes também da Bósnia, Kosovo, Macedônia, Montenegro, Sérvia e România.

No Quênia, Mali, Paquistão, País Basco e Sri Lanka as mulheres também farão marchas. As quenianas terão atividades durante 10 dias de março, em várias comunidades de Nairóbi: entre elas, uma caminhada no dia 13 e uma vigília com apresentações culturais no dia 14 . No Mali, de 8 ao 15 de março, haverá marchas nas seis comunas do distrito de Bamako, protestando contra o fato de o governo ter cedido à pressão de setores fundamentalistas islâmicos e voltado atrás na aprovação de um código de família bastante favorável aos direitos das mulheres. No dia 18, as mulheres de Mali farão outra caminhada no norte do país, região de intenso conflito, pedindo paz e desmilitarização. No Paquistão, flores e tambores acompanharão a caravana de 200 mulheres que vai marchar de 12 a 18 de março, dos distritos de Faisalabad a Lahore, promovendo debates sobre violência, emprego com direitos, fim do extremismo religioso e desmilitarização. No País Basco, as militantes atravessarão o país de 8 a 13 de março, saindo de e voltando a Irún, com paradas e atos em algumas cidades. No Sri Lanka, marchas de seis dias marcarão a luta pelo fim da violência contra as mulheres no país.

www.sof.org.br/acao2010
Fonte: Marcha Mundial das Mulheres

terça-feira, 9 de março de 2010

3 mil mulheres e muito chão pela frente



Mais de tres mil mulheres no primeiro dia de caminhada MMM, que teve início no município de Campinas na manhã de hoje debaixo de forte sol. Serão dez dias de atividades e a infraestrutura ainda está sendo ajustada. Durante a tarde aconteceu reunião da coordenação geral com representantes de cada estado participante. A cozinha está concentrada em Cajamar.
As militantes estão divididas em comissões de cozinha, infra-estrutura, segurança, saúde, comunicação, formação e cultura. As equipes são formadas por mulheres de todos os estados, que também revezarão nas tarefas tipo limpeza de cozinha e banheiros, distribuir água e comida, entre outras.
Atividades culturais e de formação acontecerão em Valinhos, Vinhedo, Louveira, Jundiaí, Cajamar, Jordanésia, Perus e Osasco. Além disso, dois atos públicos ao longo do caminho, em Várzea Paulista e em São Paulo.
Nosso blog estará sendo atualizado diariamente com notícias da equipe de comunicação da delegação gaúcha. Aguarde!
Luciana Borba
Assessoria de Imprensa – MMM/RS
(51)93515123

Veja as fotos da Marcha da Mulheres de Campinas à São Paulo - fotos de João Zinclair: http://ow.ly/1gcA8

Programação da 3ª Ação Internacional




segunda-feira, 8 de março de 2010

“Se a colônia não planta, a cidade não janta”


on 08/03/2010
in Agricultura Familiar, Feminismo

Por Lucio Uberdan – Brasil Autogestionário

Mais de 1600 trabalhadoras rurais reuniram-se ontem para homenagear os 100 anos do 8 de Março. O município de Santo Antônio da Patrulha foi a sede da atividade que reuniu agricultoras de 13 municípios, organizadas pela Regional Sindical Sinos-Serra, com apoio da FETAG/RS, Marcha Mundial de Mulheres e grupo Ecopolis, as agricultoras tiveram um dia de atividade e palestras.
Ainda cedo da manhã as primeiras 700 mulheres marcharam nas ruas principais da conhecida “cidade alta”, defendendo a igualdade nas relações sociais e de trabalho, e com a chamada “terra, água, semente e alimento, essa é a luta do nosso movimento”, as agricultoras tomaram as ruas principais, passando pela frente da prefeitura, rodoviária, igreja (vídeo acima), câmara de vereadores e sindicato.

Leia mais: http://www.brasilautogestionario.org/2010/03/09/%e2%80%9cse-a-colonia-nao-planta-a-cidade-nao-janta%e2%80%9d/



Fotos: Leandro Silva

http://www.sendspace.com/file/jnjly7

Dia Internacional da Mulher: Em busca da memória perdida




ESCRITO POR MALUSIL EM 4 MARÇO 2010

Neste ano de 2010 completam-se 100 anos da criação do Dia Internacional das Mulheres. São muitas as história que se contam a respeito das origens desse dia. E muitas vezes, as confusões, mitos e fantasias sobre suas origens deixaram oculto seu caráter profundamente vinculado à luta das mulheres socialistas.Um pouco da história do Dia Internacional da MulherO Dia Internacional da Mulher, comemorado desde o início do século XX, é uma data que remete a todo um período de lutas por melhores condições de trabalho, diminuição da jornada de trabalho, principalmente das trabalhadoras americanas, pelo direito à educação e ao voto feminino. As trabalhadoras socialistas americanas vinham comemorando um Dia da Mulher para marcar um calendário de lutas.O incêndio que é sempre citado em data errônea e chegou a ser considerado mítico ocorreu realmente, mas em 1911, em Nova York, dezoito dias depois do Dia da Mulher. Em 23 de março, houve um grande incêndio numa conhecida indústria têxtil, a Triangle Schirwaist Company, cujo patrão, como era comum fazer à época, trancou a porta de saída à chave, o que num andar alto e num ambiente sem ventilação e com materiais inflamáveis, tornou-se fatal. Quando os bombeiros chegaram 147 operárias já haviam morrido. Após essa tragédia a solidariedade entre as trabalhadoras estreitou-se e suas lutas deram origem às primeiras leis de proteção à vida e aos direitos das trabalhadoras.Mas, antes desse evento grave, já em 1910, Clara Zetkin, socialista alemã, propôs que o Dia da Mulher se tornasse “uma jornada especial, uma comemoração anual de mulheres, seguindo o exemplo das companheiras americanas”. Sugeria ainda que o tema principal fosse a conquista do direito ao voto. Surge, então, o Dia Internacional da Mulher. A partir daí, as operárias européias e russas assumiram essa data que, em 1914, foi comemorado no Dia 8 de Março. Consolidando essa data, em 1917, no dia 23/02 no calendário gregoriano (ou 8 de março) as operárias russas desencadearam uma greve geral, cujas manifestações precipitaram a Revolução Russa.Depois das grandes guerras, na década de 1960, os movimentos de libertação das mulheres em todo o mundo retomaram essas comemorações. No Brasil, em plena ditadura, a partir dos anos 1970 o movimento de mulheres ressurge colado às lutas pela democracia e em 1975, quando a ONU organizou uma Conferência Mundial de Mulheres, o movimento de mulheres retoma as lutas coletivas mais abertamente.Em reconhecimento dessas lutas, o dia 8 de março foi instituído pela ONU, em 1977, como Dia Internacional da Mulher o que reforça a oportunidade criada pelo movimento de mulheres de fazer um balanço dos progressos e conquistas a respeito do lugar ocupado pelas mulheres e dos obstáculos à sua cidadania e levar o conjunto da sociedade e dos governos a refletirem sobre as formas de enfrentar as desigualdades de gênero, ou seja, pela igualdade entre homens e mulheres, em diversas áreas, e pressionarem os governos a elaborarem políticas públicas anti-discriminatórias, além de promover ações para a conquista da cidadania plena das mulheres, melhorando a qualidade de vida de todas e todos e construindo uma sociedade mais justa.A Marcha Mundial de Mulheres Brasil no âmbito de sua 3ª Ação Internacional lança dia 13/03/10 um livro fundamental. Para marcar este um século de organização e mobilização das mulheres, a SOF juntamente com a editora Expressão Popular publicam o livro “As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres”, de Ana Isabel Álvarez González, traduzido do espanhol. Ver roteiro e calendário de ações formativas e culturais da Marcha na página da sof: www.sof.org.br/marcha.

Colaboração da Iara Aragonez
Publicada por Coletivo Desenvolvimento Sustentável SEMAPI em 10:30 0 comentários
http://sustentabilidadesemapi.blogspot.com/2010/03/dia-internacional-da-mulher-em-busca-da.html

Lançamento do Livro: As Origens e a Comemoração do Dia Internacional das Mulheres


Para marcar este um século de organização e mobilização das mulheres, a SOF juntamente com a editora Expressão Popular publicam o livro "As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres", de Ana Isabel Álvarez González, traduzido do espanhol. Leia abaixa sinopse do livro:

Diversas são as histórias que tentam contar a origem do Dia Internacional das Mulheres, comemorado no dia 8 de março ao redor do mundo.

Conhecer as motivações e desvendar os mitos e os fatos que deram origem ao 8 de março é o que nos traz o livro de Ana Isabel Álvarez González, agora traduzido para o português. A pesquisa realizada pela autora vai a fundo conhecer a história do movimento de mulheres socialistas do final do século 19 e início do século 20. Revela embates e contradições dentro do movimento socialista quanto ao reconhecimento da importância da igualdade entre os sexos e da libertação das mulheres.

A luta das mulheres reivindicava o direito ao voto, ao reconhecimento como portadoras de bens e direitos, o acesso ao trabalho e ao espaço público. A autora relata os acontecimentos do trágico e marcante incêndio em uma fábrica nos Estados Unidos, onde mais de cem operárias foram mortas. Tal evento foi de suma importância para o desenvolvimento do movimento operário estadunidense, no entanto, a autora desconstrói o mito que o vincula à criação do Dia Internacional das Mulheres.

Ao se completar um século desde que as mulheres socialistas reunidas em Copenhague aprovaram a proposta do Dia Internacional das Mulheres, a recuperação do significado dessa data é uma contribuição importante para a reflexão sobre os desafios, as formas de organização e as reivindicações que mobilizam a lutadas mulheres ainda hoje.

Acompanhe uma breve síntese sobre e surgimento do 8 de Março em http://www.sof.org.br/publica/Dia_Internacional_da_Mulher-SOF-Em_busca_da_memoria_perdida-ATUALIZACAO2010.pdf

Programação em Várzea Paulista

13 de março

12h - Marcha sai de Jundiaí e chega a Várzea Paulista às 12 horas, pela avenida Fernão Dias Paes Leme
Atividades: Feira Solidária, Casa da Beleza e Teste Rápido de HIV

16h - Lançamento do livro - 100 anos de 8 de março com grande debate e participação de mulheres: trabalhadoras rurais do Piauí, indígenas da Reserva Raposa Serra do Sol e Movimento Nacional de Quilombolas, entre outras

18h - Ato Político Cultural

19h30 - Show com Leci Brandão
Local: Avenida Projetada, ao lado da Prefeitura

14 de março

7h - Despedida de Várzea Paulista e saída da Marcha rumo ao Km 46,5 da Rodovia Anhanguera

domingo, 7 de março de 2010

8 de março


Isaura Isabel Conte
*

Com os festejos demasiados
Eu ficava desconfiada
Disso não fica nada?
De luta e de resistência!
Pra quê camuflar a ausência
Das guerreiras que foram mortas
Se elas abriram muitas portas
Aí é que está a essência!

Tombaram tantas na luta
Por conquistas de direitos
Quebrando com preconceito
De que mulher é inferior
A perseguição e horror
Que foi feito contra elas
Deixou profundas seqüelas
E, há marcas fortes de dor.

Se fala tanto em igualdade
Mas está longe de existir
É preciso superar e bulir
No tal do patriarcado
Que às mulheres tem condenado
A violência, a fome e a morte
Porque não é questão de falta de sorte
Apresentar tal resultado.

A natureza também sofre
As conseqüências da exploração
É muita concentração
Muito veneno espalhado
Tanto gen modificado
Com a maldita transgenia
Que acaba com a utopia
E a soberania de estado.

E a água vejam como está...
Grande parte contaminada
E a outra parte... engarrafada
Com valor a se pagar
Já foi o tempo de tomar
Pegando-a assim da cacimba
Se vê os rios morrendo á mingua
E as lagoas secas.

Perceberam que as florestas
Estão clamando por socorro,
A fumaça sai como choro
Enviando alerta ao céu
Enquanto que o fogaréu
Passa lambendo em seguida
E tudo que era vida
Sai de cena como um véu.

A data do 08 de março
Vai além do festejar
Há muito o que transformar
Por este planeta a fora
Nós vamos pra luta agora
Não dá mais pra esperar
Mulher, vem se somar
Vamos fazer como outrora!

*Pedagoga, graduada pela UFRGS, militante e dirigente do Movimento de Mulheres Camponesas RS e dirigente política da Fundep - Fundação de Desenvolvimento, Educação de Pesquisa da Região Celeiro.

No dia de luta das mulheres, rosa, só se for a Luxemburgo


Marcha de Campinas a São Paulo reunirá cerca de 2 mil mulheres por dez dias; ação faz parte de mobilização internacional

por Dafne Melo

A partir do dia 8 de março, centenas de mulheres começam a marchar de Campinas (99 km de SP) a capital paulista, em uma mobilização que pretende durar dez dias. Para muitas, porém, a caminhada já começou. “Já estamos em marcha, organizando as caravanas dos Estados e toda a infra-estrutura”, explica Sônia Coelho, da Sempreviva Organização Feminista (SOF). A mobilização faz parte da 3º Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres, organização que aglutina movimentos feministas nos cinco continentes. No Brasil, diversos movimentos sociais e organizações se juntam à ação, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), a Articulação do Semi-Árido (ASA) e Consulta Popular, dentro outros. O evento tem caráter nacional e conta com a participação de mulheres de todos os Estados brasileiros.

Sônia explica que além de pautar as reivindicações das mulheres, a marcha pretende ser um momento de formação para as militantes. A caminhada acontecerá sempre pelas manhãs e pela tarde serão organizados debates e painéis com temas relativos às lutas mais urgentes do movimento feminista.

Pautas
Dar visibilidade social às pautas feministas e articular movimentos de mulheres de diferentes naturezas em torno de uma plataforma de luta comum são dois dos principais objetivos da marcha, além da criação de espaços de formação politica. A plataforma de luta está centrada em quatro grandes temas: autonomia econômica das mulheres, luta contra violência sexista, luta contra privatização da natureza e dos serviços públicos e paz e desmilitarização. De acordo com Tatau Godinho, militante da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), os debates e articulações em torno dos temas serão ricos justamente por colocar em um mesmo espaço a perspectiva que mulheres de diferentes setores – estudantil, rural, sindical, do movimento negro, etc – têm sobre esses temas.

De acordo com Sônia Coelho, as discussões feitas ao longo dos 10 dias devem ser sistematizadas em um texto que deverá ser entregues para os governos federal, estaduais e municipais. “Queremos detalhar essas reivindicações no processo da marcha”, aponta Sônia.

A organização espera que pelo menos 2 mil mulheres marchem durante os 10 dias. Toda a estrutura, desde a montagem e desmontagem de barracas, cozinha, organização dos debates será elaborada somente por mulheres.

Auto-organização
Tatau Godinho, militante da MMM, explica que o espaço de formação não se dá apenas nos debates, mas também no próprio processo de auto-organização das mulheres na construção da marcha. “A existência de um movimento de mulheres forte depende de nossa capacidade de auto-organização, por isso a importância de realizar uma marcha dessa magnitude. Temos dito às companheiras que ainda não sabem se poderão marchar o quanto essa experiência é insubstituível”. Sônia Coelho, da SOF, agrega que o momento também é propício para gerar solidariedade entre as companheiras de diferentes movimentos.

A presença masculina não é proibida durante a marcha, mas a infra-estrutura – alimentação, banheiros, barracas, transporte de bagagem, etc – será oferecida somente às mulheres. “A presença dos companheiros é muito bem vinda nos atos de lançamento e de chegada que vamos organizar”, diz Sônia. “Mas precisamos nos fortalecer entre nós mesmas para enfrentar as desigualdades de gênero que existem na sociedade e que se reproduzem dentro das organizações de diversas formas”, finaliza.

África
A 3º Ação Internacional da MMM acontecerá durante todo o ano, mas se concentrará em dois meses: março e outubro. Nesse primeiro mês serão feitas mobilizações nacionais simultâneas. Em outubro, uma ação internacional reunirá militantes de diversos países na República Democrática do Congo, na região da província de Sud-Kivu, que se centrará na questão da paz e desmilitarização, denunciando a situação a que estão submetidas as mulheres nessa região, onde a violência contra as elas têm sido usada como arma de guerra. “Calcula-se que 70% das mulheres e adolescentes dessa região já tenham sofrido violência sexual”, protesta Sônia Coelho.

Em agosto, na Colômbia, um encontro contra a guerra e pela paz pretende reunir lutadoras de todo continente para discutir a militarização. Na Europa, o encontro ocorrerá em junho, na Turquia, e na Ásia o local escolhido foi Filipinas, onde os debates ficarão em torno da luta contra o livre comércio, instalação de bases militares e tráfico de mulheres.

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/no-dia-de-luta-das-mulheres-rosa-so-se-for-a-luxemburgo/view