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segunda-feira, 30 de março de 2020

Pela vida das mulheres, vamos ficar em casa!



Companheiras da Marcha Mundial das mulheres

Sabemos que estamos passando por um momento muito difícil, economicamente e emocionalmente. Mas pedimos encarecidamente às companheiras: pela vida de todas nós, fiquem em casa!

Alguns fatos sobre o coronavírus:

1) ele não atinge só idosos. No Brasil e em outras partes do mundo temos casos graves e inclusive mortes de jovens (links com as informações ao final do texto). Segundo o Ministério da Saúde, quase 50% dos casos GRAVES são em jovens e adultos.

2) ainda que possam ser minoria no grupo de risco, jovens podem ser transmissores da doença. Isso é, podem apresentar sintomas leves, porém, ao andar por aí vão espalhar o vírus. Muitos, ainda, não apresentam sintomas! Isso significa que eles têm o vírus, mas saem espalhando ele por aí porque acham que não estão infectados, pois não apresentam sinais. Ficar em casa é a melhor forma de proteger a si e proteger os outros!

3) O governo Bolsonaro está propondo o “isolamento vertical”, isto é, isolar somente os idosos. Isso não funciona, e explicamos o porquê: Muitos idosos vivem junto com seus filhos e netos. Segundo dados de matéria do El País, ao menos um a cada quatro jovens com idade entre 24 e 34 anos vive com os pais. Segundo o IBGE, 66% dos idosos do nosso país vivem com outros familiares que não o cônjuge. Isso significa que esses idosos em algum momento terão contato com jovens. Ou seja, se esses jovens saírem na rua, vão trazer o vírus para casa e podem infectar seus pais ou avós.

4) Levantamento feito pelo Imperial College, de Londres nos mostra as projeções para o Brasil: com isolamento social intensivo, serão 44 mil mortes. Com o isolamento apenas de idosos, esse número sobe para 529 mil mortos! Os números pioram conforme se flexibilizam as medidas de isolamento. Precisamos TODOS ficar em casa! Foram os levantamentos dessa instituição inglesa que fizeram o governo da Inglaterra mudar sua atitude frente ao vírus e passar a adotar medidas mais fortes.

5) estamos lutando para que o poder público garanta as condições para que todas e todos possam ficar em casa, isto é: ajuda financeira para autônomos/informais/ por conta própria; suspensão da cobrança de contas de água luz etc. Em vários estados as medidas de anistia de contas já estão sendo implementadas, e no dia 27 de março o Congresso Nacional aprovou uma renda básica emergencial no valor de 600 reais por trabalhador/a, sendo 1200 reais para mães solteiras. Agora, precisamos pressionar para que essa proposta passe no Senado.  Enquanto isso não acontece, estamos organizando vaquinhas. Logo iremos soltar as informações!

6) Não podemos acreditar nas carreatas que estão sendo organizadas pelos bolsonaristas! Eles querem lucro acima de tudo, inclusive da vida. Não querem que a economia pare, mesmo que para isso tenha que morrer muita gente. São empresários egoístas que SABEM que o CORONAVIRUS MATA. Querem te enganar (vão pras ruas, mas sem sair do carro) enquanto ELES FICAM EM CASA PROTEGIDOS.

7) Sabemos que a situação está difícil, mas se queremos continuar vivendo – inclusive, continuar trabalhando -, precisamos sobreviver a esse vírus, e para isso precisamos ficar em casa! Sabemos que há dificuldades financeiras, principalmente das companheiras que estão por conta própria, produzindo alimentos, artesanato, roupas ou outros produtos para vender. Enquanto as medidas financeiras não são aprovadas, estamos organizando uma vaquinha para nossas companheiras. Disponibilizaremos as informações sobre ela logo mais!

Pelas nossas vidas, pelas vidas de nossas companheiras, de nossas amigas, nossas mães, irmãs, filhas e todas as pessoas: vamos ficar em casa! 

E vamos gritar bem alto em todas as janelas: Fora Bolsonaro genocida!

#FicaemCasa
#ForaBolsonaro

Para saber mais
Canal do Atila Iamarino (biólogo, pesquisador e divulgador científico):  https://www.youtube.com/channel/UCSTlOTcyUmzvhQi6F8lFi5w

sexta-feira, 20 de março de 2020

Contra o coronavírus, exigimos medidas concretas! Leia 10 reivindicações

Em tempos de neoliberalismo, o mercado é colocado acima das vidas humanas. Para nós, da Marcha Mundial das Mulheres, a sustentabilidade da vida deve ser o centro das políticas de estado e do projeto que desejamos construir.
Em vez de priorizar as grandes empresas e os bancos, os estados precisam de medidas que priorizem o bem estar de todas as pessoas. Isso passa por garantir as condições de vida material da população, considerando tanto a esfera produtiva quanto a reprodutiva.
Em momentos como este, em que vivemos essa pandemia do coronavírus, fica claro o porquê precisamos priorizar a vida no lugar do lucro: se não temos medidas concretas que garantam a subsistência das pessoas, elas são largadas por conta própria, sofrendo com a miséria, a pobreza, a fome, excesso de trabalho (dentro e fora de casa), a falta de saúde e o aumento da violência.
Por mais que sejam necessárias as medidas individuais, que muitas e muitos já estão tomando, precisamos de medidas do poder público para controlar essa pandemia! Os governos alinhados ao neoliberalismo, como é o caso de Jair Bolsonaro e seus aliados, tentam fazer parecer que o estado não tem obrigação ou condições de garantir alternativas econômicas para as brasileiras e os brasileiros. Não é verdade!
Outros países estão tomando medidas que possibilitam que as pessoas fiquem em suas casas, como anistia de dívidas, linhas de crédito e auxílio financeiro!
Contra o coronavírus, exigimos medidas concretas!
Exigimos a revogação da PEC do Teto de Gastos, que congelou os investimentos em saúde por duas décadas, e que o governo ofereça saídas para a crise econômica que vivemos e que se acirra ainda mais com essa pandemia!
Basta de Bolsonaro, basta de política de morte!
1. Que as trabalhadoras e trabalhadores possam se afastar do trabalho, sem perda de remuneração e direitos. Não adianta nada dizer que as pessoas devem evitar grandes aglomerações, se ainda precisaremos pegar o transporte público para chegar ao trabalho, entre outras coisas. Se queremos uma verdadeira política de contenção, para evitar a transmissão do vírus, então é preciso que, de fato, as pessoas fiquem em casa, e elas não farão isso se forem obrigadas a trabalhar.
Além do mais, com o fechamento das escolas, mães e pais deverão poder ficar em casa para cuidar de seus filhos. Hoje, a realidade é que a maioria esmagadora das famílias brasileiras é de mães solteiras e seus filhos. Essas mães não terão como cuidar de seus filhos se não tiverem onde deixá-los e estiverem trabalhando. Por isso e pela própria saúde, devem poder ficar em casa.
E, atenção! Quarentena não é férias! Se você tem direito a férias, saiba que esse é um momento garantido em lei para o descanso. Ficar em casa por conta de uma emergência de saúde não pode ser considerado férias, então, se seu patrão quiser adiantar suas férias, ele está ferindo seus direitos.
2. Anistia nas cobranças de contas de luz, água, aluguel, internet entre outros. Com a pandemia do coronavírus, diversas pessoas ficarão sem seu sustento: trabalhadoras/es informais, por exemplo, mulheres que vendem bolo, não poderão mais fazê-lo; restaurantes populares ficarão sem clientes, ou seja, não receberão dinheiro; enfim, as dificuldades econômicas aumentarão. Queremos a anistia na cobrança de contas, a fim de que as pessoas se preocupem somente com o que seja realmente necessário para sua proteção e dos demais.
3. Ajuda econômica (pelo menos um salário mínimo) para quem está no trabalho informal / por conta própria. Sabemos que a esmagadora maioria de pessoas nesses setores são mulheres, principalmente mulheres negras. Essas pessoas a) não podem se dar ao luxo de ficar em casa, pois não têm segurança no trabalho, só que isso compromete sua saúde, pois deveriam ficar em casa; b) caso saiam para trabalhar, não ganharão dinheiro, uma vez que haverá uma drástica diminuição do número de pessoas comprando suas mercadorias ou fazendo uso de seu serviço (haverá menos gente pegando uber, por exemplo). O poder público precisa garantir a sobrevivência dessas pessoas, garantindo que elas possam comprar comida, por exemplo.
4. Distribuição massiva de itens de higiene pessoal, como álcool gel. Muitas pessoas não têm acesso à água ou simplesmente não têm acesso ao álcool gel para levar consigo porque não têm dinheiro e agora os mercados estão encarecendo esses itens ainda mais por causa da demanda. É mais do que justo que esses itens sejam distribuídos gratuitamente a toda a população.
5. Revogação imediata da Emenda Constitucional do teto de gastos (EC 95), que congela os investimentos em saúde e educação por 20 anos. Precisamos de investimento para ter um SUS forte e capaz de atender todo mundo!
6. Distribuição de cesta básica para as famílias com crianças cujas creches/escolas suspenderam as aulas. Muitas dessas crianças dependem da merenda, e só se alimentam na escola. O Estado deve garantir a alimentação dessas crianças, e não sobrecarregar mais ainda quem já sabemos que fica sobrecarregado: as mulheres que tomam conta de seus filhos. Trata-se de trabalhar para garantir as condições materiais de vida da população.
7. Medidas emergenciais para resolver a crise de abastecimento de água: reparos na distribuição de água e uso de caminhões-pipa. Sem água, não é possível realizar medidas básicas de higiene, como lavar as mãos, e muitos lugares no Brasil simplesmente não têm acesso a água.
8. Mobilizar a infraestrutura de saúde privada para o combate ao coronavírus sob controle público. Toda estrutura de saúde deve estar a serviço do combate à pandemia, e o Estado deve mobilizar hospitais privados para realizarem esse trabalho, a exemplo da Espanha, de forma gratuita e aberta para todos.
9. Congelamento do preço de alguns itens essenciais, tais como: álcool em gel, arroz, feijão, carnes, gás, entre outros. Pela demanda, os preços desses itens acabam aumentando, e aí as pessoas não conseguem comprar. Todos devem ter acesso a esses itens!
10. Transparência de informações sobre como evolui a pandemia e sobre medidas governamentais. Porque precisamos saber o que está acontecendo para melhor nos prevenir. É importante conscientizar as pessoas e a única maneira de fazer isso é com informações corretas. E é importante que saibamos onde há necessidades de medidas, quais medidas os governos estão tomando, qual seu efeito

 https://www.marchamundialdasmulheres.org.br/contra-o-coronavirus-exigimos-medidas-concretas-leia-10-reivindicacoes/










segunda-feira, 22 de junho de 2015

Carta Aberta da Marcha Mundial das Mulheres aos vereadores e vereadoras de Porto Alegre sobre as possíveis supressões no Plano Municipal de Educação a ser em breve votado em Plenário.


A cidade de Porto Alegre possui uma importante rede de escolas públicas e privadas e não pode passar ao largo das iniciativas educacionais de ampliação da consciência da igualdade de gênero no contexto educativo.
O projeto possivelmente será votado nesta quarta-feira, 24 de junho, e sabemos que é possível que seja apresentado uma supressão do artigo 3º, ítem III, tendo em vista a pressão da arquidiocese de Porto Alegre, embora tenha sido apresentado opiniões contrárias a supressão, como cartas enviadas aos vereadores e vereadoras como a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Prefeitura Municipal de Porto Alegre através da Secretaria Adjunta de Direitos Humanos, da Coordenadoria da Diversidade Sexual, da Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos (SJDH), SOMOS, Nuances, além de manifestos nacionais e de especialistas em educação e sexualidade.
Este artigo é de extrema importância deste ítem que trata da superação das desigualdades e educacionais, com ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual.
A formação continuada de educadores precisa aprofundar as perspectivas para visando propor novas estratégias para eliminar o sexismo, o racismo e a lesbofobia no espaço escolar e na sociedade.
Há várias dimensões que precisariam ser abordadas na discussão da igualdade de gênero respeitando a diversidade e educação em sexualidade dos livros didáticos ao currículo e nas atividades escolares.
Ampliar as discussões sobre a igualdade de gênero com reconhecimento da diversidade como uma dimensão fundamental da educação é ainda um processo em incorporação nas abordagens de ensino-aprendizagem por isso é tão importante a sua explicitação no Plano Municipal de Educação (PME).
Não basta falar em direitos humanos em abstrato sem enfrentar o que ocorre na vida e no cotidiano de alunas e alunos; sem desconstruir a masculinidade hegemônica que apela para a virilidade abusiva e a violência sexista.
A cultura da violência deve ser combatida: veja-se o exemplo recente da adolescentes estuprada por três alunos numa escola estadual na cidade. Cabe ressaltar que este não é um caso isolado, mas fruto da falta de formação de jovens e adolescentes, que agrava os índices de violência sexista.
Existe também uma ilusão de que há uma família modelo e se desconhece os diversos arranjos familiares existentes. Mais de metade das famílias brasileiras não corresponde ao arranjo tradicional: pai, mãe e filhos. Há um grande número de mulheres chefes de família, de crianças criadas por avós e tios, assim como as homoafetivos. Excluir o debate de gênero é ignorar as diversas formações do espaço familiar. E, com isso, silenciar as violências que podem ocorrer nele, seja qual for a sua formação.
Os dados são alarmantes e estão todos os dias nos jornais como estatísticas reais e a escola ao tratar desse temas pode se tornar um suporte preventivo e um contraponto a determinadas situações de violência intrafamiliar.
A cortina de fumaça lançada por setores conservadores e fundamentalistas esconde as pesquisas que demonstram que a discussão das relações de gênero que dizem respeito aos padrões de feminilidades e masculinidades e que remetem também às sexualidades feitas em ambiente adequado e por educadores com repertório sociocultural para tanto acabam por servir de apoio para crianças e adolescentes que sofrem algum tipo de violência e discriminação.
Temos defendido a transversalidade de gênero no currículo que deve também preocupar-se com a pedagogia oculta de gênero que não potencializa a autonomia das meninas interferindo na trajetória escolar das mesmas, resultando muitas vezes em segregações em carreiras ocupacionais tradicionalmente femininas que as fazem ganhar, em média, 30% a menos do que os homens no mercado de trabalho.
A educação para a igualdade ou educação não sexista é uma medida da qualidade da educação e de uma pedagogia da autonomia, necessária ao exercício da cidadania plena.
Como demonstram várias pesquisas e percepção cotidiana de educadores, a prevenção da gravidez na adolescência só se torna realidade quando se discute a sexualidade considerando a identidade, a subjetividade e o projeto de vida das e dos adolescentes.
Portanto, novas práticas contendo essas dimensões são recomendadas pelas conferências nacionais de políticas para as mulheres e pelo movimento feminista.
Enfim, o PME precisa estimular uma educação sensível ao gênero para superarmos as desigualdades e hierarquias no contexto escolar.
É nesse sentido que apelamos à consciência dos vereadores e vereadoras. Para que estejam à altura dessa tarefa histórica e não se deixem contaminar pelo fundamentalismo religioso já que o estado deve continuar sendo LAICO.

Seguiremos em Marcha até que todas sejamos livres!

Marcha Mundial das Mulheres 

quinta-feira, 5 de março de 2015

8 de março de Luta Feminista em Caxias do Sul






"Todo dia nasce uma nova mulher
Nasce uma nova mulher, quando decidimos sair de casa
E entender que não somos só forno e fogão.
Nasce uma nova mulher quando saímos de relações opressoras
E dizemos não a qualquer outro tipo de opressão.
Nasce uma nova mulher, quando impomos nossa voz
Entramos na política e mostramos que também sentimos sede de revolução.
Nasce uma nova mulher quando se tem força para denunciar a violência,
O machismo, a lesbofobia, o estupro e a coerção.
Quando gritamos que o corpo é nosso,
Não do marido, da igreja ou do cafetão.
Todos os dias nascem novas mulheres, quem trazem consigo as cores do novo mundo.
Que perceberam que essas cores são as da esperança, do amor e da sororidade,
Que só com novas mulheres em marcha, se constrói um mundo de igualdade.
Onde nenhuma fique pra trás.
São Marias, Margaridas e Joanas que entenderam que podem até andar bem sozinhas,
Mas que juntas andam melhor, por quê seguem marchando
No ritmo de quem quer mudar o mundo e não se cansam
Pois seguirão em marcha até que todas sejamos livres"