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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Frida Kahlo e seu traje: “Ela estava pintando um quadro completo, com cores e formas”


Frida por Beatriz Sallet


Recordar Magdalena Carmen Frida Khalo y Calderon Rivera é recordar também da sua identidade visual, tão chamativa nas cores e formas aos olhos observadores, como descreve Lucile Blanch na frase acima. A pintora mexicana ao longo da sua vida adotou um traje que a tornou uma mulher espirituosa e extravagante, além de fortalecer sua adesão ao momento cultural que tomou conta de artistas do país na década de 20: retorno à arte mexicana, baseada especialmente nas raízes indígenas.
O traje é originário das mulheres do istmo de Tehuantepec (Oaxaca, México), e compreende essencialmente a blusa bordada e a saia comprida. Segundo a história do istmo, as mulheres de Tehuantepec são conhecidas como imponentes, sensuais, inteligentes, corajosas e fortes. Vivem também em uma sociedade matriarcal, onde dirigem, por exemplo, o mercado local.
Para Frida, o traje de índia tehuana tornou-se um elemento tão essencial da sua pessoa, que o pintou sozinho, sem seu corpo, por diversas vezes, como no intrigante quadro Allá cuelga mi vestido (1933). Segundo Hayden Herrera em Frida: a biografia “a vestimenta servia como substituto dela própria, uma segunda pele totalmente assimilada pela pessoa escondida sob ela, mas tão integrada a ela que, mesmo quando era tirada conservava algo da pessoa que a usava”. Frida em seu diário, escrito em sua última década de vida, registrou que o vestido tehuana era “o retrato ausente de uma única pessoa”.
Com o passar dos anos, à medida que o seu estado de saúde tornava-se mais crítico, Frida ressignificou sua roupa como um antídoto contra suas dores. Assim, blusas, fitas, laços, flores ganhavam cada vez mais cores afrontando suas cicatrizes e dor interior. E seu traje assim tornou – se comovente: “era a um só tempo uma afirmação de seu amor pela vida e um sinal de sua consciência – e de sua atitude de desafio e rebeldia – da dor e da morte” conforme a escritora Herrera.

Paula Grassi
Pastoral da Juventude - RS
Militante da MMM-RS
Twitter - @paulinhagpj

AGENDA
  • JANEIRO 2012
  • 20,21 E 22 - 21h
  • TEATRO DE ARENA


sábado, 12 de março de 2011

Sucesso no primeiro dia da apresentação da peça Frida Khalo, à Revoluçã!





Em parceria com o Teatro Renascença, o Sintrajufe e a Marcha Mundial das Mulheres, aconteceu nesta sexta, 11, o primeiro dia do espetáculo Frida Kahlo, à Revolução!. Antes da peça, um bate papo inteligente, chamado Kahlo e a percepção do feminino, conduzido por Cristiane Giareta da MMM, Bárbara Wilbertt, SINTRAJUFE e a Socióloga Enid Backes - falando sobre a história de Frida e a sua vida irreverente, feminista e revolucionária.

O espetáculo, escrito por Juçara Gaspar e dirigido por Daniel Colin, é focado no princípio revolucionário, com a própria Frida conduzindo o espectador por uma redescoberta ética e estética, da arte como denúncia solidária e solitária, possível através da mágica que é o fazer teatral.


Após a apresentação da peça, que contou inclusive com um momento em que a Iris (MMM) dança com Frida, fomos brindadas com um coquetel organizado pela Cooperativa GiraSol, Tenda da Juçara e o Casarinho. Estava simplesmente maravilhoso, bem montado e apetitoso. Além da apresentação com folhas de bananeiras e mudas de plantas nativas, contamos também com um espaço onde podíamos (nós mesmas) lavar os copos utilizados, sem desperdício de água e uso de sabão ecológico.

Tudo foi muito bem organizado e estão todas de parabéns: a Laura e o Breno pelo Teatro Renascença, a Marilise e Bárbara pelo Sintrajufe e a Fernanda, Mateus, Ariel, Livia e Carin pelo Casarinho.

O espetáculo vai até domingo, 13, e quem ainda não assistiu não pode perder (já que perdeu o bate papo e a comilança). Lembrando que tem que chegar 1 hora antes para pegar o ingresso, no domingo a peça inicia as 20h.

Na segunda, 14, temos ainda a apresentação do vídeo “Seguiremos em Marcha até que todas Sejamos Livres”, realizado em março de 2010, pela Marcha Mundial das Mulheres. Não perca, será no Cine bancários, as 19h, em Porto Alegre.

Saiba mais: http://mmm-rs.blogspot.com/2011/03/agenda-da-mmm-rs.html

terça-feira, 6 de julho de 2010

Frida kahlo, Presente!

Nesse dia 06 de julho de 1907 nascia a feminista Frida Kahlo.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi52ToFOHgurr-TIQqPpNESftvILpdBLxn2y38uIlSSwpk8mNG3D8p-zPecneo1BlfyT98embfK5WlSI5hIf4OEW31iVwPv1mqVQ7E8wDEwtskLY31AxH8KADh9DjAmFTf5HbvtZygLCqg/s400/frida-kahlo.jpg

André Breton dizia de Frida Kahlo: “Não existe [pintura] mais exclusivamente feminina no sentido em que, para ser a mais tentadora, ela consente de bom grado em ser ora a mais pura, ora a mais perniciosa. A arte de Frida é uma fita ao redor de uma bomba”.

Por Tais Machado* via Ofensiva Contra o Machismo.

Assustador, não? Como compreender uma mulher como Frida Kahlo, como compreender uma mulher? E como entender a arte feminina?

Não serei eu de tamanha ousadia para tentar responder a tais questões. Além do mais, não quero estragar essa que pode ser uma aventura para os homens.

Não gosto de receitas prontas, aprecio a singularidade. E há tanto mais… enquanto as ignorâncias e preconceitos permanecem ganhando espaços. Mas, gosto da troca de impressões, do mistério, do refletir, estudar e dialogar.

Considerar as fitas que tentam colocar sobre bombas, ainda hoje, é no mínimo interessante. Em meio às nossas aventuras, vocações e buscas pela transcendência queremos encontrar a beleza. Como dizia Paul Tillich: “As religiões não são as únicas instâncias capazes de oferecer respostas (ou propostas) para lidarmos com a vida. A arte também é capaz, à sua maneira, de reencantar o mundo”.

Beleza, arte, aventuras e travessuras me parecem estar predominantemente ligadas. A própria Frida, em carta a um amigo, disse: “Há pouco, há alguns dias apenas, era uma criança que evoluía num mundo de cores, de formas duras e tangíveis. Tudo era misterioso e alguma coisa estava escondida: adivinhar do que se tratava era uma brincadeira para mim”. Anos mais tarde, Salvador Dali falou: “Em minha arte, obedeço a essa paixão do tesouro escondido”.

Mesmo nos cantos da vida procuramos encantos. Queremos nos aventurar e encontrar. O psiquiatra Paul Tournier escreveu um livro só sobre a aventura humana e coloca como instinto nosso tal sede. Ele comenta sobre as aventuras fictícias e as reais, e olha que nem tinha, à época, vídeogame, internet e todo o aparato tecnológico que apoia e estimula nossos desejos.

As trilhas que cada um segue têm riscos e têm a ver com escolhas pessoais, nem sempre assumidas. Como diria Tournier: “Uma aventura verdadeira tem sempre um caráter eminentemente pessoal e exige uma decisão totalmente pessoal”. Cada um enfrenta o mundo e seus juízos da maneira que acha mais adequada dentro de seu universo particular. Claro, há que se levar em conta o que bem disse Theodore Roszak: “No fim das contas, talvez seja o mau hábito dos gênios criativos de investir-se em extremos patológicos que produza insights notáveis, mas isso acaba não proporcionando nenhum modo de vida duradouro para aqueles que não conseguem traduzir suas feridas psíquicas em arte ou pensamentos expressivos”.

Tem gente que vive só de rascunhos, com medo de expor seus achados. E o medo pode levar pra bem longe a capacidade de bem se divertir. O lúdico escapa ao cotidiano e a vida vai ficando monocromática, de um jeito que só a melancolia ganha. Tem gente que despreza as “pequenas” escolhas e banaliza as oportunidades, perdendo reencantamentos tão próximos e possíveis.

Alguns enterraram o que ainda estava vivo – um verdadeiro crime. Outros não perceberam que o olhar adoeceu e desperdiçam a beleza singela, discreta em nossas esquinas. E há aqueles cuja forma enrijeceu a alma e já nem reverenciam o mistério em suas diversas manifestações.

Ai daqueles que não buscam respostas porque já nem ouvem as perguntas.

Taís Machado é psicóloga e docente em seminários teológicos.