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domingo, 7 de outubro de 2012

Sementes em perigo


Esther Vivas*

"Grão que em diversas formas produz as plantas e que ao cair ou ser semeado produz novas plantas da mesma espécie". É desta forma que o dicionário define a palavra "semente". Entretanto, na realidade, uma "semente" é muito mais. A semente é o primeiro passo para a vida, para o fruto, para o alimento. Todavia, apesar do papel central que têm na agricultura, hoje muitas sementes se encontram em perigo de extinção.

Se ao longo de 12.000 anos de agricultura se manejaram por volta de 7.000 espécies de plantas e milhares de raças de animais para a alimentação, na atualidade, segundo dados da Convenção sobre a Diversidade Biológica, somente 15 variedades de cultivo e oito de animais representam 90% do nosso alimento. Esta perda de agrobiodiversidade não somente tem consequencias ecológicas negativas, como também implicam no desaparecimento dos saberes, dos princípios nutricionais e dos conhecimentos gastronômicos, e ameaça nossa segurança alimentar, ao dependermos de alguns poucos cultivos.

A globalização alimentar, em seu caminho por mercantilizar e fazer negócios com os alimentos, contribuiu, em poucos anos, com o desaparecimento de centenas de variedades agrícolas e pecuárias. E preferiu aquelas que melhor se adaptam às necessidades do mercado: serem transportadas por longas distâncias, que necessitam de menos cuidados, boa aparência, mais produtivas, etc.

A agricultura industrial e intensiva, a partir da Revolução Verde nos anos 60/70, com a finalidade teórica de melhorar e modernizar a produção agrícola e alimentar, acabou impondo sementes industriais, desacreditando as sementes camponesas e privatizando o seu uso. Através da assinatura de contratos, os camponeses passaram a depender da compra anual de sementes, sem possibilidade de poder guardá-las depois da colheita para plantá-las na temporada seguinte.

As sementes, que representam um bem comum, foram privatizadas, patenteadas, e definitivamente "sequestradas". E atualmente o mercado mundial de sementes está extremamente monopolizado: dez empresas controlam 70% do mesmo.

"Somos vítimas de uma guerra pelo controle das sementes. E o resultado desta guerra será determinante para o futuro da humanidade, porque todos e todas dependemos das sementes para nossa alimentação cotidiana" afirmava o movimento internacional La Via Campesina. Tomemos nota.

*Esther Vivas é membro do Centro de Estudos sobre Movimentos Sociais (Centro de Estudios sobre Movimientos Sociales) da Universidade Pompeu Fabra (Barcelona). Ela é a autora de “Em Pé Contra a Dívida Externa” (En pie contra la deuda externa – El Viejo Topo, 2008) dentre outras publicações. Tradução: Roberta Sá.


+ info: http://esthervivas.com/portugues

sábado, 20 de março de 2010

Movimento feminista gaúcho fortalecido com a atividade em SP



Somos mulheres libertárias,feministas revolucionárias!

Com estas palavras de ordem cerca de 500 mulheres aguardavam as mais de 3000 mil marchantes que chegavam para o grande ato público de encerramento da primeira etapa da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres na última quinta-feira, 18, na praça Charles Miller, diante do estádio Pacaembu.
Com o tema “Seguiremos em marcha até que sejamos todas livres”, a mobilização construída por diversas entidades celebrou os dez anos da MMM e debateu os eixos que compõem a ação: autonomia econômica das mulheres, o acesso a bens comuns e serviços públicos, a paz e a desmilitarização e o fim da violência contra as mulheres.
Um sentimento de uma missão dura, difícil, mas vencedora - cumprida! As gaúchas estiveram presentes desde o início da atividade com representantes no dia-a-dia da caminhada assim como na bacana tarefa de cozinhar diariamente para mais de duas mil mulheres. E era a delegação dos pampas que levava a faixa de abertura da MMM estampando orgulho por esta luta mundial.
As gurias contam que foi maravilhoso ver, sentir e uma certeza: o movimento feminista não será o mesmo depois desta ação. E para as gaúchas uma promessa: o Rio Grande do Sul também não será o mesmo.

Luciana Borba
Assessoria de Imprensa MMM/RS

http://picasaweb.google.com/cintia.barenho/MulheresEmMovimentoMudamOMundo?authkey=Gv1sRgCOib4Omnkp6vxgE&feat=email#slideshow/5451130766555748946

Marcha Mundial das Mulheres presentes no Forum Social das Missões


Delegações do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai estão mobilizadas para o Encontro da Marcha Mundial de Mulheres, que acontece no Fórum Social Missões, no dia 20 de março, no campus da URI, em Santo Ângelo. Para a terceira edição do evento, o movimento está organizando uma programação especial com conferências e debates, sob o ponto de vista de gênero, além de apresentações culturais. A pré programação, foi fechada em 25 de fevereiro, com lideranças de mulheres das Regiões Fronteira Noroeste e Missõs, é a seguinte: Pela manhã, a MMM integra-se às atividades do Fórum. Às 13h, as mulheres reúnem-se no gramado do campus da URI para coser a tradicional colcha de retalhos, que é símbolo da Marcha Mundial. Às 13h30 as presidentas da CUT Missões, profª. Giselda Diesel; dos Sindicatos dos Comerciários de Ijuí, Rosane Simon e do CPERS, prof. Rejane de Oliveira; além das representantes da Fetag, Elisete Hintz; e do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Isaura Isabel Conte. Claudia Prates, representando a coordenação estadual da MMM RS também está presente. Dando seguimento à programação, as painelistas na conferência apresentarão o tema central da MMM nesta edição do Fórum missioneiro: "O poder das mulheres: Marchando pela soberania”. Às 15h, é a vez do grupo teatral A Turma do Dionísio tomar a frente. Para contribuir com os debates das temáticas da Marcha, o grupo apresenta a peça “Andarilhos”, que trata de liberdade, igualdade e amor. O espetáculo de atores e bonecos é uma comédia para adultos sobre as diferenças culturais entre uma mulher, um soldado e um índio que se encontram na Marcha da Coluna Prestes. Entre a conferência e o espetáculo, deverão ocorrer ainda apresentações de músicos e declamação de poesias com artistas locais. O encerramento oficial do Encontro acontece às 17h.

Local: URI Santo Ângelo - PRÉDIO 13
8h – Atividade Cultural, abertura do ENCONTRO DA MARCHA MUNDIAL DE MULHERES e CONFERÊNCIA VI

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher: Em busca da memória perdida




ESCRITO POR MALUSIL EM 4 MARÇO 2010

Neste ano de 2010 completam-se 100 anos da criação do Dia Internacional das Mulheres. São muitas as história que se contam a respeito das origens desse dia. E muitas vezes, as confusões, mitos e fantasias sobre suas origens deixaram oculto seu caráter profundamente vinculado à luta das mulheres socialistas.Um pouco da história do Dia Internacional da MulherO Dia Internacional da Mulher, comemorado desde o início do século XX, é uma data que remete a todo um período de lutas por melhores condições de trabalho, diminuição da jornada de trabalho, principalmente das trabalhadoras americanas, pelo direito à educação e ao voto feminino. As trabalhadoras socialistas americanas vinham comemorando um Dia da Mulher para marcar um calendário de lutas.O incêndio que é sempre citado em data errônea e chegou a ser considerado mítico ocorreu realmente, mas em 1911, em Nova York, dezoito dias depois do Dia da Mulher. Em 23 de março, houve um grande incêndio numa conhecida indústria têxtil, a Triangle Schirwaist Company, cujo patrão, como era comum fazer à época, trancou a porta de saída à chave, o que num andar alto e num ambiente sem ventilação e com materiais inflamáveis, tornou-se fatal. Quando os bombeiros chegaram 147 operárias já haviam morrido. Após essa tragédia a solidariedade entre as trabalhadoras estreitou-se e suas lutas deram origem às primeiras leis de proteção à vida e aos direitos das trabalhadoras.Mas, antes desse evento grave, já em 1910, Clara Zetkin, socialista alemã, propôs que o Dia da Mulher se tornasse “uma jornada especial, uma comemoração anual de mulheres, seguindo o exemplo das companheiras americanas”. Sugeria ainda que o tema principal fosse a conquista do direito ao voto. Surge, então, o Dia Internacional da Mulher. A partir daí, as operárias européias e russas assumiram essa data que, em 1914, foi comemorado no Dia 8 de Março. Consolidando essa data, em 1917, no dia 23/02 no calendário gregoriano (ou 8 de março) as operárias russas desencadearam uma greve geral, cujas manifestações precipitaram a Revolução Russa.Depois das grandes guerras, na década de 1960, os movimentos de libertação das mulheres em todo o mundo retomaram essas comemorações. No Brasil, em plena ditadura, a partir dos anos 1970 o movimento de mulheres ressurge colado às lutas pela democracia e em 1975, quando a ONU organizou uma Conferência Mundial de Mulheres, o movimento de mulheres retoma as lutas coletivas mais abertamente.Em reconhecimento dessas lutas, o dia 8 de março foi instituído pela ONU, em 1977, como Dia Internacional da Mulher o que reforça a oportunidade criada pelo movimento de mulheres de fazer um balanço dos progressos e conquistas a respeito do lugar ocupado pelas mulheres e dos obstáculos à sua cidadania e levar o conjunto da sociedade e dos governos a refletirem sobre as formas de enfrentar as desigualdades de gênero, ou seja, pela igualdade entre homens e mulheres, em diversas áreas, e pressionarem os governos a elaborarem políticas públicas anti-discriminatórias, além de promover ações para a conquista da cidadania plena das mulheres, melhorando a qualidade de vida de todas e todos e construindo uma sociedade mais justa.A Marcha Mundial de Mulheres Brasil no âmbito de sua 3ª Ação Internacional lança dia 13/03/10 um livro fundamental. Para marcar este um século de organização e mobilização das mulheres, a SOF juntamente com a editora Expressão Popular publicam o livro “As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres”, de Ana Isabel Álvarez González, traduzido do espanhol. Ver roteiro e calendário de ações formativas e culturais da Marcha na página da sof: www.sof.org.br/marcha.

Colaboração da Iara Aragonez
Publicada por Coletivo Desenvolvimento Sustentável SEMAPI em 10:30 0 comentários
http://sustentabilidadesemapi.blogspot.com/2010/03/dia-internacional-da-mulher-em-busca-da.html