segunda-feira, 7 de março de 2016

Declaração Internacional - Marcha Mundial das Mulheres resistindo à militarização

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Manifestação da Marcha Mundial das Mulheres pela Desmilitarização. Rio de Janeiro, 2015.
Queridas companheiras, amigas, militantes, lutadoras.
O mundo se prepara para celebrar o 8 de março. O dia internacional de luta das mulheres é comemorado em todo o mundo por sindicatos, organizações e movimentos, grupos de mulheres… que, em muitas ocasiões, ignorando as origens socialistas desta data, homenageiam as mulheres que supostamenta morreram trancadas em um incêndio na fábrica onde trabalhavam nos Estados Unidos.
Nós, da Marcha Mundial das Mulheres, celebramos a luta das mulheres e do movimento feminista em todo o mundo. Celebramos a força de todas aquelas que dedicam seus esforços para se libertarem do patriarcado, do neocolonialismo, do capitalismo e do racismo que são as causas que se encontram na raiz do sistema opressor em que vivemos.
Observamos indignadas como o conceito de Segurança e Paz está completamente mal-interpretado e manipulado, sendo utilizado pelos poderes hegemônicos para justificar a militarização e a “paz armada”, e anulando completamente a perspectiva dos direitos das mulheres e dos direitos humanos.
Constatamos durante nossa 4ª Ação Internacional de 2015 que os conflitos armados e as guerras de tipo não convencional se expandem e se estendem rapidamente por todas as regiões, semeando o medo, doenças, o ódio e a pobreza, e retroalimentando o fundamentalismo. Esta violência, seja ela exercida pelos exércitos, milícias, empresas privadas de “segurança”, mafiosos do crime organizado, soldados das missões internacionais de pacificação ou pelos próprios Estados, beneficia um sistema capitalista patriarcal no qual as mulheres são sempre as que mais sofrem.
Na Ásia é cada vez mais patente a presença das bases militares de potências estrangeiras, com graves consequências na violação dos direitos das mulheres, no aumento da prostituição, dos casos de violência contra mulheres e crianças, tráfico de pessoas, etc.
Na África os “libertadores” do continente se converteram em opressores da cidadania e fazem uso de um poder autoritário para continuar limitando de forma radical as libertades e direitos democráticos da população. Nessa conjuntura, grupos fundamentalistas brotam rapidamente: de tipo religioso, étnico ou cultural, autodenominados defensores do povos, eles ganham força a cada dia e se expandem perigosamente pelo território, impondo condições de vida desumanas e violando os direitos das mulheres.
Nos países Árabes vemos como a instabilidade e os conflitos armados na Síria, Iraque, Libia e Iemen são alimentados pelas potências econômicas que ampliam seus lucros através do comércio de armas e encontram no caos um terreno fértil para impor seus interesses, sem se importar com o sofrimento que isso acarreta para a população civil desarmada. Milhares de pessoas fogem da região em busca de paz e segurança. Mulheres e crianças estão super vulneráveis, sendo alvo de violações sexuais e todas as violências, sendo obrigadas a trocar favores sexuais pela possibilidade de perseguir seu sonho de conseguir refúgio e serviços básicos em países supostamente mais seguros.
Na Palestina, o governo de Israel continua usando a violência para impor seu sistema de apartheid e colonialismo sionista: o bloqueio de Gaza, as execuções e prisões arbitrárias da população civil, a política de assentamento e derrubada de moradias são a realidade cotidiana que a população palestina sofre. E no Sahara o governo de Marrocos, por meio da força armada, reforça a cada dia sua política de ocupação, saqueio e repressão, ignorando os compromissos internacionais já firmados.
Nas Américas, a natureza está sendo selvagemente expoliada por empresas transnacionais como as mineradoras que utilizam a política e o exército, assim como outras empresas privadas de segurança, para usurpar os recursos e expulsar comunidades inteiras. A água, a terra, as florestas e o ar são privatizados e mercantilizados, deixando as comunidades sem meios para garantir sua subsistência e autonomia.
Na Europa os governos usam o contexto internacional para justificar a criminalização dos movimentos sociais. Constatamos que legislações cada vez mais repressoras restringem as liberdades cidadãs. Observamos a fragilidade dos nossos sistemas democráticos frente ao auge de grupos políticos de extrema direita que derivam na agudização de políticas e atitudes xenófobas que incluem o fechamento de fronteiras e a negação de asilo às pessoas refugiadas.
Frente a esse contexto internacional desalentador, nós militantes da Marcha Mundial das Mulheres continuamos percorrendo o caminho de construção de nossas alternativas feministas. Continuamos tecendo alianças com outros movimentos aliados com os quais compartilhamos uma visão comum. Continuamos apoiando a luta local de nossas companheiras que lutam em defesa da sustentabilidade da vida.
Sabemos que juntas somos mais fortes, e que juntas contruimos um movimento mundial incontornável, com capacidade para transformar muitas coisas. Por isso em nosso próximo Encontro Internacional vamos trocar nossas experiências de luta e resistência, aprofundar nossa reflexão conjunta, avaliar nossa Quarta Ação Internacional, nos organizaremos para nosso futuro como movimento e recarregaremos as energias para continuar nossa luta e nossa resistência.
Resistiremos, a partir das bases, aos embates do capitalismo patriarcal, racista e colonialista.
Resistiremos como nossa companheira Berta Cáceres, de Honduras, lider indígena e defensora incansável dos direitos das comunidades originárias em defesa de seus territórios, que neste mês foi brutalmente assassinada em sua casa.
Resistiremos como Pakize Nayir, Fatma Uyar e Sêve Demir, as companheiras curdas que foram presas e assassinadas pelas forças de segurança do governo turco.
Resistiremos como Máxima Acuña e Dina Mendoza que, no Peru, seguem enfrentando a brutalidade de uma mineradora transnacional que ameaça a água e as terras de suas comunidades.
Resistiremos como muitas outras mulheres de todo o mundo, anônimas, que a cada dia, desde suas casas e comunidades, lutam por seus direitos e em defesa de outras mulheres.
Seguiremos resistindo sempre! As armas, o poder patriarcal e opressor não vão nos calar!
8 de março de 2016

As reflexões e práticas feministas caminham juntas

As reflexões e práticas feministas caminham juntas

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*Por Tica Moreno e Nalu Faria
O feminismo que se orienta pela construção de um mundo no qual a igualdade seja um princípio organizador costuma sempre alertar que as conquistas das mulheres não percorrem um caminho linear. Nos anos 1990, quando prevalecia uma visão triunfalista sobre os direitos das mulheres, sobretudo em espaços internacionais pautados pelas Nações Unidas, alertamos que o mercado estava reorganizando a vida das mulheres e isso nos colocava novos desafios . Nos anos 2000, mudar o mundo e mudar a vida das mulheres, ao mesmo tempo, foi a visão que orientou a construção de agendas políticas que colocaram o feminismo no centro das lutas contra o neoliberalismo e o livre comércio na América Latina. Para isso, as mulheres se posicionaram no debate econômico ao reivindicar a valorização do salário mínimo como uma agenda feminista e impulsionaram uma ofensiva contra a mercantilização do corpo e da vida das mulheres baseada na auto-organização, na retomada da mobilização e em práticas feministas de ocupação de espaços públicos, com batucadas e intervenções urbanas. A diversidade das mulheres que protagonizaram estes processos é sem dúvida uma marca da construção deste feminismo anti-sistêmico, não institucionalizado e militante no Brasil.
Olhar para esse processo de construção nos ajuda a refletir sobre o momento em que vivemos hoje. Ao longo de 2015, a Marcha Mundial das Mulheres realizou sua quarta ação internacional. No Brasil, a ação se realizou de forma descentralizada passando por 10 estados diferentes, conectando as resistências das mulheres frente ao avanço do capitalismo patriarcal sobre os nossos corpos, trabalho e territórios. Com o eixo “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, esta foi uma ação de formação política e mobilização para denunciar as causas que nos oprimem e nos discriminam como mulheres em todo o mundo. Descentralizada, a quarta ação permitiu fortalecer as resistências e alternativas das mulheres, conectando a resistência das indígenas contra o genocídio e o agronegócio no Mato Grosso do Sul, com a das trabalhadoras rurais que enfrentam a mineração em Minas Gerais. Também conectou as estratégias das mulheres para garantir a autonomia sobre seu corpo no Rio Grande do Sul, ao enfrentamento à violência sexista no Ceará e na Paraíba; a construção da agroecologia no Rio Grande do Norte se conectou com a luta por autonomia econômica em São Paulo e a denúncia da exploração do trabalho das mulheres pelas empresas transnacionais nas 24 horas de solidariedade feminista.
Este também foi o ano em que a Marcha das Margaridas reuniu mais de 70 mil mulheres do campo, das águas e da floresta em sua quinta edição, afirmando que a crise não se resolve com ajuste e sim com mais investimento na geração de igualdade e políticas públicas. Pouco tempo depois, o feminismo ocupou as ruas de muitas cidades para denunciar o conservadorismo misógino que toma conta do Congresso Nacional, e a Marcha das Mulheres Negras levou novamente o feminismo para as ruas de Brasília. Ainda que algumas análises sobre essas recentes lutas feministas insistam em dizer que esse é um fenômeno novo, é inegável que trata-se de um processo de acúmulo político do feminismo que conecta diferentes gerações políticas e diversas mulheres em movimento.
Em luta por autonomia sobre nossos corpos e nossas vidas, já denunciávamos a onda conservadora que se intensificou neste ano, e estas mobilizações permitem afirmar que a resistência que já estava em construção também se intensificou.
Olhar para as iniciativas legislativas facilita a compreensão de que o conservadorismo está em uma ofensiva articulada, que passa pela retirada dos direitos com a terceirização, pela legitimação do encarceramento e genocídio da juventude negra com a redução da maioridade penal, pelo avanço do capital sobre os territórios do novo código mineral ou dos entraves colocados pelo agronegócio à demarcação das terras indígenas, pela criminalização das mulheres em todas as iniciativas reacionárias referentes ao aborto, pelo reforço da heteronormatividade e da divisão sexual do trabalho com o estatuto da família, e a lista poderia ir além. Essas iniciativas legislativas se encontram conectadas a expressões do conservadorismo na sociedade, seja na banalização da violência nos espaços públicos e privados, do controle e mercantilização do corpo e da sexualidade, no individualismo e consumismo como norma.
O feminismo há muito tempo tem contribuído para uma compreensão ampliada da política para além da institucionalidade, e da economia para além do mercado. Já sabemos que a história como é contada, a notícia como é produzida, a teoria como é sistematizada costuma ser enviesada e ter como referência a experiência de uma pequena parcela de homens da elite, em sua maioria brancos, para sedimentar uma visão de mundo que exclui uma parcela grande da população do poder, da fala, do lugar de sujeitos. Corremos o risco de que visões estreitas sobre o conservadorismo, mesmo na esquerda, secundarizem ou ocultem os ataques que as mulheres, a população negra, as lésbicas, gays, bissexuais e transexuais vem sofrendo, assim como o risco de que a força de suas resistências não sejam reconhecidas como fundamentais para enfrentar os retrocessos que ameaçam a nossa sociedade de forma geral.
(…)
A cultura feminista como estratégia de ocupação dos espaços públicos pelo feminismo irreverente e criativo também foi uma marca da quarta ação internacional da Marcha Mundial das Mulheres neste ano. As praças de diversas partes do Brasil foram ocupadas: por mulheres latino-americanas que cantaram e batucaram em luta pela legalização do aborto na fronteira do Brasil com o Uruguai, por mulheres negras que ocuparam as praças contra a violência e a militarização da vida e dos territórios no Rio de Janeiro, e na Virada Feminista Agroecológica e Cultural que afirmou, em Mossoró, no Rio Grande do Norte o mundo que as mulheres já estão construindo, costurando resistências, reflexões e práticas de transformação feminista.
As reflexões e práticas caminham juntas: as mulheres resistem e, a partir destas resistências cotidianas, distribuídas mas também conectadas constroem experiências concretas de transformação feminista.

*Tica Moreno e Nalu Faria são militantes da Marcha Mundial das Mulheres em São Paulo e compõem a equipe da SOF Sempreviva Organização Feminista. Este texto foi extraído da introdução da edição de 2015 dos Cadernos Sempreviva, intitulado “Reflexões e práticas de transformação feminista” e disponível para download.

domingo, 6 de março de 2016

Agenda feminista em tempos de ataques, ameaças e retrocessos

por Maria do Carmo Bittencourt*
 
Neste o 8 de março de 2016, o movimento de mulheres e feminista costuma reavaliar suas bandeiras de luta para o próximo período. Depois de um ano, onde vimos os direitos das mulheres, da juventude e dos trabalhadores e trabalhadoras duramente atacados por projetos retirados das “gavetas” mais obscuras do Congresso Nacional.  2015 , ano em que a mídia atacou, e continua atacando, duramente a ordem democrática do governo recém-eleito, numa aliança com as elites locais e internacionais com objetivos de administrar a crise econômica internacional com a crise política e institucional, distribuindo assim as perdas pelas classes médias e populares e tornando a crise do capitalismo em mais uma forma de ganho.
Dentro desta análise de conjuntura, as feministas da Marcha Mundial de Mulheres apresentam nossas lutas históricas e respostas aos desafios colocados e recolocados na vida das mulheres.
Aborto legal, seguro e gratuito, garantindo o direito de decisão autônoma das mulheres. Com o debate da microcefalia e a possibilidade de novas decisões do STF sobre abrir mais um caso de aborto legal por decisão judicial, as feministas retornam as ruas e rechaçam a redução do debate da legalização a uma ação de eugenia. Vemos faixas e cartazes pelo Brasil inteiro dizendo: Educação Sexual para decidir / Anticoncepcional para prevenir / Aborto Legal e Seguro para não morrer.
Apontamos também a centralidade da luta contra a Reforma da Previdência Social. Esta ameaça veiculada pela imprensa burguesa e, também, na fala concreta de setores do governo de que existe já uma reforma pronta e orientada pela visão do mercado. Defendemos que a Previdência Social seja universal, um direito de todos e todas não só dos que contribuem diretamente, solidária, amplie e se assente como uma forma de transferência de renda e inclusão social e redistributiva, como uma forma eficaz de redistribuir a riqueza acumulada dentro do sistema capitalista.
Para as feministas a liberdade e a igualdade só existem de verdade se atingir a todas e todos. A desigualdade e a violência andam juntas, isso é visível nos dados recentes de violência aqui no RS, apesar do número de casos de violência contra mulher terem diminuído (verdade Sartori?), vemos o número de assassinatos aumentando, em todas as cidades. Crescem os índices nos pequenos municípios ao mesmo tempo que diminuem os serviços públicos, muitas mulheres sofrem com a violência doméstica, assédio e com a sobrecarga do trabalho doméstico e de cuidados, com o racismo, a falta de creches, de acesso a saneamento básico, moradia, alimentação adequada e transporte público de qualidade.
Somos mulheres em luta, em marcha e mobilizadas contra a violência machista no campo e nas cidades, nas casas, nas ruas, nas empresas e roçados, em luta para compartilhar o trabalho doméstico e pela socialização dos cuidados. Em luta por autonomia econômica e social, para romper as engrenagens do patriarcado, do racismo e do capitalismo, estruturas que andam juntas, coordenadas e articuladas num sistema complexo de dominações que e exigem de nós muita clareza e a construção de novas alianças e formas de lut.

 Maria do Carmo Bittencourt é militante da Marcha Mundial das Mulheres e Assessora da Rede de Economia Solidária e Feminista
Publicado no JornalismoB

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Agenda do 8 de março 2016 - Vamos participar!!

Companheiras,
Neste ano de 2016, como em todos os anos, procuramos estabelecer uma agenda de mobilizações e formação da MMM em conjunto com os outros movimentos no estado e nas cidades onde temos núcleos organizados.

Pedimos que os núcleos postem nas lista suas atividades.

Aqui em Porto Alegre, estamos em construção de um 8 de março plural com os diversos movimentos feministas e de mulheres da cidade.
Sabemos que a programação é extensa e decidimos colocar aqui só a agenda prioritária onde estamos na construção da atividade.

04/03 - Painel - Os movimentos feministas no contexto da luta de classes - 9h na sede da CUT RS


06/03 - 10hs domingo no parque da Redenção - Ocupa Redenção com Banca da MMM  (com novidades) 
            Oficina Feminismo e Arte: Resistência das Mulheres nas Cidades
Local: Expedicionário


07/03 -  18h30m - Filme no CineBancários 
            Retratos de Identificação de Anita Leandro


08/03 - Concentração das mulheres do campo e da cidade (MMM, Levante da Juventude, MTD, Via Campesina)
- 15:30 ao lado do INSS (atrás da Prefeitura)
- 16:30 Ato contra a Reforma da Previdência
- 17h - Ato e caminhada do 8 de Março - ENCONTRO NA PRAÇA DA ALFÃNDEGA
             Unidas em Defesa da Democracia, Contra a Retirada de Direitos
             Por mais Poder para as Mulheres, Por mais Mulheres no Poder
Local: concentração, na Praça da Alfândega, rumo a Esquina Democrática numa ciranda feminista - as 18h


9/3 - 18h30m = Filme Malala parceria com o CineBancários



10/3 - 14h - Oficina Feminismo e Arte na comunidade do Humaitá/navegantes - Parque Mascarenhas de Moraes
           14h - Seminário da Procuradoria da Mulher da ALERS e TJRS, com a presença da Maria da Penha; local á confirmar.


10/03 - 18h Seminário em Solidariedade ao Povo Curdo - com participação de Melike Yasar do Movimento internacional de Mulheres Curdas. 
           Local: Sindicato dos Bancários

11/03 - Mulheres Gaúchas dialogando com Maria da Penha
das 14h às 18h - Auditório do foro Central 

12/3 - 9h30m - Dabete no Sindibancários em Osório



Aguardamos todas vocês!



Vamos falar de feminismo na escola: do shortinho à precarização do trabalho das professoras

*Por Cíntia Barenho e Vanessa Gil
Policial mede o tamanho da roupa de banho de mulheres na praia, para garantir que sejam compatíveis a regulação da época em Palm Beach (1925)
Policial mede o tamanho da roupa de banho de mulheres na praia, para garantir que sejam compatíveis a regulação da época em Palm Beach (1925)
Vai ter Shortinho Sim! Essa nova palavra de ordem mobiliza a volta às aulas 2016 no Rio Grande do Sul. O debate sobre as proibições de determinadas roupas para as meninas é um debate antigo em várias escolas, mas ganhou visibilidade nas mídias e redes sociais através de uma ação feita pelas estudantes do Colégio Anchieta (particular e católico). Elas estão pressionando a direção do colégio para poderem usar short durante o verão de “Forno Alegre”. Nomanifesto, em forma de abaixo-assinado virtual, que já tem milhares de assinaturas, vemos alguns dos porquês dessas gurias. Ao nosso olhar de feministas, fica evidente que essa mobilização não trata apenas de usar ou não shortinho no ambiente escolar. Vai além dos lemas do feminismo liberal ‘meu corpo minhas regras’. Estão questionando a cultura do Estupro, o modelo de Educação, o Sistema Patriarcal.
A escola, o ensino formal, está construído para “ensinar” como as meninas devem de comportar, como as professoras e funcionárias devem se comportar. Há regras implícitas e explícitas para todas as mulheres dentro da escola. Uma delas é a imposição das vestimentas ditas ideais para todas essas mulheres. Caso não estejam dentro das regras, são humilhadas, forçadas a mudar de roupa e, caso não aceitem tal imposição, devem sair da sala de aula. Não é incomum que a professora seja questionada sobre o uso de leggings ou outra vestimenta que marque o corpo. Assim, o Patriarcado garante, aos meninos e professores homens, um ambiente de aprendizagem e ensino livre de “distrações”, algo muito mais importante para o sistema que meninas estudando e questionando suas regras ou professoras vestidas confortavelmente para enfrentar até três turnos de trabalho em um dia. Para ficarmos só nesse exemplo de como atua o patriarcado por lá. O manifesto construído por adolescentes de 13 a 17 anos podia ser todo reproduzido aqui, mas ele nos move a questionar mais. O que mais poderia e deveria nos mobilizar em relação à Educação e ao Feminismo? O que anda acontecendo com as mulheres no âmbito do Ensino Público no Rio Grando do Sul? O que o Patriarcado anda fazendo em relação a vida das professoras no âmbito do trabalho, carga horária, entre outras coisas? Tudo isso tem uma ligação.
A Escola é uma das instituições que dão sustentação ao Estado patriarcal e ao sistema Capitalista. Cada vez mais se educa para o mercado de trabalho e cada vez menos para o pensamento crítico. Na volta às aulas no Rio Grande do Sul, toda a comunidade escolar foi surpreendida com duas decisões da Secretaria Estadual de Educação que ferem diretamente o direto das/os trabalhadoras em educação. O primeiro deles é o aumento do número de horas em sala de aula. Se a lei fosse cumprida, para cada jornada de 20hs, 13 seriam cumpridas em sala de aula e as demais seriam destinadas a trabalho horas atividade (correção de provas e trabalhos, elaboração de aulas, formação das/dos docentes). Parece muito, mas não é. Preparar uma aula leva tempo, exige pesquisa e estudo. Professoras/es não são máquinas, não guardam todos os conhecimentos numa caixinha e precisam averiguar a atualidade dos temas que propõem às alunas e aos alunos. O governo exige que 16 horas (relógio) sejam destinadas a sala de aula. Como uma professora de sociologia, por exemplo, que possuirá até 32 turmas, com média de 30 estudantes, pode dar conta de todo o trabalho em oito horas horas (considerando carga horária de 40hs)? É um dia para planejar, pesquisar, corrigir e ainda fazer algum formação. Impossível não baixar drasticamente a qualidade das aulas com tão pouco tempo para prepará-las. São 960 alunos, em média. Imagine você tendo um dia apenas para ler 960 provas, trabalhos e ainda pensar nas aulas da próxima semana. Além disso, o magistério público estadual está composto por mais de 80% de mulheres. Sabemos que o tempo destinado ao trabalho doméstico pelo sexo feminino é o dobro do que os homens destinam. Ou seja, para essa categoria, aumentar a carga horária em sala de aula é jogar mulheres em condições de adoecimento e níveis inimagináveis de estresse. Tudo em nome do enxugamento das contas públicas, enquanto juízes recebem mais de sete mil reais de auxilio moradia e uma professora com pós-graduação pouco mais de dois mil.
Não bastasse o descumprimento do pagamento do piso, o desrespeito a carga horária, o parcelamento dos salários, o atraso no pagamento das férias, o governo também decidiu (arbitrariamente e sem consultar a população) instituir a obrigatoriedade da oferta de ensino religioso nas escolas. Tal decisão fere, inclusive, a constituição federal que determina a laicidade do Estado. Para tanto, as escolas estão tendo que diminuir carga horária de outras disciplinas e a opção tem sido cortar em sociologia e filosofia. A Idade Média insiste em manter-se próxima.
Sabemos que o argumento de que a disciplina abordará a diversidade religiosa brasileira é falacioso, pois os setores conservadores cristão encamparam essa luta dentro do governo estadual e federal. Basta lembrar a retirada dos temas de diversidade sexual dos planos nacionais, estaduais e municipais de educação. Na prática, o cristianismo será o tema dessas aulas. Além disso, diversidade religiosa já é um tema tratado na filosofia e sociologia. Não existe razão para a existência dessa disciplina além de transformar a escola num espaço de disseminação da fé cristã.
Assim, a escola, o local onde todas e todos julgam ser o lugar do conhecimento e do ensino, segue sendo o lugar onde se produz e reproduz violência. Onde a religião é imposta como ciência, onde a mesma moral religiosa que reforça o lugar da mulher na família tradicional e a faz arcar com a maior parte do trabalho doméstico e de cuidados regula a vestimenta das mulheres para que sigam temendo os homens e se culpando pela violência que sofrem. A volta do ensino religioso como disciplina reforçará ainda mais a lógica patriarcal que impõe às mulheres a dupla e tripla jornada de trabalho e culpabiliza meninas pelo assédio que sofrem cotidianamente. Qual a razão da proibição do debate de gênero e diversidade sexual e a obrigatoriedade do ensino religioso se não reforçar o papel da mulher na família tradicional cristã? Assim, seguiremos com altas jornadas de trabalho nas escolas e com as mesmas responsabilidades dentro de casa, formando outras mulheres na escola, através da religião, para que sigam esse caminho e assim sustentemos a superexploração da fora de trabalho feminina, cada vez mais precarizada pelo capitalismo. A história já demostrou que sem o trabalho não pago executado pelas mulheres no âmbito doméstico o sistema capitalista e patriarcal não se sustenta. Mas visamos: resistiremos!!
*Cíntia Barenho é professora de Ecologia e Educação Ambiental; Vanessa Gil é professora de Sociologia. Ambas são militantes da Marcha Mundial das Mulheres no Rio Grande do Sul.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Nota de repúdio e indignação pela votação da retirada da expressão “perspectiva de gênero”


 
Marcha Mundial das Mulheres vem a público manifestar seu repúdio e indignação pela votação da retirada da expressão “perspectiva de gênero” como uma das atribuições do recém-criado Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos em votação realizada no dia 18/02 sobre o texto base da Medida Provisória 696/15 no Plenário da Câmara dos Deputados.
A criação da SPM em 2003 respondia justamente à demanda de que o Estado brasileiro finalmente reconhecesse seu papel no enfrentamento às desigualdades entre homens e mulheres na sociedade, no sentido de alterá-las. 
A emenda apresentada pelo deputado Roberto Alves (PRB-SP), esvazia os objetivos centrais da Secretaria no que se refere à promoção da igualdade entre homens e mulheres e ao combate a todas as formas de violência, discriminações e preconceitos.
Esse posicionamento expressa a misoginia e o machismo que emana do Congresso brasileiro e que precisa ser combatido pela sociedade.
O papel do Legislativo deve ser justamente de propor políticas que promovam a igualdade na sociedade e que combatam a violência e o racismo e os preconceitos. Estes setores estão aproveitando o momento de crise para penalizar a classe trabalhadora em especial a retirada de direitos das mulheres.
Exigimos que o executivo, ao contrário, reforce a perspectiva de gênero em todos os programas e ministérios como já aprovado nas 3 Conferências Nacionais de Políticas para as Mulheres realizadas no país e referendadas nos Planos Nacionais de Políticas para as Mulheres.

Em Marcha até que todas sejamos livres!
Marcha Mundial das Mulheres
Fevereiro de 2016.

MEC Minist. da Educação e Secretarias Educação dos Municípios Brasileiros: Que seja retirado a proibição do uso de short




Milhares de meninas estão sendo "coagidas", "ameaçadas", "retiradas das salas de aula", "vulgarizadas", "caluniadas" entre outras agressões psicológicas devido ao uso de shorts nas escolas.

Muitas destas já se juntaram e fazem manifestações, a grande maioria apoia elas mas nada será o bastante enquanto não fizermos uma petição de comoção nacional. Porque as pernas das meninas estão sendo sexualizadas? Pernas não são órgãos sexuais e muito menos meninas precisam escondê-las.

Hoje minha filha e outras meninas foram "coagidas" e "ameaçadas" na escola, onde foram "retiradas" da primeira aula, sendo impedidas de assistir a mesma. 
É lamentável ainda haver machismo primitivo perante "educadores". Mais lamentável ainda colocar a vestimenta de uma pessoa em primeiro lugar do que a educação e vulgarizando...
E se não bastasse ainda, foi dito que se elas forem de short amanhã fará prova na Biblioteca (como se fosse um castigo a prova e não um meio de aprendizagem e avaliação não só do aluno, como do Educador e até mesmo Escola).Sexualizam pernas de meninas como se fosse órgão sexual, claro que é só nas pernas das meninas!!! 

Seria bom que ao iniciar o ano já tivesse uniforme para todos os alunos, mas não é bem assim que acontece. Sabemos da dificuldades do Município e as nossas como pais também.

Mas eu não vou mandar minha filha com calças para escola e bermuda comprida. Porque ela não tem que se envergonhar das pernas não, nem ela e nem outra menina ou mulher. 
Na verdade é uma peça feminina utilizada no verão.

Minha filha vai com roupas que ela tem em casa e apropriada com o clima, além da única blusa do uniforme que tem devido a crescer muito e deixar de servir rápido, quando chegar o uniforme ela usará como sempre a blusa e o short até o mesmo servir. Mas agora ela vai com o que ela tem.

Short com dois palmos acima do joelho já está de bom tamanho. 

Como nas foto acima, isso é algo indecente????

Mães e alunas vamos parar e refletir sobre isso, pois estamos oprimindo nossas filhas, que já não gostam muito de ir na escola e ainda por cima sofrem ameças por puro machismo!!!

Veja estes dois links que debatem melhor o assunto para ajudar na sua reflexão:


http://revistacult.uol.com.br/home/2015/09/educacao-para-o-machismo/

http://oglobo.globo.com/sociedade/alunas-de-escola-particular-do-rio-se-manifestam-pelo-direito-de-u.....

https://www.change.org/p/col%C3%A9gio-anchieta-vai-ter-shortinho-sim?tk=7hohCgiEISwCvt2SFWarWJUX_YiiEerrEqwAIJipt8I&utm_medium=email&utm_source=signature_receipt&utm_campaign=new_signature


Assine aqui:

https://secure.avaaz.org/po/petition/MEC_Minist_da_Educacao_e_Secretarias_Educacao_dos_Municipios_Brasileiros_Que_seja_retirado_a_proibicao_do_uso_de_shorts_/?tvfVNbb

Enviado pela Avaaz em nome da petição de Drucila