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sábado, 29 de agosto de 2020

Economia Feminista: difusão das oficinas produtivas de sabão

Mulheres do coletivo Dandara da Ocupação Urbana Zumbi dos Palmares (Humaitá - POA) e mulheres do coletivo Mães de Periferia (Esteio) chamam todas as mulheres de suas comunidades a participarem da oficina de produção de sabão, com objetivo de organizarem formas de geração de renda baseadas na solidariedade, reciclagem, ecologia, cooperação e feminismo. 

Após oficina em parceria com o Sabão da Terra , o conhecimento adquirido é compartilhado com moradores das comunidades, aumentando a rede de mulheres que produzem de forma autônoma e auto-organizada outra forma de fazer economia. 

O conhecimento de produção de sabão a partir de óleo vegetal reutilizado é antigo e geracional. Sua produção promove a reciclagem dos óleos usados e das formas plásticas de uso cotidiano (potes de margarina ou garrafas pets), fortalece as redes comunitárias a partir do trabalho coletivo de coleta de materiais e do trabalho auto-gestionado, gera renda e autonomia. O sabão é produto essencial para as tarefas cotidianas de cuidado, além de combater contaminação por microorganismos prejudicais a saúde humana como no caso do Covid-19.

Esta ação faz parte das Ações de Solidariedade Feminista organizadas desde o ínicio da pandemia, pela Marcha Mundial das Mulheres RS.

Todas as participantes devem se proteger, utilizando máscaras, óculos, alcool gel e manter distanciamento mínimo umas das outras.


Oficina na Ocupação Zumbi a acontecer dia 13/09/2020



Oficina em Esteio realizada em 26/08/2020


  • Sabão da Terra - https://www.facebook.com/terrasabao/
  • Mães de Periferia - https://www.facebook.com/esteioRS/
  • Coletivo de Mulheres Dandara - https://www.facebook.com/Coletivo-de-Mulheres-Dandara-107948117704127/


VÍDEO - Mães da periferia oportunizando geração trabalho e renda e consumo pessoal: https://pt-br.facebook.com/MarchaMundialRS/posts/4553149694710190?__tn__=-R

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Crítica feminista ao poder corporativo - livro virtual e série de animações


 


Está no ar Crítica feminista ao poder corporativo | livro virtual e série de animações

O material faz parte do processo da 5ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, que tem a denúncia das empresas transnacionais como um eixo central. A organização e produção dos materiais contou com o aporte de companheiras da Marcha Mundial das Mulheres do Brasil, da SOF Sempreviva Organização Feminista e de integrantes do Comitê Internacional da MMM, além das contribuições organizadas em debate regional das Américas.

 O livro reúne artigos sobre a precarização e digitalização do trabalho, a exploração da natureza e a mercantilização do feminismo. Os artigos são de Nalu Faria, Marianna Fernandes, Tica Moreno, Natália Lobo e Taís Viudes. O livro está disponível para baixar em português e em espanhol.

As animações introduzem o funcionamento do poder corporativo a partir de três setores (a indústria têxtil, a alimentação e o digital), e colocam também as nossas propostas feministas alternativas. Estão disponíveis no Youtube em português, espanhol, inglês e francês.

 Esses materiais tem como objetivo fortalecer o feminismo anticapitalista e antirracista, construído pelas mulheres que, em movimento, resistem para viver, e marcham para transformar. Leia, assista, compartilhe!

Para saber mais, acesse também a notícia que elaboramos para divulgar o material.

 

domingo, 26 de julho de 2020

25 de julho - Dia da mulher negra latino-americana e caribenha, por Jheiny Carolina*




O mês de Julho é muito significativo para nós, mulheres negras, mês que marca nossa luta e resistência diária. Somos alvos, sofremos com o racismo e machismo estrutural e institucional, que ascende e vem sendo fortemente legitimado nos últimos anos.  E hoje, dia 25 de Julho, é uma data importante para as mulheres negras, data que marca a luta e resistência na Americana Latina, Caribe e no Brasil. É dia de Tereza de Benguela, mulher, negra, escravizada e líder quilombola, que representa com nitidez a força, resistência e luta das mulheres negras. Hoje somos Lei.


Mesmo o mês de Julho sendo marcado pela resistência das mulheres negras, não deixamos de ser alvos, não deixamos de ser violadas pelo estado opressor, racista, machista, LGBTfóbico, sexista e capitalista, que nos explora e oprime diariamente. Somos resistência a tantas décadas e ainda sim precisamos nós reafirmar nos espaços, e mesmo assim, seguiremos lutando e não deixando que nos calem ou apaguem nossa história


Historicamente somos exploradas e desvalorizadas, e o que aconteceu no passado ainda reflete nas nossas formas de socialização. Segundo o IBGE, apenas 10% de mulheres negras concluíram o ensino superior em 2018, sendo que as mulheres brancas se formam 2,3% mais que as mulheres negras. Nós, recebemos menos da metade do salário de um homem branco, o equivalente a 42%. Há muita luta a ser feita para que, assim, como nossas antepassadas fizeram por nós, assim, como Tereza fez por nós, que sigamos fazendo pelas mulheres que ainda virão, que sigamos sendo sinônimo de luta.


Os dados representam de forma nítida o nosso passado e esse reflexo que, infelizmente, ainda é violento e excludente. Por isso, ainda seguimos em marcha, por isso ainda é necessário outros 25 de julhos, por isso é necessário seguirmos lutando pela nossa permanência na universidade e conclusão dos estudos, por um salário justo. Seguimos em marcha pela nossa valorização no mercado de trabalho, para que se avance nas conquistas da população negra. É pela vida das mulheres, das mulheres negras. Seguimos para quebrar os obstáculos e as sobrecargas que dificultam a concretização dos planos para nossos futuros.




Seguiremos até que todas sejamos livres.
Seguiremos por Tereza de Benguela.
Seguiremos por Marielle.
Seguiremos por Agatha.


*Jheiny Carolina é Diretora de Mulheres da UEE RS, militante do Enegrecer e estudante de Geografia na UFSM, Técnica em Eventos pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense, militante feminista da MMM RS



sexta-feira, 24 de julho de 2020

Porque a luta antirracista também é nossa, mulheres marchantes, por Bruna Letícia*

O dia 25 de julho é o dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. A data é um marco para a visibilidade da luta e resistência de Mulheres Negras, além de chamar atenção anualmente para as problemáticas sociais que fazem parte da vida dessas mulheres. O dia 25 de julho, foi escolhida no ano de 1992, em um encontro entre 32 países da América Latina e do Caribe, promovido na República Dominicana. Em junho de 2014 a Presidenta Dilma sancionou via decreto de Lei o dia 25 de julho como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra no Brasil.

Apesar da invisibilidade, ora quebrada, da contribuição política, intelectual e das experiências sociais de mulheres negras, pela busca histórica de outras possibilidades de existir desde a instauração de territórios colonizados por meio da escravização, mulheres negras acumularam ações e saberes que romperam as fronteiras dos Estados-Nações, e hoje, nos servem de base para a prática política da busca por igualdade. É histórica a ação de mulheres negras tendo em vista a ocupação e reivindicação do Estado pela conquista de direitos. Costumo dizer que nossos passos em direção às políticas públicas vêm de longe.  

Se voltarmos o nosso olhar através de uma perspectiva de gênero para o processo de construção das Abolições nas Américas ao longo de todo o século XIX, veremos que a centralidade do processo da conquista de liberdade, assim como, da manutenção da escravização por parte dos escravistas, esteve colocada no corpo das mulheres e na luta travada pelo direito de posse sobre seus próprios corpos, principalmente seus ventres. Isso torna a experiência de mulheres negras interseccional, ou seja, houve uma construção de gênero para as mulheres negras que perpassou pela exploração biológica de seus corpos para a implementação e manutenção do sistema econômico, unindo, dessa forma, gênero, raça e classe. Esse processo está muito bem colocado no primeiro capítulo de Mulheres, raça e classe de Angela Davis.

Como sabemos, o sistema capitalista na América colonizada, foi implementado sob a base escravocrata, ou seja, houve uma sofisticação e readequação do modo de exploração do trabalho que já estava estruturado pela escravização. Assim, as construções sociais do corpo biológico é que determinam o modo como o trabalho será explorado, e mais do que isso, como essas as vidas negras e brancas serão tratadas na sociedade vigente. Isso explica as mulheres negras serem as que mais exercem a função de empregada doméstica, as que recebem os menores salários, as que mais exercem o trabalho informal, as que mais perderam empregos em tempos de crise, e as que mais demoram para se recolocarem em vagas registradas pela CLT. E, ainda, nós mulheres negras não somos reconhecidas pelo nosso trabalho intelectual para a luta política mesmo dentro das esquerdas.  

Contudo, a experiência histórica, social, intelectual e de luta das mulheres negras é de grande contribuição para nós, mulheres marchantes que compomos um movimento mundial feminista anticapitalista. A experiência de classe de mulheres negras, ou da exploração do trabalho de mulheres negras, é atravessada pelas construções de raça e gênero, dessa forma, expõem a lógica de funcionamento do sistema capitalista. Além da já citada Angela Davis, temos a contribuição de Lélia Gonzalez, importante intelectual brasileira sobre o tema.

Lélia Gonzalez, deixou de uma forma muito nítida, através de seus estudos que a observação das representações e da forma de exploração do trabalho exercido por mulheres negras nos dão chaves de interpretação sobre o racismo à brasileira, como a autora falava, que serve para a manutenção da exploração no atual sistema econômico. Como sempre nos lembra Angela Davis, não existe capitalismo sem racismo, pois esse é um dos pilares que estrutura todo o sistema, juntamente como o gênero, e sustenta a sua manutenção, ainda que, o racismo atue de maneira específica sobre a vida de mulheres, e também homens negros. Nesse ponto quero chamar a atenção, que, diante das necropolíticas instauradas pela presente fase do neoliberalismo, é necessário que ampliemos a discussão sobre a vida dos homens negros, exterminados e encarcerados diariamente diante de nossos olhos.  

Se somos mulheres feministas anticapitalistas e compreendemos que a exploração das vidas nesse sistema está alicerçada, mantida e estendida a todas e todos a partir da estrutura de raça, necessariamente somos e devemos ser mulheres antirracistas e assumimos e reafirmamos essa posição política na passagem do dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.

* Bruna Letícia dos Santos é Professsora e historiadora, militante feminista da MMM Caxias do Sul