quarta-feira, 14 de julho de 2010

Ativismo contra a violência: Basta de violência contra as Mulheres!


Mulheres, ativistas feministas do Rio Grande do Sul


A Lei Maria da Penha é um marco na tipificação da violência e na penalização do agressor.
Porém ainda não estamos seguras.
Precisamos acabar com o machismo, com a cultura que legitima o poder do homem sobre a mulher, a banalização da violência e do assassinato das mulheres pelos homens.

Estudo apontou que dez mulheres foram assassinadas por dia no Brasil em um período de dez anos. De acordo com o Mapa da Violência no Brasil 2010, com dados do Sistema Único de Saúde (SUS) entre 1997 e 2007, 41.532 mulheres morreram vítimas de homicídio no período - índice de 4,2 assassinatos por 100 mil habitantes. Apesar de as vítimas femininas estarem em número e proporção bem mais baixos do que os homens (92% dos homicídios), o nível de assassinato de mulheres no País está acima do padrão internacional.

Os dados no RS não são diferentes e não podemos ficar caladas.

Diante dos inúmeros casos que nos deixam indignadas todos os dias, nós feministas da Marcha Mundial das Mulheres estamos convidando a todas as mulheres, de todas as organizações do Rio Grande do Sul a sair as ruas. Queremos gritar BASTA!

Precisamos formar uma rede de vigilância contra a violência. Para isto estaremos nas ruas no dia 21 de julho, em vários municípios do RS. Vamos mostrar a sociedade que estamos formando um pacto de vigília permanente. Vamos denunciar todos os homens que agridem suas companheiras. Vamos botar a boca no trombone!

Basta de violência contra as mulheres!

Dia 21 de julho as 18 horas - concentração

2 HORAS DE VIGÍLIA CONTRA A VIOLÊNCIA! Local a definir em cada cidade do Estado.

Mandem a confirmação da agenda e uma responsável por cidade.

Temos confirmação de Porto Alegre, Esteio, Bagé, Torres, Caxias do Sul, Pelotas, Rio Grande e Cruz Alta.


Esteio -> frente ao Sindiplast - Rua dos Ferroviários, 119

Caxias da Sul ->
Praça Dante Alighieri, no centro

Pelotas - Calçadão da Sete de setembro, em frente ao Chafariz

Rio Grande - na Furg

Em Porto Alegre será na Praça da Matriz das 18h às 20h.


Vamos levar velas e fazer nosso protesto reunindo todas as organizações e movimentos da cidade, pelo fim da violência contra as mulheres.
Mãos a obra e boca no trombone!

Marcha Mundial das Mulheres-RS

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O silêncio e a impunidade são cúmplices da violência

Outro mundo é possível: Sem violência contra as mulheres.

Esta semana nos deparamos com duas notícias sobre violência contra mulheres que nos causa indignação por serem atos de violência, mas que nos deixa perplexas pela naturalidade como são tratadas. O dois episódios ocorreram na região Sul e têm em comum o fato dos agressores serem pessoas que exercem atividades de poder social , político e econômico: um é técnico em enfermagem de rede pública de saúde conceituada, um adolescente filho de um dos proprietários da RBS, a maior rede de comunicação da região sul e o filho de um delegado de polícia.
O primeiro ocorrido em 30 de junho de 2010, numa clínica de gastroenterología, situada em Porto Alegre envolve um técnico de enfermagem . A vítima, que por medida de segurança pediu sigilo do seu nome, relatou que após o procedimento de endoscopia acordou da anestesia e percebeu que estava sendo “bulinada”. Neste momento, o estuprador informou que daria uma nova dose de remédio, para passar o efeito do sedativo, em seguida a vítima dormiu e quando acordou estava sem uma perna da calça, com a calcinha enrolada para o lado e ele saindo de cima dela.
O segundo, que trouxe à tona o estupro de uma menina de 13 anos, em Florianópolis, Santa Catarina, foi descoberto a partir da troca de mensagens entre dois adolescentes em um site de relacionamento da internet. O crime aconteceu há 40 dias, mas a confissão do jovem de 14 anos, suspeito de ser um dos estupradores, foi o estopim para a história se espalhar pela cidade.
O jovem, que confirmou o estupro pela internet, é filho de Sérgio Sirotsky, diretor da RBS (Rede Brasil Sul de Comunicação), que controla jornais, rádios e as emissoras de tevê afiliadas da Rede Globo em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Além dele, outros dois adolescentes, um filho de um delegado da cidade e outro não identificado também teriam participado do estupro.
A repercussão do caso levou a RBS a divulgar uma nota, dia 2 de julho, publicada nos jornais do grupo. Assinada pelo presidente emérito do grupo, Jayme Sirotsky, e pelo presidente da RBS, Nelson Sirotsky, a nota reconhece o envolvimento “em ocorrência policial” de um adolescente “membro da terceira geração da família” e “lamenta a forma irresponsável, maldosa e fantasiosa pela qual o episódio vem senso propagado, principalmente em alguns sites e blogs na internet”.
E por fim, mas não pra encerrar o assunto, o Sr. Nivaldo Rodrigues, diretor da Polícia Civil de Florianópolis declarou numa entrevista gravada que: "Eu não posso dizer que houve estupro. Houve conjunção carnal. Houve o ato. Agora, se foi consentido ou não, se foi na marra, ou não, eu não posso fazer esse comentário, porque eu não estava presente". Afinal, todas sabemos que é crime manter relações sexuais com menores e a legislação afirma que é “estupro presumido” mesmo que, não é o caso, tivesse sido consentido.
Diante disso, nós, organizações do movimento feminista, de movimentos sociais mistos vimos, por meio desta nota, manifestar nosso repúdio a todo e qualquer ato de violência contra as mulheres e exigir que as autoridades se empenhem na apuração dos acontecimentos e na punição dos responsáveis.
É deplorável que um homem com o poder que tem enquanto dono da RBS em vez de criticar a atitude de um membro de sua família que comete um estupro se preocupe em lamentar “a forma irresponsável, maldosa e fantasiosa pela qual o episódio vem senso propagado, principalmente em alguns sites e blogs na internet”.
É preocupante ver como os setores conservadores ao mesmo tempo em que se empenham para aprovar leis retrógadas como o estatuto do nascituro que, entre outras, proíbe o aborto em casos de estupro se mantém em silêncio sobre casos como estes.
Por isso:
Denunciamos o descaso das autoridades com a palavra das mulheres, deixando impune a violência contra as mulheres;
Denunciamos a violência sexista, a mercantilização do corpo das mulheres, além da exploração que os meios de comunicação comerciais fazem da imagem da mulher;
Exigimos que o Conselho Regional de Enfermagem se empenhe na apuração deste caso, e tome as medidas cabíveis para que outras mulheres não sejam violentadas e estupradas;
Exigimos que a Lei Maria da Penha e o Pacto Nacional pelo Fim da Violência Contra as Mulheres sejam efetivamente colocados em prática;
Exigimos que os governos e os judiciários atuem de forma incisiva e imparcial para prevenir e punir a violência contra as mulheres;
Marcharemos pelo fim de todas as formas de violência contra as mulheres.
Violência contra as mulheres: tolerância nenhuma!

SECRETARIA DA MULHER TRABALHADORA DA CUT
SECRETARIA DE MULHERES DA CUT/RS
MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES/RS
Sindicato dos Bancários do RS
Federação dos Bancários do RS
Sintrajufe RS
Urgeirm RS
Simpe RS

Sidisepe RS

domingo, 11 de julho de 2010

Cuidado, o machismo mata!


http://www.petitiononline.com/mulher8/petition-sign.html

Estupro nem pensar!


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Rede Record anuncia que acompanhará até o fim caso de estupro em Florianópolis

A Rede Record exibiu ontem no programa Domingo Espetacular uma reportagem especial sobre o caso do estupro de uma menina de 13 anos, em Florianópolis. Entre os acusados de cometer o crime estão o filho de um diretor da RBS e o filho de um delegado da Polícia Civil. Nesta segunda-feira à noite, a Record tratou mais uma vez do caso em seu telejornal nacional e anunciou que acompanhará o caso até o fim para averiguar “se a Justiça é a mesma para rico e para pobre no Brasil”. O advogado da família da vítima teme que os jovens envolvidos sejam levados para fora do país.

A repercussão do caso levou a RBS a divulgar uma nota, dia 2 de julho, publicada nos jornais do grupo. Assinada pela presidente emérito do grupo, Jayme Sirotsky, e pelo presidente da RBS, Nelson Sirotsky, a nota reconhece o envolvimento “em ocorrência policial” de um adolescente “membro da terceira geração da família” e “lamenta a forma irresponsável, maldosa e fantasiosa pela qual o episódio vem senso propagado, principalmente em alguns sites e blogs na internet”.

Inicialmente divulgado pelo blog Tijoladas do Mosquito, o caso agora passa a ter cobertura nacional pela Record.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Frida kahlo, Presente!

Nesse dia 06 de julho de 1907 nascia a feminista Frida Kahlo.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi52ToFOHgurr-TIQqPpNESftvILpdBLxn2y38uIlSSwpk8mNG3D8p-zPecneo1BlfyT98embfK5WlSI5hIf4OEW31iVwPv1mqVQ7E8wDEwtskLY31AxH8KADh9DjAmFTf5HbvtZygLCqg/s400/frida-kahlo.jpg

André Breton dizia de Frida Kahlo: “Não existe [pintura] mais exclusivamente feminina no sentido em que, para ser a mais tentadora, ela consente de bom grado em ser ora a mais pura, ora a mais perniciosa. A arte de Frida é uma fita ao redor de uma bomba”.

Por Tais Machado* via Ofensiva Contra o Machismo.

Assustador, não? Como compreender uma mulher como Frida Kahlo, como compreender uma mulher? E como entender a arte feminina?

Não serei eu de tamanha ousadia para tentar responder a tais questões. Além do mais, não quero estragar essa que pode ser uma aventura para os homens.

Não gosto de receitas prontas, aprecio a singularidade. E há tanto mais… enquanto as ignorâncias e preconceitos permanecem ganhando espaços. Mas, gosto da troca de impressões, do mistério, do refletir, estudar e dialogar.

Considerar as fitas que tentam colocar sobre bombas, ainda hoje, é no mínimo interessante. Em meio às nossas aventuras, vocações e buscas pela transcendência queremos encontrar a beleza. Como dizia Paul Tillich: “As religiões não são as únicas instâncias capazes de oferecer respostas (ou propostas) para lidarmos com a vida. A arte também é capaz, à sua maneira, de reencantar o mundo”.

Beleza, arte, aventuras e travessuras me parecem estar predominantemente ligadas. A própria Frida, em carta a um amigo, disse: “Há pouco, há alguns dias apenas, era uma criança que evoluía num mundo de cores, de formas duras e tangíveis. Tudo era misterioso e alguma coisa estava escondida: adivinhar do que se tratava era uma brincadeira para mim”. Anos mais tarde, Salvador Dali falou: “Em minha arte, obedeço a essa paixão do tesouro escondido”.

Mesmo nos cantos da vida procuramos encantos. Queremos nos aventurar e encontrar. O psiquiatra Paul Tournier escreveu um livro só sobre a aventura humana e coloca como instinto nosso tal sede. Ele comenta sobre as aventuras fictícias e as reais, e olha que nem tinha, à época, vídeogame, internet e todo o aparato tecnológico que apoia e estimula nossos desejos.

As trilhas que cada um segue têm riscos e têm a ver com escolhas pessoais, nem sempre assumidas. Como diria Tournier: “Uma aventura verdadeira tem sempre um caráter eminentemente pessoal e exige uma decisão totalmente pessoal”. Cada um enfrenta o mundo e seus juízos da maneira que acha mais adequada dentro de seu universo particular. Claro, há que se levar em conta o que bem disse Theodore Roszak: “No fim das contas, talvez seja o mau hábito dos gênios criativos de investir-se em extremos patológicos que produza insights notáveis, mas isso acaba não proporcionando nenhum modo de vida duradouro para aqueles que não conseguem traduzir suas feridas psíquicas em arte ou pensamentos expressivos”.

Tem gente que vive só de rascunhos, com medo de expor seus achados. E o medo pode levar pra bem longe a capacidade de bem se divertir. O lúdico escapa ao cotidiano e a vida vai ficando monocromática, de um jeito que só a melancolia ganha. Tem gente que despreza as “pequenas” escolhas e banaliza as oportunidades, perdendo reencantamentos tão próximos e possíveis.

Alguns enterraram o que ainda estava vivo – um verdadeiro crime. Outros não perceberam que o olhar adoeceu e desperdiçam a beleza singela, discreta em nossas esquinas. E há aqueles cuja forma enrijeceu a alma e já nem reverenciam o mistério em suas diversas manifestações.

Ai daqueles que não buscam respostas porque já nem ouvem as perguntas.

Taís Machado é psicóloga e docente em seminários teológicos.