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sexta-feira, 28 de agosto de 2020

LIVE DA VISIBILIDADE E RESISTÊNCIA LÉSBICA E FEMINISTA





No dia 28 de agosto, sexta-feira, às 18h, a Marcha Mundial das Mulheres fará uma transmissão ao vivo com a presença de lésbicas marchantes de várias partes do Brasil. Será um espaço de debate sobre as lutas das mulheres lésbicas, feministas, anticapitalistas e antirracistas para combater a política de morte, o conservadorismo e o neoliberalismo. Além do bate-papo, a live contará com intervenções artísticas. Anota na agenda!

A transmissão acontecerá no YouTube e no Facebook da Marcha Mundial das Mulheres:

Durante toda a semana, estamos divulgando vídeos e materiais com a tag #LésbicasContraBolsonaro. Compartilhem, divulguem, postem e usem a tag!
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sábado, 29 de agosto de 2015

29/08: Dia Nacional da Visibilidade Lésbica



Hoje, dia 29 de Agosto, é o dia Nacional da Visibilidade Lésbica, dia que marca a resistência das mulheres lésbicas no Brasil em busca de reconhecimento e igualdade. A data é referente ao dia do primeiro Seminário Nacional de Lésbicas (SENALE) que aconteceu em 1996 na cidade do Rio de Janeiro.

A luta por visibilidade não é apenas por um reconhecimento formal por parte do Estado, mas pelo direito de mulheres exercerem sua sexualidade livremente sem serem violentadas e oprimidas por isso. Enquanto por um lado avançamos em direitos, como a União Civil e precedentes para adoção, por outro lésbicas são expostas à violência (física e simbólica), estupros corretivos e ao fetichismo de sua sexualidade.

Na luta por igualdade, acreditamos a Educação ser uma ferramenta fundamental neste processo, pois dentro de escolas e universidades temos a possibilidade de desconstruir a heteronormatividade e o preconceito que afeta diretamente a vida de todas as mulheres lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, e ainda dita e impõem como e com quem devem se   relacionar. Precisamos consolidar as transformações previstas no Plano Nacional de Educação e garantir as discussões sobre gênero e sexualidade nas instituições de ensino, pois só assim conseguiremos barrar os setores conservadores e LGBTfóbicos da sociedade que tentam derrubar a todo custo este plano nos municípios e nos estados da federação.
A UEE-Livre esta ao lado das companheiras lésbicas, feministas, na luta por um mundo livre do machismo, do patriarcado e da lesbofobia, onde as pessoas possam estabelecer suas relações sexuais e afetivas sem dogmas ou preconceitos.

Por Marina Lehmann – Diretora de Mulheres da UEE Livre e Bruno Mendes – Diretor LGBT da UEE Livre.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A INVISIBILIDADE LÉSBICA TEM 364 DIAS POR ANO

A INVISIBILIDADE LÉSBICA TEM 364 DIAS POR ANO

O Dia Nacional da Visibilidade Lésbica é comemorado no dia 29, simbolizando a importância da luta das mulheres lésbicas, que sofrem com o machismo e com o preconceito em relação a sua sexualidade
Reprodução do site: http://bit.ly/1KgIfGJ
Reprodução do site:http://bit.ly/1KgIfGJ
Por Marcela Reis 
Neste sábado, 29 de agosto, o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica completa 19 anos. Mulheres lésbicas se auto-organizam durante toda semana que antecede a data para denunciar seu apagamento dentro da sociedade. Passados todos esses anos de luta, essas mulheres ainda precisam afirmar sua sexualidade, seus direitos, seus corpos e suas vozes todos os outros dias do ano.
“Esse dia é importante para nos lembrar que existimos, mostrar para a sociedade que fazemos parte dela e conscientizar outras mulheres da força que é ser lésbica e da resistência e afronta que isso significa”, conta Renata Alves, lésbica, gorda, periférica e militante feminista.
“Somos invisíveis diariamente e excluídas de todos os espaços. Somos alvo de violência e de machismo, nossa sexualidade é sempre questionada e a opressão que sofremos é naturalizada. Por isso é um dia importante”, afirma Rute Alonso, lésbica que integra a ONG União de mulheres de São Paulo.
A luta dessas mulheres por seus direitos específicos ganha um marco no dia 19 de agosto de 1996, quando aconteceu o primeiro Seminário Nacional de Lésbicas (SENALE), no Rio de Janeiro, marcando esse dia de luta contra a invisibilidade. Os sete dias que antecedem 29 de agosto são conhecidos como Semana da Visibilidade Lésbica. Em algumas cidades, acontecem oficinas e programas de saúde voltados para esse grupo de mulheres. “É essencial que as prefeituras organizem programações para lésbicas e que sejam debatidos temas relevantes, como saúde e inclusão no mercado de trabalho”, aponta Brenna Costa, lésbica, negra e gorda, que criou a página do Facebook Feminiciantes.
Opressões combinadas
De acordo com a pesquisa do Grupo Gay da Bahia (GGB) há em média um homicídio da população LGBT a cada 28 horas. Entre 1980 e 2010, foram assassinadas no país mais de 92 mil mulheres – o dado é do Mapa da Violência 2012, produzido pela FLACSO. E os dados específicos sobre violência contra as lésbicas no país? Não existem ou são rasos – o que reafirma a necessidade da invisibilidade das lésbicas ser pautada. Mas mesmo sem os índices, se olharmos em conjunto para as duas pesquisas citadas, podemos ver que o machismo e o preconceito contra a população LGBT são significativos, logo, as duas opressões combinadas têm um nome: lesbofobia.
“O machismo é o pai de toda a violência contra a humanidade, então a lesbofobia está diretamente ligada a essa opressão. Por isso que é importante nos mobilizarmos no dia 29: é uma maneira de mantermos nossas vozes vivas, lutar contra a invisibilidade e exigir direitos”, afirma Luana Hansen, lésbica, negra e periférica, que leva sua música de resistência para outras mulheres.
“A palavra ‘lésbica’ deve parar de ser vista como agressão. Usar o termo ‘lesbofobia’ é para tentar tornar visíveis as mulheres que vivem à margem da sociedade o tempo todo e que não são representadas”, explica Roseane Arévalo, lésbica, indígena e membro da Marcha Mundial de Mulheres.
Para Andressa Oliveira, que é lésbica, gorda, mãe e membro do coletivo da Revista Geni, “o dia 29 de agosto é fundamental para prevenir violência, exposição e assassinatos cometidos contra lésbicas”. E completa dizendo que pautar a lesbofobia é denunciar o apagamento e a marginalização dessas mulheres.
Invisíveis também no movimento
O movimento LGBT brasileiro nasceu no final dos anos 1970, predominantemente formado por homens homossexuais. A primeira sigla usada foi GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes), que era a expressão utilizada para denominar o que era destinado a esse grupo restrito dentro do mercado. A sigla evoluiu para GLBT e, após o Congresso Nacional de Lésbicas, Bissexuais, Gays e Transexuais de 2003, mudou para LGBT, devido às reivindicações feministas.
O nome mudou, mas a realidade não: o maior evento organizado pelo chamado movimento LGBT é conhecido como ‘Parada Gay’, nome que só visibiliza homens homossexuais. “Esse movimento não representa as lésbicas. Não tem espaço para nós, não há problematizações e pautas que nos contemplem enquanto mulheres” acredita Andressa.
Para Mara Minassian, lésbica e negra, que é também integrante da Marcha Mundial de Mulheres, a lesbofobia não está somente ligada ao machismo, mas também ao racismo – e que essas são as principais formas de opressão contra mulheres. Completa que “se assumir como lésbica é um ato político que ataca diretamente as estruturas heteronormativas”.
“Não somos lembradas pela sociedade, a lesbofobia ainda não é considerada crime e estamos lutando diariamente para garantir nossos direitos”, aponta Luana. Renata complementa: “somos totalmente apagadas em todos os espaços e por todos. As lésbicas estão sozinhas, somos apenas nós por nós mesmas e temos que ficar unidas”.
“Não posso andar na rua com a minha namorada sem sofrer machismo e o preconceito por sermos um casal lésbico. Não tem como separá-las, nós, lésbicas, sofremos as duas opressões”, aponta Roseana.
Políticas Públicas
Há cinco meses, o prefeito Fernando Haddad e a ministra de Direitos Humanos, Ideli Salvatti, inauguraram o Centro de Cidadania LGBT no Centro de São Paulo. Cerca de vinte psicólogos/as, advogados/as e assistentes sociais dão apoio jurídico e psicológico gratuitamente para vítimas de preconceito.
Rute trabalha no Centro de Cidadania LGBT e diz que raramente as lésbicas procuram ajuda nos equipamentos do Estado: “a invisibilidade e o machismo que sofrem é tão grande, que não se sentem sujeitos de direito, a opressão está naturalizada”.
Além disso, na cidade de São Paulo não existe um órgão do Estado que faça o recorte de sexualidade e gênero e cuide só das mulheres lésbicas. “Os atendimentos voltados para saúde na mulher são precários no serviço público, então imagine para lésbicas: muitas não consultam ginecologistas por medo de constrangimento”, conta Brenna.
Nos anos 80, com o avanço da Aids, começaram campanhas intensas pelo sexo seguro e pelo uso da camisinha masculina. As lésbicas são invisíveis até no combate às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs): existe a camisinha feminina, que não é distribuída em postos de saúde e nem vendida em todas as farmácias. Além disso, esse método de proteção é útil para algumas prevenções no sexo lésbico, mas não para todas – que mostra a invisibilidade também na pesquisa médica.
Mara relata que “geralmente, no atendimento ginecológico, quando falamos que não nos relacionamos com homens, a consulta acaba. A maioria dos/as médicos/as só faz o trabalho contraceptivo, e como não temos relação com homens, parece que não fazemos sexo e que não estamos sujeitas a ter DSTs ou outras doenças ginecológicas”.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Invisibilidade lésbica e nossas estratégias de resistência


Na calada da noite desta terça-feira (30), véspera do feriado de 1º de maio, o pastor deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que atende também pelo cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, colocou na pauta da próxima reunião do colegiado o projeto conhecido como “a cura gay”. A proposta pretende suspender as normas do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que proíbem profissionais da área de sugerir tratamento para curar homossexuais. Além disso, ele propõe que seja penalizada a discriminação contra heterossexuais. Em contraposição, um grupo de deputados criou a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos (FPDDH). Enquanto isso, uma onda de protestos pela retirada do pastor da Comissão toma as ruas de Brasília e de todo o país.
O post de hoje é coletivo: um sopro de realidade e de força, sobretudo pra estes tempos tão sombrios.
Ato do 8 de março de 2013 em São Paulo. Foto: FdE)
Ato do 8 de março de 2013 em São Paulo. Foto: FdE)
Invisibilidade lésbica e nossas estratégias de resistência
Por: Jessica Ipólito, Célia Alldridge e Camila Furchi
Este texto é o resultado de uma segunda roda de conversa sobre a lesbianidade e feminismo, realizada no dia 13 de abril, em São Paulo. O ponto de partida para nosso debate foi o documentário “Invisibilidade Lésbica”, produzido por Thais Faria1, militante da Marcha Mundial das Mulheres.
O documentário suscita reflexões bastante interessantes sobre a invisibilidade lésbica através do depoimento da protagonista Caroline, que, ao contar suas experiências e compartilhar algumas reflexões sobre a vivência de sua sexualidade desde a infância até a faculdade, nos motiva a compartilhar as nossas próprias “versões” dessas histórias. Histórias marcadas por medos, dúvidas e violências, mas também por superação, solidariedade e pela luta por autonomia.
A imposição do modelo heteronormativo e patriarcal tem vários efeitos sobre as nossas vidas, sendo determinante, por exemplo, na construção de estratégias de sobrevivência e inserção na sociedade que implicam na nossa auto-invisibilização (na escola, faculdade, mercado do trabalho, etc.). Em tempos em que setores conservadores tiram do baú temas considerados superados como a “cura gay”, manter-se “no armário” para muitas mulheres acaba sendo, temporariamente ou permanentemente, uma forma de auto-preservação.
MMM na Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo. Foto: Elaine Campos.
MMM na Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo. Foto: Elaine Campos.
Começando no seio da família, quantas de nós, assim como Caroline, tivemos que sustentar a “mentirinha” que nossas namoradas/ficantes são meras amigas frente aos nossos pais, para evitar maiores problemas e manter o “status quo”? Quantas vezes tivemos que aguentar em silêncio insinuações maliciosas de parentes sobre a nossa vida pessoal ou piadas sobre casamento e filhos por receio de “desequilibrar” uma ordem familiar baseada na pressuposição de que por sermos mulheres nos relacionamos sexualmente apenas com homens? Muito mais do que medo de desequilibrar esse modelo heteronormativo, quantas de nós não nos escondemos por receio das sanções físicas e morais que esse modelo implica?
 Infelizmente, a nossa casa é o primeiro, mas não o único dos lugares estruturados para a manutenção da sociedade heteronormativa e patriarcal. Espaços de sociabilização como a escola também foram construídos para manter essa ordem e, de certo, modo punir aquelas/es que ousam questionar sua procedência. Como conta Anna Claudia, psicóloga, entrevistada no documentário:
  Gays e lésbicas estão nas escolas, sempre estiveram, [incluindo os próprios] professores e professoras, mas são invisibilizados, e são obrigados a se invisibilizar pela lógica que está na escola.
Essa lógica, que pressupõe valorização das relações heterossexuais em detrimento das “outras”, aparece também em mais espaços da nossa vida. A dificuldade em acessar serviços de saúde com profissionais capacitados/as para receber lésbicas e bissexuais – no sistema público e sistema privado – é uma das nossas experiências mais comuns. E é no/a ginecologista que sentimos mais forte o medo de falar da nossa sexualidade, pois há uma forte associação dessa especialidade médica com a reprodução. A hegemonização do sexo heterossexual como o único possível, o único legítimo, tem efeitos preocupantes na vida das mulheres lésbicas e bissexuais, como nos diz Caroline:
Ginecologista, no meio onde eu nasci, onde eu cresci, eu acho que é só quando a mulher for ter o filho, quando tiver grávida que eles acham necessário você ir num ginecologista [..] eu deixei mais de lado [ir no ginecologista] porque realmente sempre foi colocado o lado reprodutivo e eu, enquanto lésbica, não tinha que preocupar tanto com o lado reprodutivo, né? 
É como se a gente não precisasse de serviços de saúde sexual pelo fato que não fazemos sexo por fins de procriação, embora muitas lésbicas tiveram ou têm relações heterossexuais, e muitas também são mães. É como se a gente não pudesse pegar DST’s (doenças sexualmente transmissíveis), ou que estivéssemos imunes ao vírus HIV; um mito que permanece entre muitas de nós.
 Vivenciamos cerceamentos e proibições que se expressam através de ameaças. Assim como Caroline, nós não temos direito à expressão do nosso afeto em espaços públicos, sendo que, por exemplo, somos explícita ou implicitamente proibidas de segurar na mão de nossas companheiras. Na rua, nossa forma de vestir é alvo de olhares e repreensão constantes: quando não é motivo de zombaria, é fetichizado-erotizado. Nossa liberdade de ir e vir sem sofrer lesbofobia depende da nossa invisibilidade, de nos manter dentro dos padrões pré-estabelecidos pelo patriarcado:
 Onde eu sinto uma homofobia muito grande, é que eu não posso simplesmente sair na rua de mão dada, tenho que me podar a todo momento, onde que eu tô manifestando meu afeto pela outra pessoa, porque posso ser agredida por causa disso. E além da agressão física tem a própria agressão verbal que já é muito complicada… (Caroline).
Como vimos, através da violência lesbofóbica e da imposição da invisibilidade, o sistema heternormativo e patriarcal controla nossos corpos e sexualidade, definindo o papel “natural” e o comportamento “adequado” para nós mulheres. Porém, não somos vítimas desse sistema. Somos sujeitos políticos dissidentes; um exemplo vivo de ameaça ao patriarcado pelo simples fato de nos relacionarmos afetiva-sexualmente com outras mulheres, e de não sermos sempre disponíveis para os homens. A partir daí, nos tornamos revolucionárias permanentes.
Ato do Dia Internacional de Luta das Mulheres, São Paulo, 2013. Foto: Elaine Campos.
Ato do Dia Internacional de Luta das Mulheres, São Paulo, 2013. Foto: Elaine Campos.

Somos protagonistas de nossas vidas e criamos nossos próprios espaços coletivos, acolhedores e solidários; onde a lesbianidade não é considerada um sofrimento e ninguém sente pena ou compaixão por nós. Nossa militância política feminista nos fornece as ferramentas para entender as raízes da nossa opressão e nos permite construir, de forma coletiva e coerente, nossas resistências e alternativas na luta pela transformação social.
*Por Jessica Ipólito, militante da Furzarca Feminista e autora do blog Gorda&sapatão, Célia Alldridge e Camila Furchi, ambas militantes da Marcha Mundial das Mulheres de SP
 1A Thais Faria é militante da Marcha Mundial das Mulheres e, antes de formar-se em jornalismo, do grupo de diversidade sexual da Universidade Federal de Viçosa ‘Primavera nos Dentes’