domingo, 15 de outubro de 2017

​Marcha Mundial das Mulheres rumo ao encontro da Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo


As militantes da Marcha Mundial das Mulheres estão se mobilizando em vários estados do Brasil para participar do Encontro da Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo, que será em Montevidéu, no Uruguai, entre 16 e 18 de novembro de 2017.

A Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo é um processo construído por movimentos sociais, sindicatos, articulações e organizações populares, feministas e ecologistas.

Esse processo começou em 2015, após uma década da derrota da ALCA – Área de Livre Comércio das Américas – quando retomamos o esforço de nos encontrar na construção de unidade para enfrentar a nova ofensiva neoliberal que se expressa de forma violenta em todo o continente.

Os golpes de Estado consumados no Haiti (2004), Honduras (2009), Paraguai (2012) e no Brasil (2016), e os ataques ao povo venezuelano demonstram que as elites e as empresas transnacionais querem ampliar seu domínio sobre nossas vidas, atacando nossos direitos, a soberania sobre nossos corpos, territórios e bens comuns.

Mobilização no RS

Serão vários municípios e movimentos sociais que estão se mobilizando no nosso Estado, igual no restante do Brasil. Mas nosso compromisso e responsabilidades aumentam já que somos o Estado mais próximo do evento. Nossos grupos já estão se organizando, procurando viabilizar de forma conjunta a ida de muitos e muitas militantes para que todo continente seja mobilizado por este novo tempo de luta e resistência popular.

No dia 25 de outubro, a partir das 18:30, estaremos com a companheira Nalu Faria, da SOF e da MMM Nacional, que irá puxar junto com nossas parcerias um Ato Politico e uma formação estadual da MMM RS para a Jornada Continental. As militantes da MMM de outras cidades que quiserem participar, nos informe caso precise de hospedagem ou tenham outra dificuldade.

Aguardamos vcs, este será um momento aberto a todas e todos que desejam se somar nesta Jornada junto com a MMM.


Sondagem das que irão:

Estamos fazendo uma sondagem acerca de quantas marchantes teriam interesse e condições de estarem viajando de ônibus para a Jornada. Neste link tem formulário para que as interessadas preencham.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Módulo 4 da Jornada de Formação Feminista da MMM com o Semapi


seminário Feminismo contra o neoliberalismo: nossas resistências, análises e propostas

SOF e MMM realizam seminário Feminismo contra o neoliberalismo: nossas resistências, análises e propostas

Nos dias 9 e 10 de outubro, cerca de 100 mulheres estarão juntas em São Paulo, para participar do Seminário “Feminismo contra o neoliberalismo: nossas resistências, análises e propostas”.
Esse seminário se insere em um processo permanente de reflexão e elaboração feminista que a SOF e a Marcha Mundial das Mulheres impulsionam junto às mulheres de organizações e movimentos sociais aliados. Nos dois dias do seminário, os debates irão aprofundar a análise feminista crítica ao atual modelo, especialmente sobre as dinâmicas de reorganização do trabalho, a ação das empresas transnacionais e os acordos comerciais e de investimento.
A transmissão será feita pelo canal da SOF e pelo site.



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Sem culpa nem desculpa! Mulheres livres da violência!

terça-feira, 26 de setembro de 2017

ALERTA FEMINISTA


Uma chamada-alerta a todas e todos resistentes  para a construção de ações de enfrentamento coletivo, auto-organizadas e articuladas contra a bancada racista, machista, fundamentalista e violadora de direitos neste Congresso Nacional.

Listamos aqui os ataques perversos e anti-democrático à autonomia das mulheres. #alertafeminista
Uma chamada-alerta a todas resistentes feministas para a construção de ações de enfrentamento coletivas, auto-organizadas e articuladas contra o avanço da bancada golpista sobre nós, mulheres!
ALERTA FEMINISTA
O poder legislativo brasileiro está tomado por uma bancada racista-machista-fundamentalista-violadora-de-direitos que se fortalece através de ataques sórdidos à autonomia das mulheres.
De maneira orquestrada este grupo acelera a apresentação e aprovação, no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas e nas câmaras municipais, de projetos de lei de cunho conservador e fascista. São mercadores da fé, que transformam igrejas em partidos e que usam fiéis como eleitorado. Trabalham com a concepção de que toda pessoa que não seja homem-branco-hétero é um ser inferior e indigno. Não hesitam em lançar mão de leis para controlar os comportamentos à luz desta ideologia. Intrometendo-se na política, elaboram propostas legislativas que condenam moralmente pessoas LGBTT, minimizam o problema do racismo, afastam da educação pública qualquer menção à igualdade de gênero e raça e ao feminismo, negam o acesso à arte, à filosofia e a uma pedagogia reflexiva e crítica no sistema público de educação.
Contra as mulheres os ataques são aterrorizantes e atingem os avanços conquistados pelo movimento organizado em sua luta por plena autodeterminação reprodutiva. Fazem isto condenando o aborto e enaltecendo a maternidade, como se esta fosse o destino de todas e responsabilidade exclusiva das mulheres. Esses mesmos parlamentares aprovaram a Reforma Trabalhista - que vai precarizar ainda mais o acesso das mulheres ao trabalho e rebaixar salários - e aprovaram a PEC 55, que congela por 20 anos os gastos com saúde e educação.
No tema dos direitos reprodutivos os projetos de lei conservadores impactam negativamente as mulheres, mais intensamente as mulheres negras e dos setores populares, que têm acesso a menos direitos desde muito tempo.
Denunciamos essas investidas e estamos atentas aos Projetos de Lei que precisam ser barrados!
PL 5069 de 2013
PL 478 de 2007
PEC 164 de 2012
PEC 29 de 2015 (no Senado)
PEC 58 de 2011
PEC 181 de 2015
Esses projetos de lei se baseiam num ideário conservador, racista, machista e antidireitos humanos! Suas formulações ferem gravemente os direitos das mulheres:
Querem fazer crer que aborto é crime mais grave do que estupro.
Querem fazer crer que um óvulo fecundado, ou embrião, deve ser reconhecido e tutelado pelo Estado como um Sujeito de direito igual à pessoa nascida viva - Com esta ideia pretende-se extinguir o direito ao aborto nos casos hoje permitidos pelo Código Penal de 1940 (gravidez com risco de vida da gestante ou resultante de estupro) e pela recente decisão do Supremo (nos casos de anencefalia).
Querem fazer crer que a vida do feto em formação é mais importante do que a vida da mulher. Esta postura nega o direito de interromper a gravidez mesmo nos casos em que esta resultou de incesto ou abuso sexual de menor.
Querem fazer crer que aborto se equipara ao assassinato. A Lei brasileira não define assim, mas o discurso machista das forças conservadoras acusa de assassinas as mulheres que abortam. São discursos que omitem o conceito de pessoa e igualam o ser humano a um embrião. Pela Lei brasileira a vida humana se inicia no nascimento e se concretiza na vida em sociedade. A simples formação de tecidos e órgãos para um corpo de aparência humana não é o todo do significado da vida humana, mas apenas seu início.
Depreciam de tal modo as mulheres que querem difundir a falsa e enganosa ideia de que se o aborto for legalizado elas irão matar “bebês” já formados. Sabemos que quando uma mulher precisa abortar ela o faz nas primeiras semanas, tão logo descubra a gravidez indesejada. O aborto tardio, após 15 semanas, acontece em razão da ilegalidade, que torna difícil o acesso ao procedimento. Sendo assim, os abortos tardios são responsabilidade do Estado, por criminalizar a prática, e não responsabilidade das mulheres. Nos países em que o procedimento foi legalizado o aborto tardio praticamente deixou de existir.
Mentem ao deliberadamente acusar o feminismo de pretender legalizar aborto até nove meses de gravidez. As regras para interromper uma gravidez, dentro dos parâmetros da saúde pública, estabelecem o limite gestacional em que a intervenção pode ser realizada. Mesmo porque para além deste limite, o que se tem não é mais aborto, mas antecipação do parto. Ou seja, o conceito de aborto não ultrapassa o tempo gestacional no qual já se formou o sistema nervoso central, e a partir do qual há viabilidade de vida extrauterina. A legalização do aborto, em qualquer país, se dá dentro de um limite que não ultrapassa este período (em geral até 12 semanas podendo chegar ao máximo de até 20 semanas de gestação em casos específicos, como risco de vida para a gestante).
Usam de violência e defendem a tortura das mulheres. Há projetos de lei que visam tornar obrigatória a visualização do ultrassom no início da gravidez, para mostrar o embrião às mulheres vitimas de estupro que buscam o serviço de aborto legal. Nesta chantagem emocional, ou tortura psicológica, há uma intenção clara de provocar o sentimento de culpa e de convencer à manutenção da gravidez. Estas são práticas que em geral vêm acompanhadas do discurso de que todas as características da criança estão ali presentes. São alvo desta perversa abordagem gestantes de fetos anencéfalos, vítimas de estupro, ou mesmo crianças e adolescentes abusadas, estas mais vulneráveis a esse tipo de manipulação.
Enaltecem a maternidade num discurso hipócrita e defendem que cuidar das crianças é principal tarefa e responsabilidade exclusiva das mulheres - As forças que apoiam projetos de lei com este conteúdo são as mesmas que, no Congresso Nacional e fora dele, apoiaram o teto de gastos para Educação e Saúde. Em um contexto de dificuldades no acesso a creches e assistência à saúde, essas forças colaboram para manter as mulheres neste lugar de únicas responsáveis pelo trabalho de cuidados com as famílias. Eles votam contra os direitos e a segurança das mulheres que são mães, enquanto estigmatizam e punem aquelas que escolhem interromper uma gravidez.
Defendem que sexo é exclusivamente para reprodução e ignoram o direito ao Planejamento Reprodutivo - Setores religiosos coíbem e desestimulam o uso de métodos para evitar a gravidez e evitar a transmissão de doenças. Propõem que sexo se restrinja a quando se deseja ter filhos, e que esta prática seja exclusiva do casamento, obviamente do casamento heterossexual, revelando o quanto a lesbofobia está articulada com seus projetos. Com isto desconsideram o direito constitucional ao planejamento da gravidez, negam às mulheres a plena vivência da sexualidade, negam os direitos reprodutivos e negam, inclusive, o avanço científico relativo às técnicas de reprodução humana.
Querem fazer crer que concepção é um milagre - Setores religiosos conservadores pregam a gravidez como dádiva divina para as mulheres, negam o direito à contracepção e ao aborto e negam o direito de adoção por casais homoafetivos. Esta postura rechaça a legitimidade de qualquer alternativa que não seja a família patriarcal, formada pelo casal hétero e sua prole, tendo o homem na chefia.
É preciso mapear e rechaçar as iniciativas legislativas municipais e estaduais baseadas nessas visões!
É preciso identificar parlamentares inimigos das causas igualitárias e barrar suas investidas!
Precisamos renovar alianças e unir esforços para desmoralizar e derrotar essas forças perversas!
É tempo de assumir firme posição contra a criminalização das mulheres e pela legalização do aborto!
Convocamos à construção coletiva de ações de resistência!

domingo, 17 de setembro de 2017

Seminário Aborto Livre

UMA QUESTÃO DE AUTONOMIA, DIREITOS E DE SAÚDE DAS MULHERES





No marco da semana do dia 28 de setembro, Dia Internacional de Luta pela Descriminalização do Aborto as organizações feministas Coletivo Feminino Plural, Comitê Latino Americano e do Caribe de Defesa dos Direitos das Mulheres, Marcha Mundial de Mulheres, Grupo Gritam da UFRGS promovem um encontro para discutir o cenário atual do aborto no Brasil desde a perspectiva dos direitos e da saúde das mulheres. O objetivo do encontro é dialogar com operadores do direito e com profissionais do campo da saúde sobre argumentos jurídicos e de saúde no sentido da não criminalização das mulheres. O evento antecede o II Colóquio sobre Aborto Legal que acontecerá no Hospital de Clínicas em Porto Alegre que discutirá as práticas já legalizadas previstas para a realização no aborto no Brasil. Pretende-se que o encontro subsidie a elaboração de uma nota técnica sobre o assunto, que oriente procedimentos e decisões no campo da saúde e do direito.


PROGRAMAÇÃO:

14:00 Mesa de Abertura: Renata Jardim e Cláudia Prates
apresentarão o coletivo de organizações promotoras do encontro e do histórico de construção da ação.

14:30  Aborto desde a perspectiva da saúde das mulheres
Mediadora: Dominique Goulart
O olhar da Organização Mundial de Saúde sobre o Aborto
Soledad Diaz Pastén (Médicos do Mundo-França)
Aborto, Violência obstétrica, parto humanizado
Camilla Schneck – Observatório da Violência Obstétrica do Brasil
Aborto no Brasil – dados, legislação e normas técnicas.
Vanessa Chiari Gonçalves - UFRGS

16:30 Apresentação artística 

16:45  Aborto desde a perspectiva jurídica
Mediadora: Renata Teixeira Jardim
A decisão do STF sobre a interrupção da gravidez até a 12 semana
Paulo Leivas – Procurador da República
Descriminalização do Aborto (ADPF442 e Amicus curiae ou amigo da corte)
Rubia Abs - Cladem 
Análises e Decisões internacionais
Carmen Campos - professora do Mestrado em Direitos Humanos e do Curso de Direito da UniRitter/RS

18:45 Encerramento com sistematização dos encaminhamentos para elaboração da nota técnica

Evento no Face AQUI

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Repudio aos que cederam ao conservadorismo que fechou a QueerMuseu



Marcha Mundial das Mulheres repudia os que cederam
ao conservadorismo e a norma patriarcal e heteronormativa
que fechou a exposição QueerMuseu

A Marcha Mundial das Mulheres repudia a direção do Santander Cultural, empresa transnacional do sistema financeiro, que reforça o sistema patriarcal heteronormativo e conservador ao fechar a exposição QueerMuseu.
As feministas da Marcha Mundial das Mulheres estão ao lado dos Movimento Sociais que denunciam e repudiam o fundamentalismo religioso, o conservadorismo, o retrocesso expresso na nota emitida pelo Santander Cultural ao dizer que cede ao apelo dos “indivíduos” e que as obras de arte de uma exposição com a temática da diversidade, do respeito as diferenças e com obras de artistas de renome e diversos períodos históricos como: Adriana Varejão, Cândido Portinari, Fernando Baril, Guignard, Lygia Clark, Kika Costa, Milton Kurtz, Mário Röhnelt, Paulo Osir, Sandro Ka e Leonilson e mais.
Arte moderna denuncia e faz pensar, as obras (que provocaram a violência patriarcal contra a exposição) foram descontextualizadas pelos fascistas para provocar a indignação dos fanáticos e de muitas pessoas que não tiveram a oportunidade de serem informadas ou refletir sobre a necessidade de visibilidade e considerar questionamentos sobre gênero, diversidade e sexualidade. As obras ditas ofensivas são justamente as que denunciam a falsa correlação entre orientação sexual LGBTT e estes crimes. A denuncia, (e a leitura de qualquer obra de arte deve estar no seu contexto histórico e no da exposição) transformada em apologia só serve pra reforçar a hetenormatividade e o racismo, reforçando os preconceitos e a violência que sofrem as pessoas LGBTT. Retirando a responsabilidade pelos crimes de exploração sexual de crianças e da crueldade animal da segurança publica e da falta de politicas sociais de enfrentamento e prevenção. Colocando a responsabilidade pela proteção e defesa dos mais vulneráveis na norma religiosa do extremismo conservador, do falso moralista e de um estado religioso.
O Santander Cultural e sua direção ao cederem ao movimento fascista, calam e reforçam a invisibilidade da morte de aproximadaemnte 340 pessoas por LGBTTFobia em 2016, ou dos 10 estupros coletivos acontecidos no dia de hoje, e destes não temos ideia de quantos são os chamados “estupros corretivos” que vitimizam muitas mulheres e meninas lésbicas e bissexuais, ou as mortes de aproximadamente 63 jovens negros por dia, quando invisibiliza a temática de raça junto com a de gênero colocada em várias das obras que agora já não poderemos ver, debater e até gostar/desgostar. Somos contra a censura e seus efeitos na sociedade, contra o proibir o debate de gênero em salas de aula, contra queimar livros e fechar espaços de cultura e de vida das comunidades.

A Marcha Mundial de Mulheres reafirma seu compromisso com o Estado Laico e com a defesa da Democracia e da Cultura!

Feminismo em marcha contra o conservadorismo e pelo Estado Laico!
Seguiremos em Marcha até que Todas sejamos Livres!




Marcha Mundial das Mulheres RS - setembro/2017
Blog - http://www.mmm-rs.blogspot.com/
E-mail - marchamundialdasmulheres@gmail.com
Facebook - www.facebook.com/MarchaMundialRS/

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

ALERTA, ALERTA





1ª Jornada de Formação Feminista - 3º módulo


Módulo 3
12 de setembro
Das 18h30 às 22h

Mediadora:  Regina Brunet – Kizomba, Diretora de Mulheres da UEE Livre, DCE da UFRGS e da Marcha Mundial das Mulheres

1) O Feminismo e a resistência das mulheres - campos do feminismo, os movimentos sociais e populares.Facilitadora: Aline Cunha – Feminista, Professora da Faculdade de Educação da UFRGS

2) O feminismo como um projeto político de fortalecimento das mulheres na luta contra os retrocessos - as reformas e o avanço do conservadorismo.
Facilitadora: Antônia Mara Vieira Loguercio – juíza do trabalho aposentada e integrante do Opinio Iuris Instituto de Pesquisas Jurídicas.

3) Ações de resistência para a autonomia plena das mulheres: Social e politica, econômica e autonomia do próprio corpo 
Facilitadora: Maria Fernanda Gerunto Salaberry – designer, feminista, participou da organização da Marcha das Vadias e do Coletivo de Mulheres da UFRGS

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Três casamentos, um amor e aquela sensação …

* por Naiara Malavolta Saupe

Havia aquela sensação de embrulho no estômago, como se algo estivesse preso, agitado, querendo subir e pular boca afora. O coração acelerado e o sangue pulsando forte pelas veias parecia ter pressa de chegar a algum lugar.
Poucas coisas lhe causavam isso, a maioria em situações de enorme tensão, pura excitação ou de muito constrangimento, mas nada como nesta noite. Nada era comparável à sensação que vivia nesta noite.
A agonia fazia com que se lembrasse do dia em que chegou a Bagé, para assumir o cargo no concurso do TRT. Muito constrangimento foi o que sentiu à época.
O ano era 1991, acabara de fazer 24 anos. Desde os 18 estavam juntas, moravam juntas, dormiam juntas e toda a família sabia, os amigos sabiam, não escondiam mais de ninguém, afinal já fazia quase seis anos.
Mas aquela era uma situação nova, um emprego novo, uma cidade nova. Acabara de passar no concurso, não conhecia ninguém, chegando no interior e com muita expectativa para o futuro. Ao entrar na Junta foi recebida pela Diretora, Isolda, e apresentada para os colegas. Todas pessoas gentis e cheias de curiosidade. Uma chuva de perguntas caía sobre ela e não demorou para que ouvisse:
- Solteira, casada ou tico-tico no fubá? - questionou Adalberto.
Pega de surpresa, num ato de autodefesa, respondeu, instintivamente, quase sem pensar:
- Casad…
Antes que acabasse de pronunciar a palavra, já estava arrependida e xingando-se mentalmente: “idiota, o que é que eu fui fazer?”!
A coisa dentro do estômago ficava mais agitada, subia pelo esôfago, alojando-se na garganta. O sangue corria forte e parecia instantaneamente drenado todo para as bochechas, quando a segunda pergunta foi arremessada contra ela por uma colega de simpatia rechonchuda:
- Já? Tão cedo! Qual o nome DELE?
ELE (idiota!). Qual o nome DELE, pensava? O que é que eu vou dizer?
- Marcelo, o nome dele é Marcelo! - respondeu com as têmporas latejantes e com muito, muito constrangimento.
Ria mentalmente ao lembrar da cena e de toda a situação que dela derivou: culpa, medo, negação, 16 meses de mentiras cada vez mais elaboradas todas as vezes que falava ao telefone com a Mary e a chamava pelo nome de Marcelo. Adoeci por conta daquilo, pensou com alguma melancolia. Enquanto isso a Mary se divertia com a situação e dizia para esquecer, porque foi necessário!
Mas ela adoecera e só se deu conta disso muitos anos depois, quando já elaborava mais sobre estes assuntos.
Existiram, depois desta, inúmeras outras situações em que “a coisa” cresceu no estômago, geralmente nas primeiras vezes. Sim, primeiras vezes, porque em 30 anos de relacionamento lésbico existiram muitas primeiras vezes: a primeira vez que foram apresentadas às dezenas de parentes e suas expressões de curiosidade, estranheza ou surpresa; a primeira festa que foram juntas no trabalho de uma ou de outra; o primeiro beijo em público; o primeiro passeio de mãos dadas na rua; as compras que fizeram juntas e os vendedores perguntando se eram irmãs, ou amigas e ouvindo espantados: “Não, ela é minha companheira”; a primeira vez que, em um hotel, exigiram cama de casal, ao invés de simplesmente juntar as camas de solteiro do quarto em que foram alojadas.
Nossa! Foram muitas primeiras vezes! E em todas aquela sensação de embrulho no estômago estivera presente. E sempre, nestes casos, causada por enorme tensão.
Não deixava de ser irônico, hoje estavam vivendo uma outra primeira vez! Só que desta vez com sabor de reprise. “Estamos casando pela terceira vez”, concluiu mentalmente, entre surpresa e excitação!
E era verdade! A primeira vez que casaram foi em 1985, quando resolveram morar juntas. Ela com 18 e Mary com 33 anos. Compraram móveis devagar, na medida em que juntavam dinheiro. Mudaram-se quase que simplesmente com as roupas do corpo, porque o importante era que estivessem juntas. Convidaram alguns poucos amigos para aquele primeiro casamento, quando inauguraram a nova moradia.
A segunda vez que se casaram foi 19 anos depois, em 2004, quando, amparadas por uma decisão do TJ-RS, assinaram a Declaração de União Estável. Fizeram sozinhas, meio na correria, num impulso de não deixar a oportunidade passar. Ela estava com 37 e Mary com 52 anos.
Esta era a terceira vez que casariam, no dia exato em que completavam 30 anos de união. Para esta noite tudo foi planejado com meses de antecedência: o salão estava cheio, fizeram os proclamas e contrataram a juíza, fotógrafa, comidas, garçons. Quatro casais de padrinhos, bolo de casamento, champanhe e bem-casados para o final …. e aquela sensação de embrulho no estômago, subindo pelo esôfago e trancando na garganta, igual a todas as outras vezes. Mas não, nada era comparável a sensação daquela noite!
Despertou do devaneio quando em meio à música a juíza perguntou:
- Ana Naiara, aceita Mary Saupe como sua legítima esposa?
- Sim, aceito!
E a “coisa” saltou para fora da garganta junto com o SIM, desobstruindo o estômago e aliviando o coração. Era um momento raro, de pura excitação!

* Naiara Malavolta Saupe é militante lésbica feminista da Marcha Mundial das Mulheres RS

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Sobre assumir quem você é e mudar o mundo

les
Foto: Elaine Campos
* por Vanessa Gil
A primeira coisa que você deve saber ao ler esse texto é que ele é um relato pessoal de como esse processo aconteceu comigo. Cada uma de nós vivencia de forma diversa. O fato é que sempre fui lésbica. Isso não impediu que me relacionasse com homens por muito tempo. Hoje, passados alguns anos, vejo isso como a ação da heteronormatividade na minha vida. No fundo eu sabia, mas crescemos numa sociedade onde ser hétero é a regra. Eu tentei segui-las. Quando nós dizemos bissexuais a coisa flui. A gente ainda esta disponível para os homens. Está disponível é bem dentro do que a pornografia vende, duas mulheres, o sonho da sexualidade masculina. Mas quando você rompe com isso, acorda e diz, sou lésbica, a coisa muda de figura. Você está informando o mundo que seu corpo, sua sexualidade não está mais disponível para o desejo masculino.
Levei muitos anos para me assumir lésbica. Mas sou uma privilegiada. Minha família disse: “a gente já sabia, seja feliz!”. Nunca trataram minhas namoradas com qualquer diferença entre homens que namorei ou as namoradas do meu irmão, do meu filho. Essa não é a realidade da maioria. Mas várias de nós podem se assumir e seguem no medo da rejeição. Amiga, quem te ama de verdade não se importa com quem você transa. Isso vale pra todas as pessoas com as quais você se relaciona. Para mim, e aqui faço um relato bem pessoal, foi libertador. Foi como tirar um peso gigante das costas. Cabe ressaltar que tudo isso foi possível porque o movimento feminista me mostrou que não estava só, que não era a única e que o pessoal é politico. Obrigada as que vieram antes de mim!
Tenho orgulho de ser lésbica. Faço questão de que todo mundo saiba. Passei muitos anos sem contar para ninguém, escondi namoros de anos. Hoje, sempre que entro em sala de aula digo que sou lésbica. O motivo é bem simples. Passei boa parte da vida achando que lésbicas e gays tinham uma vida promiscua. E mais um monte de ignorâncias. Não havia lésbicas entre minhas professoras, minhas médicas, entre as vizinhas. Óbvio que elas estavam lá, mas não contavam para ninguém. E eu achava que era só eu. Depois conheci outras lésbicas, mas todas também vivendo no armário. Falo de mim onde posso para que outras meninas saibam que nós existimos, vamos para a universidade, nos apaixonamos, temos filhos, estudamos.
A primeira vez que contei na escola onde lecionava foi visível o alívio na cara dos alunos gays e alunas lésbicas. As piadas lesbofóbicas e homofóbicas diminuíram, afinal, a autoridade em sala de aula era lésbica. A sala das professoras passou a ter muito mais cuidado com o que dizia. No ano seguinte vários casais gays e lésbicas surgiram no pátio. Ou seja, quando você se assume, quando nós assumimos, mudamos o mundo. E ajudamos as outras que virão depois de nós. Nem todas podemos se assumir com tanta tranquilidade, mas se você puder, faça. O mundo e você ficarão mais livres.
*Vanessa Gil é socióloga e militante da Marcha Mundial das Mulheres do Rio Grande do Sul.

sábado, 26 de agosto de 2017

Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo




Vídeo: ato resistência dos povos contra o neoliberalismo, o poder corporativo e por democracia realizado em 22 de agosto em São Paulo como parte da mobilização brasileira ao encontro em Montevidéu da #jornadacontinental entre os dias 16 e 18 Novembro de 2017.

ASSISTA O VIDEO: AQUI

domingo, 20 de agosto de 2017

Nota da Marcha Mundial das Mulheres em solidariedade ao povo venezuelano

Nota da Marcha Mundial das Mulheres em solidariedade ao povo venezuelano
A Marcha Mundial das Mulheres manifesta seu apoio e solidariedade ao povo da Venezuela, em especial às mulheres e as organizações populares de mulheres e do movimento social.
A crise na Venezuela não é nova, ela é parte de uma disputa acirrada desde a primeira eleição de Hugo Chavez, em 1998. Hugo Chavez se destacou por uma política anti-imperialista e voltada para a resolução dos problemas básicos da população como a fome, a falta de acesso a moradia e a renda. Sua política foi a mais incisiva contra o imperialismo, o que ao mesmo tempo em que despertou ódio, fortaleceu as lutas anti-imperialistas dos movimentos sociais na região e ganhou relevância com a eleição de presidentes na América Latina que não se alinharam aos Estados Unidos.
A ascensão de governantes como Lula no Brasil, Kirchner na Argentina, Evo na Bolívia, Lugo no Paraguai, Tabaré e Mujica no Uruguai, criou um terreno mais fértil para barrar as políticas neoliberais e tratados como a ALCA, que seria a subordinação total da América Latina aos EUA. O diálogo e integração na América Latina se intensificaram, em processos como a Unasul, a CELAC, a reorientação e fortalecimento do Mercosul, enfim, uma nova geopolítica se desenhou na América Latina.
Porém, 500 anos de imperialismo e colonialismo, machista e racista não são derrotados facilmente. Os povos latino-americanos viveram seguidos golpes como em Honduras, Paraguai, no Brasil. Mesmo Venezuela houve tentativas de golpe que foram sufocadas pelo povo.Os golpes na América Latina tiveram em comum a contribuição estadunidense, a articulação da burguesia, empresas e parlamentares corruptos, meios de comunicação e, no caso do Brasil, o componente da misoginia e o destacado envolvimento do setor judiciário. Quem comanda e provoca a crise na Venezuela são os mesmos atores, articulados com uma mídia golpista com aliados internacionais, por exemplo, a Rede Globo todos os dias mantém os noticiários inundados de notícias contra Maduro.
Em 2014, os movimentos sociais brasileiros organizaram um plebiscito nacional por uma constituinte exclusiva e soberana para realizar uma reforma política no país. Foi um processo de quase um ano de mobilização e um plebiscito popular com quase 8 milhões de votos. A rede globo e os meios golpistas não deram uma única noticia. Quando a oposição de Nicolas Maduro, montou um plebiscito em julho 2017 contra a assembleia constituinte, esse mesmo canal de televisão deu reportagens ao vivo durante todo o dia. Estas mídias golpistas se articulam em todo o continente para insuflar o ódio e definir as relações de poder na sociedade a favor das elites e das empresas transnacionais.
O que está em jogo na Venezuela é um processo de golpe para recuperar o comando americano da burguesia e das grandes transnacionais sobre as riquezas daquele país. Não tem nada a ver com a fome do povo ou com a democracia. A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo, além da água e da diversidade ambiental, e é isto que estes setores querem recuperar.
Os golpes são contra o povo, contra as mulheres e a população negra, como está ocorrendo no Brasil, que teve a democracia rompida, todos os direitos das mulheres e da classe trabalhadora estão sendo destruídos, as terras usurpadas dos povos indígenas, quilombolas e da população camponesa, além de que os serviços, empresas publicas e nossa biodiversidade estão sendo entregue para as empresas transnacionais. O Brasil, que já era um dos países mais violentos da América Latina assiste esta violência contra as mulheres e a população negra sendo acirrada. A criminalização dos movimentos sociais e os assassinatos de lideranças do campo se intensificam. Os golpes na América Latina são para recuperar o projeto neoliberal e a usurpação de nossos bens comuns, assim como para reafirmar a subordinação aos EUA.
Para nós, mulheres e povos, resta a luta e resistência. Por isso a Marcha Mundial das Mulheres denuncia esta tentativa de golpe na Venezuela que acirra a violência contra a população mais pobre, negra e jovem.
A Venezuela é soberana para junto a seu povo e a classe trabalhadora buscar saída de paz com participação e decisão popular.
Toda nossa solidariedade ao povo da Venezuela! Trump fascista e todos os golpistas: tirem as mãos da Venezuela!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Plenária Estadual de julho/2017


Companheiras,

Chegamos na metade de 2017 e não precisamos descrever novamente as inúmeras atividades em que estivemos participando, lutando contra os retrocessos e por democracia; contra a truculência policial  e pelo fim da militarização da Polícia; estamos nas ruas, nas ocupações, nas escolas e nas comunidades lutando todos os dias por liberdade e autonomia.
Precisamos organizar nossas marchantes para o segundo semestre, que já mostrou que não vai ser mais fácil.  Temos várias mulheres que querem conhecer a Marcha e mesmo entre as que já estão há algum tempo, precisamos um momento de formação para falar da nossa história, nossas lutas e nossos desafios.
Contaremos com a presença das marchantes convidadas de Santa Catarina, Paraná e Maria Fernanda Marcelino da MMM SP.
Para que possamos transformar nossa Plenária e Formação em momentos de troca, gostaríamos que os núcleos organizassem localmente uma reunião ou roda de conversa.

Importante:
- Preencha a ficha de inscrição - clicar AQUI
- Vamos fazer a formação e plenária em apenas 1 dia (sábado 15 de julho);
- Orientamos para que os núcleos reúnam e possam indicar 2 companheiras para participar da plenária.
 - A nossa plenária será aberta a convidadas de outras organizações/movimentos e coletivos que gostariam de conhecer a MMM e estreitar nossas alianças.
- Ofereceremos os lanches e cafés durante a atividade de sábado (manhã e tarde), e teremos um almoço no local, para todas.
- Não teremos como contribuir com transporte para a vinda das companheiras, por isto é importante a organização local para a vinda de pelo menos 1 marchante.
PLENARIA ESTADUAL DA MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES RS

Data: 15 de julho de 2017 (sábado)
Local: Sindipetrosul – Endereço: R. Gen. Lima e Silva, 818 - Centro, Porto Alegre - RS

MANHÃ - 8:30 – 12:30
1.    Apresentação
2.    Dinâmica inicial - Autocuidado, espaço de feminismo, solidariedade e resistência.
3.    Oficina - O que é a Marcha Mundial das Mulheres? Organização da MMM no mundo, quem somos - nos diversos países; internacionalismo e o feminismo da Marcha - estratégia politica e a sujeita coletiva e politica que é a marcha.
Convidada: Maria Fernanda

TARDE -  14h – 18:30
1.    Oficina em grupo - Por onde andamos, onde vamos? Depois de ampliarmos nosso olhar sobre a atuação da Marcha pelo mundo, avaliaremos a conjuntura política e econômica e seus enlaces.
Debates
2.    Agendas de lutas
3.    Fechamento com propostas para a próxima plenária, cujo objetivo é avançar no debate organizativo.
Encerramento

Saudações feministas

Marcha Mundial das Mulheres RS
Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

LIBERDADE PARA TODAS QUE LUTAM NA PALESTINA







Aproximadamente 11 ativistas palestinos foram sequestrados no domingo, 2 de julho, pelas forças de ocupação israelenses. Entre elas Khitam Saafin, presidente da União de Comitês de Mulheres Palestinas (UPWC) e coordenadora da MMM Palestina, e Khalida Jarrar, uma destacada parlamentar de esquerda e defensora dos presos palestinos.

As forças de ocupação sionistas invadiram suas casas e conduziram ambas as mulheres a um lugar desconhecido. Os atos de detenção arbitrária são uma clara violação aos direitos humanos que as forças de ocupação israelenses fazem histórica e impunemente contra os palestinos e os ativistas da causa palestina. A detenção de importantes líderes palestinas, que dedicam sua vida a lutar pela liberdade, pela libertação de seu povo e pela emancipação das mulheres, é um ataque à Democracia, às mulheres e aos direitos das pessoas.

Nós, ativistas e amigas da Marcha Mundial das Mulheres, nos unimos em solidariedade e apoiamos o chamado da União de Comitês de Mulheres Palestinas (UPWC) e da Samidoun - Rede de Solidariedade de Presos Palestinos de uma ação internacional para exigir a sua liberação imediata.



 Assine a petição! Assine e compartilhe essa petição exigindo liberdade imediata para Khalida Jarrar y Khitam Saafin



Mais informação AQUI: 

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!