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sábado, 5 de janeiro de 2013

O Fórum Social Mundial de luta e de resistência das Mulheres


 Outro mundo só é possível com feminismo

 
O Fórum Social Mundial surge no início dos anos 2000 como espaço da sociedade civil organizada em luta contra a ofensiva neoliberal e a globalização. É fruto dos movimentos antiglobalização, anticapitalista e anti-imperialistas para ser um espaço de convergência democrática de ideias e reflexões, aprofundamento de análises, e formulação de propostas, troca de experiências e articulação de movimentos sociais, redes, ONGs e outras organizações da sociedade civil.
 
Após o primeiro encontro mundial, realizado em 2001, se configurou como um processo permanente de busca e construção de alternativas às políticas neoliberais. Esta definição está na Carta de Princípios* , principal documento do FSM.  Tal documento explicita o caráter do FSM quando afirma ser esse  “um espaço aberto de encontro para o aprofundamento da reflexão, o debate democrático de ideias, a formulação de propostas, a troca livre de experiências e a articulação para ações eficazes, de entidades e movimentos da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo, e estão empenhadas na construção de uma sociedade planetária orientada a uma relação fecunda entre os seres humanos e destes com a Terra”.
 
O Fórum Social Mundial não é uma entidade nem uma organização e se caracteriza também pela pluralidade e pela diversidade, tendo um caráter não confessional, não governamental e não partidário. Ele se propõe a facilitar a articulação, de forma descentralizada e em rede, de entidades e movimentos engajados em ações concretas, do nível local ao internacional, pela construção de um outro mundo, mas não pretende ser uma instância representativa da sociedade civil mundial. 
 
A Marcha Mundial das Mulheres e o Fórum Social Mundial

Nossa constituição está intimamente ligada ao FSM, pois já na primeira edição em 2001, estivemos presentes com uma delegação de mulheres de vinte países. Em 2002, pautamos no FSM a violência contra as mulheres e como o machismo e o sexismo se expressam no cotidiano de cada uma de nós. Juntamente com a Rede Mulheres Transformando a Economia debatemos e formamos novas estratégias para combater a aliança perversa e tão nociva à vida das mulheres que é a aliança do capitalismo com o patriarcado. E assim seguiu nossa participação, sempre pautada na luta anticapitalista, antiglobalização e na busca de reforçar os laços de solidariedade com os demais movimentos que acreditavam que um outro mundo é possível.

Atuamos no Fórum Social Mundial desde o início por ser um espaço privilegiado para levar a cabo nosso projeto de mudar o mundo e para estabelecer alianças com outros movimentos sociais. Somos um movimento antiglobalização e antipatriarcal, e tornamos públicas nossas resistências e alternativas através de mobilizações de rua, da educação popular, da produção de conhecimento e da construção coletiva de novas formas de expressão.

Conectamos as feministas de diferentes partes do mundo que acreditam na necessidade de se organizarem localmente e atuar juntas para combater as realidades globais, que são o patriarcado, imperialismo, o machismo, a lesbofobia, o racismo, o neoliberalismo e o neoconservadorismo. 

A história dos movimentos sociais está entrelaçada com a do Fórum Social Mundial (FSM)

O fortalecimento dos movimentos que encontram seus pares em outras partes do mundo e a articulação ao redor de agendas comuns, como foi o caso da oposição à guerra e ao imperialismo, são frequentemente afirmadas como resultados positivos do FSM. Mas além disto, uma das principais contribuições do FSM tem sido mudar o ambiente onde são realizadas as ações e os debates políticos além de promover uma nova aproximação entre os diversos campos dos movimentos sociais, construindo um terreno intermediário. Este novo território evitou (provavelmente) o isolamento de alguns destes movimentos e ampliou a agenda política de outros. 

Foi com esse espírito que participamos do Fórum Social Temático, Crise Capitalista Justiça Social e Ambiental preparatório à Cúpula dos Povos na Rio + 20 no início desse ano. Estivemos presentes no Rio de Janeiro durante a Cúpula dos Povos reafirmando nossa luta contra o capitalismo verde e a favor da soberania alimentar, e a garantia dos bens comuns com a água e a terra.
 
E dessa forma que, a Coordenação dos Movimentos Sociais do RS e Nacional junto com vários movimentos pró Palestina Livre, reuniram esforços na construção, em Porto Alegre, do FSM Palestina Livre, ocorrido no mês de novembro último, denunciando o imperialismo do Estado de Israel e buscando ampliar a solidariedade internacional com o povo palestino. Nós da Marcha Mundial das Mulheres estivemos presentes desde o início dessa construção na afirmação da Soberania da Palestina como um tema permanente na nossa luta e elaborações.

Estaremos participando do Fórum Social Mundial 2013, entre 26 e 30 de março, em Tunís, na Tunísia.  Como sabemos, em anos pares se realiza em Porto Alegre o Fórum Social Mundial Temático, abordando sempre um tema de importância internacional e que esteja dentro dos princípios do FSM. Nos anos ímpares, acontecem as edições centralizadas, sempre em um continente diferente e em países onde se faça necessário o fortalecimento da solidariedade internacional, como nesse momento na Tunísia. 

Os Movimentos Sociais podem se reconhecer mais e se unir uns aos outros se o ritmo do Fórum não for um obstáculo à ação em si. A experiência do Dia de Ação Global foi expressiva e nos leva a propor claramente uma alternância entre FSM local, temático/regional e internacional, como uma forma de reforçar o processo e torná-lo realidade em mais países.
 
 
Não à institucionalização do FSM

Há várias “forças” que, recorrentemente, tentam institucionalizar o processo FSM. E no caso de Porto Alegre, transformando em lei para ficar sob batuta do poder público, da Prefeitura Municipal.
Para quem não sabe, está em tramitação na Câmara de Vereadores um projeto de lei do executivo que estabelece a anuidade do evento. Isto agrada apenas à “indústria Fórum”, e claro ao capital, ao oportunismo e a despolitização.
 
Não vamos compactuar com esta manobra política e queremos contribuir para o restabelecimento de uma efetiva agenda política de crítica global do sistema.
 
Desta forma, não reconhecemos o evento que está sendo chamado de Fórum Social Mundial Temático 2013/Porto Alegre, por estar na contra mão das lutas históricas contra o neoliberalismo e o imperialismo, o conservadorismo, a institucionalização, orquestrada por governos ou por determinado setor.


Para todas as militantes feministas:

Orientamos a todas as militantes feministas a NÃO participarem deste evento, por entender que ele fere a Carta de Princípios do Fórum Social Mundial, uma vez que não apresenta uma agenda política internacional de contraponto à Davos, ao ao imperialismo, ao neoliberalismo e ao capital. Nossa luta é de resistência ao modelo capitalista patriarcal, representado pelos setores que apoiam este evento de janeiro em Porto Alegre.

Celebramos a derrota do neoliberalismo no campo das ideias e de que contribuímos para isso. Contudo, observamos que “alguns dos temas trazidos pelo alter-mundialismo, têm sido apropriados pelo discurso do capital e apresentados, cada vez mais, como novas mercadorias para servir ao capital. Não vamos permitir que a luta dos povos seja transformada em mercadoria política.
 
Nós, da Marcha Mundial das Mulheres, estamos comprometidas em construir processos para a convergência de lutas e alternativas. Nossa referencia é a Carta Mundial das Mulheres à Humanidade, embasada na igualdade, liberdade, justiça, solidariedade e paz; e atualmente nos focamos na desmercantilização e desmilitarização do mundo.
 
Conclamamos as todas as mulheres a construirmos juntas um outro mundo possível, que passa obrigatoriamente pelo feminismo – numa ação conjunta contra o capitalismo patriarcal, o machismo, o racismo e a lesbofobia. Por um mundo livre de muros e laico.
 
Seguimos afirmando que, para mudar a vida das mulheres, o mundo precisa mudar; mas que também, para mudar o mundo, a vida das mulheres precisa mudar. Tudo ao mesmo tempo e agora!
 
 Marcha Mundial das Mulheres RS


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Fórum Social Mundial Palestina Livre

por Vanessa Gil *

Por: Vanessa Gil*
Entre os dias 28 de novembro e 1 de dezembro de 2012, em Porto Alegre, será realizado o Fórum Social Mundial Palestina Livre. A Marcha Mundial de Mulheres integra o comitê nacional e local de organização do evento. Mas qual a ligação do movimento feminista com o que ocorre na Palestina?
A luta do povo palestino se inicia em 1948, quando a ONU concede mais da metade do território palestino para a criação do Estado de Israel. Isso atendia aos interesses não só do movimento sionista, como aos interesses econômicos da Inglaterra. Não é a toa que Israel tem servido como principal aliado dos interesses imperialistas na região.
Entretanto, o movimentos sionista não se conteve em ver o seu país consolidado e passou a ocupar as terras que haviam sido deixadas para os palestinos/as, mesmo que esses/as tivessem uma população muito maior.
Desde então, as palestinas e palestinos têm sido expulsos de suas casas e sofrem as mais cruéis formas de violência por parte do exército de Israel. Um exemplo disso foi o massacre no campo de refugiados de Sabra e Chatila, que deixou mais de 3 mil palestinos/as mortos/as, e que completou trinta anos em setembro. Na noite de 16 de setembro de 1982, os militares israelenses liberaram o caminho para que Milícia Libanesa Falangista Cristã entrasse no campo em Beirute e massacrassem os/as alojados/as. Crianças, idosos/as e homens foram mortos, enquanto as mulheres eram estupradas.

Pela desmilitarização e liberdade para as mulheres


Nós da Marcha Mundial das Mulheres compreendemos que em guerras e territórios militarizados as mulheres são as mais afetadas. É delas a responsabilidade de cuidar das crianças, dos idosos/as e dos/as doentes. O vídeo acima demonstra o sofrimento das mulheres que sobreviveram e que ficaram sem os pais, maridos, filhos e filhas. Seu direito de ir e vir torna-se nulo diante dos incontáveis toques de recolher impostos por Israel e pelo perigo de depara-se com um soldado israelense. A ideologia imperialista, patriarcal, racista e militar de Israel impede a liberdade e destrói a vida das mulheres palestinas.

Pelo fim de todos os muros


A ideologia do Estado de Israel tenta confundir anti-sionismo com anti-semitismo, tentando transformar os processos de resistência de um povo que vive sob ocupação militar em terrorismo. Utilizando-se do pretexto da “segurança” contra o terror, Israel construiu o denominado Muro do Apartheid na  Palestina ocupada. Esse muro está planejado para possuir 700 km de extensão. Além de constituir uma grave violação dos direitos humanos e do direito internacional, o muro incorpora assentamentos sionistas ilegais, fontes de água, separa comunidades, crianças de suas escolas, trabalhadores/as de seus locais de trabalho, ou seja segrega uma população por completo. Denunciamos o caráter imperialista, racista e violento desse muro. Lutamos pelo fim do muro do Apartheid na Cisjordânia da mesma forma como lutaríamos contra o genocídio judeu na segunda Guerra, como lutaríamos pelo fim do Apartheid na Africa do Sul, nos EUA… E como lutamos pelo fim dos muros do machismo, do patriarcado, da misoginia.
Por tudo isso, convocamos a todas e todos para estarem em Porto Alegre, no FSMPL. Vamos juntas e juntos apoiar um mundo livre de opressões, repleto de possibilidades, liberdades e responsabilidades coletivas. Vem conosco mudar o mundo para mudar a vida das mulheres para mudar o mundo!
*Vanessa Gil é cientista social e militante da Marcha Mundial das Mulheres.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Carta de Solidariedade com o Povo de Gaza



Há vários dias, o exército israelense intensificou bombardeios e incursões no território palestino de Gaza, causando a morte de vários civis palestinos, incluindo crianças. A Marcha Mundial das Mulheres condena esses assassinatos chamados "seletivos" e os ataques à população sitiada de Gaza. A Marcha Mundial das Mulheres faz um chamado à comunidade internacional para exercer pressão pelo fim desta onda de violência criminosa, e para que Israel interrompa o bloqueio à Faixa de Gaza. Um novo passo foi dado pelo governo israelense, assassinando Jabbari Ahmad, chefe da ala militar do Hamas.

O Estado de Israel anunciou oficialmente a retomada de suas operações militares em Gaza, causando, novamente, mortes e destruição por bombardeios ao povo de Gaza, submetido a um bloqueio ilegal e desumano desde 2007. Isto conduz a réplicas que também afetam civis israelenses. Nós lamentamos todas as mortes de civis, mas consideramos que o Estado de Israel é o responsável por interromper o cessar-fogo e iniciar a agressão. Não nos esquecemos dos massacres perpetrados pelo exército israelense durante a operação "Chumbo Fundido” de 2008-2009, que matou cerca de 1.500 palestinos e palestinas enquanto as mesmas desculpas foram apresentadas pelo governo israelense para justificar aquele ataque assassino.

Era, como as agressões atuais, véspera de eleições em Israel. E, como em 2008, os ataques do Exército israelense continuaram apesar de um cessar-fogo conseguido por intermediação egípcia, e respeitado pelos palestinos até o assassinato do líder do Hamas. Benyamin Netanyahu, que anunciou a aliança de seu partido com o líder de extrema-direita Avigdor Lieberman, utiliza este ataque à Faixa de Gaza com objetivos eleitorais. Seu governo também está trabalhando metodicamente para atacar a demanda palestina frente à ONU. Ele afirmou sua vontade de derrubar a Autoridade Palestina, inclusive liquidando sua direção, se a Palestina se tornar membro das Nações Unidas (ONU).

Para preservar as possibilidades de paz, a comunidade internacional precisa por um fim à impunidade de Israel. Isto passa por sanções, e não por recompensas à ocupação, como fazem, regularmente, a União Europeia, os EUA e seus aliados. Seguiremos aprofundando nossa solidariedade ao povo palestino, durante o Fórum Social Palestina Livre, que será realizado em Porto Alegre de 28 de novembro a 1 de dezembro, e no dia 10 de dezembro, durante nossas 24 horas de ação feminista.

Há vários dias, o exército israelense intensificou bombardeios e incursões no território palestino de Gaza, causando a morte de vários civis palestinos, incluindo crianças. A Marcha Mundial das Mulheres condena esses assassinatos chamados "seletivos" e os ataques à população sitiada de Gaza. A Marcha Mundial das Mulheres faz um chamado à comunidade internacional para exercer pressão pelo fim desta onda de violência criminosa, e para que Israel interrompa o bloqueio à Faixa de Gaza. Um novo passo foi dado pelo governo israelense, assassinando Jabbari Ahmad, chefe da ala militar do Hamas. O Estado de Israel anunciou oficialmente a retomada de suas operações militares em Gaza, causando, novamente, mortes e destruição por bombardeios ao povo de Gaza, submetido a um bloqueio ilegal e desumano desde 2007. Isto conduz a réplicas que também afetam civis israelenses. Nós lamentamos todas as mortes de civis, mas consideramos que o Estado de Israel é o responsável por interromper o cessar-fogo e iniciar a agressão. Não nos esquecemos dos massacres perpetrados pelo exército israelense durante a operação "Chumbo Fundido” de 2008-2009, que matou cerca de 1.500 palestinos e palestinas enquanto as mesmas desculpas foram apresentadas pelo governo israelense para justificar aquele ataque assassino. Era, como as agressões atuais, véspera de eleições em Israel. E, como em 2008, os ataques do Exército israelense continuaram apesar de um cessar-fogo conseguido por intermediação egípcia, e respeitado pelos palestinos até o assassinato do líder do Hamas. Benyamin Netanyahu, que anunciou a aliança de seu partido com o líder de extrema-direita Avigdor Lieberman, utiliza este ataque à Faixa de Gaza com objetivos eleitorais. Seu governo também está trabalhando metodicamente para atacar a demanda palestina frente à ONU. Ele afirmou sua vontade de derrubar a Autoridade Palestina, inclusive liquidando sua direção, se a Palestina se tornar membro das Nações Unidas (ONU). Para preservar as possibilidades de paz, a comunidade internacional precisa por um fim à impunidade de Israel. Isto passa por sanções, e não por recompensas à ocupação, como fazem, regularmente, a União Europeia, os EUA e seus aliados. Seguiremos aprofundando nossa solidariedade ao povo palestino, durante o Fórum Social Palestina Livre, que será realizado em Porto Alegre de 28 de novembro a 1 de dezembro, e no dia 10 de dezembro, durante nossas 24 horas de ação feminista. Comitê Internacional da Marcha Mundial das Mulheres